Manson é capa da edição de aniversário da revista britânica Dazed and Confused. Confira a entrevista completa, onde ele fala, entre outros assuntos, a sonoridade do novo álbum, SAY10, e o que pretende fazer nos 20 anos do lançamento do Antichrist Svperstar!

 

Marilyn Manson teve uma semana complicada. Ele está em turnê divulgando seu disco The Pale Emperor, lançado em 2015, com o Slipknot e até agora as resenhas tem sido divididas. Artigos online questionam sua sanidade e comportamento, citando discursos longos entre as músicas, tropeções fora do palco, catarradas, resmungos e cancelamentos. Hoje, ele tocou uma música que geralmente não está nos setlists, Coma White, que dedicou às lágrimas à sua gata, Lily White, que faleceu. Os fãs irão reconhecer a Lily dos vários quadros que Manson pintou dela, e as sessões de fotos dos dois. Ele descrevia Lily, que saía em turnê com ele, como sua amiga mais próxima.

 São quase 30 anos desde que Manson formou sua banda, e a julgar pelas reações violentas que seu comportamento anormal estão causado causando neste ano, muita coisa não mudou desde 1989. Por que, então, o público em seus shows ainda fica surpreso? Ao telefone, Manson é o cavalheiro lúcido e articulado que o mundo conheceu em uma entrevista com Michael Moore para o filme Tiros em Columbine, de 2002. Ele claramente está devastado pela perda, mas sabe que a persona que criou para si mesmo não permite muito espaço para tristezas pessoais. Ele não fica surpreso que os fãs não lhe darão um momento de paz, apenas porque eles se importam muito, após todos estes anos. Um homem na plateia do show de hoje em Detroit quis começar a brigar com ele. "Levei um soco na cara, mas não pude revidar porque tenho prioridades," Manson diz cinicamente. "Mas isso não é relevante à nossa história. Você pode dizer que meu rosto dói pra cacete." Ainda assim, ele descreve a noite como "a melhor até agora dessa turnê. Não fui preso, coisa que aconteceu da última vez que estive aqui (em 2001), isso é bom. Foi aqui que fui preso por assediar um segurança de um jeito sexual - mas eu fui exonerado. Então desta vez tive de me comportar."

Esse dito, "se comportar", não é algo que Marilyn Manson aka Brian Warner de 47 anos concorde. O homem que começou Marilyn Manson & the Spooky Kids em 1989 não tem deixado o fato de que agora o mundo da moda o ache encantador - ele recentemente estrelou uma campanha de Marc Jacobs, enquanto toda marca de moda e criadores de merch para popstars, de Demna Gvasalia da Vetements, até Virgil Abloh e a equipe por trás das turnês de Rihanna e Zayn Malik tem trazido de volta o design da camiseta de manga comprida que Manson popularizou nos anos 1990 - desarmá-lo. Que o set milenar ultra-positivo de repente ficou interessado no look que, quando Manson criou, era metal demais para os góticos, punk demais para os metalheads e novo demais para os punks, formando sua própria geração incompreendida da MTV, não parece registrar. Durante essa sessão de fotos em Nova Iorque com o amigo Terry Richardson, Manson descreveu o conceito estilístico como fora de sua especialidade, mesmo que estivesse baseada na obsessão atual com sua própria imagem. "Em questão de moda, eu não sabia muito bem aonde eu estava indo," ele explica. "Ninguém tinha me dito que era tipo uma retrospectiva dos club kids, que agora voltou à moda de um jeito diferente. Eu usei coisas que não imaginaria usar, mas o Terry é bem persuasivo comigo."

A indiferença declarada de Manson pelo atual zeitgeist cultural e conhecimento expert simultâneo disso é apto de um frontman cujo as mensagens contra tabloides sempre tiveram um viés filosófico. "We're all stars now in the dope show" é tão verdadeiro agora quanto em 1998, e ainda assim o cantor consome cultura pop ao ponto de inserir a si mesmo nela com participações em TV e selfies com celebridades que faria os fãs mais assíduos sentirem-se constrangidos. Ao contrário do Slipknot e bandas semelhantes, Manson não teme um pouco de glamour. A letra pelo qual ele é mais conhecido soa, em 2016, mais Warholiana e Machiavelliana: apesar de tudo, seu nome artístico é um comentário sobre a celebridade descentrada, uma mistura da atriz Marilyn Monroe, que teve, tragicamente, uma superexposição e o maníaco obcecado pela indústria da música Charles Manson e sua música é, claro, apenas parte da equação: para alguns, ele é uma ameaça à igreja, para outros, um bode expiatório para a violência adolescente, mas para a maioria de nós, ele é um desajustado entre os desajustados, comercial demais para ser verdadeiramente cool. Agora que a poeira da afronta inicial aos pais que o Manson era baixou, o músico glam rock Marilyn Manson entrou em foco. As músicas soam até cativantes.

Manson claramente não é seu roqueiro alternativo medíocre. Ao invés disso, assim como Bowie com seu constante questionamento sobre celebridades, Manson tornou-se o rockstar típico. Sua reivindicação de ser "Maior que Satã" (recentemente colocada em uma camiseta do Justin Bieber) virou verdade e agora, para a nossa sorte, ele também tem opiniões fortes. Para um fanboy da Flórida com uma tirada cínica sobre a fama que faz música que é melhor ouvida no talo na noite de bondage de uma boate de strip, ele é desconfortavelmente sólido. Seus primeiros trabalhos estão cimentados na tela como parte da era de ouro dos videoclipes, e neste outono, ele irá lançar uma gravação que estava engavetada para promover a edição de aniversário de 20 anos de seu álbum mais celebrado, Antichrist Svperstar. Para provar que ele ainda é o mesmo garoto irreverente que lançou um álbum bastante influente duas décadas atrás, Manson também está prometendo um novo disco, SAY10, para 2017 que mantém em mente o que o fez formar uma banda em primeiro lugar: fazer as moças gostarem dele.

Você sente que era, ou é, um club kid?

Me encontrei em Nova Iorque em por volta de 1992 indo na Limelight do Michael Alig no auge dos Club Kids (grupo de clubbers undergrounds dos anos 1990). E foi uma época legal pra caralho. Michael Musto, Pat Fields - pessoas que fariam parte da estrutura da minha própria existência. Tudo isso me levou a Leigh Bowery, que me levou a Salvador Dali e ao dadaísmo, Andy Warhol, satanismo e Schiaparelli, sabe, vários cadarços nos sapatos da moda. Eu acho, olhando pra trás, que eu era provavelmente mais um fã dos Club Kids do que criador. Foi uma época interessante e estranha, e muito importante, eu suponho, na história de tudo. Na moda e na minha vida. Eu tinha pouco dinheiro quando morava na Flórida, então eu roubava maquiagem das lojinhas. Eu tinha essa estranha habilidade de encontrar o melhor e o pior nos lugares, tipo o Exército de Salvação. Enquanto isso, em Nova Iorque, isso tudo tava acontecendo e eu não tinha noção. Quando cheguei lá, parte de mim sentiu-se acolhida e a outra parte estava pasma. Mas a parte sobre o mundo da moda que eu gostei foram todas as diferentes pessoas. Trabalhei com Vivienne Westwood, Hedi Slimane, Marc Jacobs, Jean Paul Gaultier, Galliano... Tudo isso soa como se eu fosse o Patrick Bateman em Psicopata Americano enquanto eu falo, mas é legal para mim ser um fantoche para os designers de moda ou fotógrafos. Não é sempre que gosto de estar à frente de tudo. Às vezes eu gosto que as pessoas me usem como uma paleta. Eu sempre disse, desde o começo, que meus ídolos eram Madonna, Prince e Bowie, então (faz sentido que) eu goste de colaborar com gênios. Me faz sentir parte de um panorama geral. Sou muito criticado pelos meus amigos mais próximos - eles dizem para eu parar de arruinar tudo, porque me forço em todo show, filme ou revista que eu ame muito.

Essa é a melhor parte de ser o Marilyn Manson?

Não no sentido de que minha fama é parte disso - eu realmente odeio quando as pessoas referem-se a mim como celebridade, porque todo mundo pode ser uma celebridade agora. É exatamente a definição do nome Marilyn Manson, então não é novidade - qualquer um pode ser famoso em qualquer momento por morrer ou estar em um obituário ou matando alguém e aparecendo na capa. Então eu odeio esse termo. Foi um ano difícil para mim, vários amigos e familiares se foram. É horrível, mas coloca um fardo em mim. Tenho essa obrigação de ser um rockstar. É irritante, porque eu tenho que ter certeza de viver o sonho enquanto está acontecendo, porque ás vezes há muita coisa acontecendo, boas e ruins, e como ser humano, eu tenho mais do que uma dimensão. Mas tenho sorte que pessoas ainda ficam encantadas com o meu humor infantil, porque nunca senti que tinha uma aparência extremamente normal e bonita. Eu só deixo meu senso de humor e a minha total falta de respeito pelas regras me definirem.

Você já teve a sensação de querer quebrar uma regra e não conseguir?

Só na parte legal. Por exemplo, hoje à noite disseram que eu não poderia quebrar uma garrafa no palco e me cortar, então eu os fiz quebrar e dar pra mim. Me recusei a continuar o show até eles fazerem isso. Não falei com o público sobre. Aliás, eu não sou alguém que goste de se auto-mutilar no sentido Emily Dickinson-Sylvia Plath, mas eu tenho sede de sangue. Me deixa cheio de fúria e excitação, por qualquer razão que seja. Então sim, hoje foi difícil, mas eu quebrei a regra, e fiz isso de um jeito inteligente. Eles trouxeram o vidro quebrado até o palco e eu sangrei. Brechas...

Você pensa sobre o que o seu eu mais novo pensaria de você agora?

É uma pergunta complicada de fazer a alguém que é borderline esquizofrênico com múltiplas personalidades. Acho que eu virei tudo que pensei que seria na minha cabeça em diferentes estágios da minha vida. E em alguns pontos eu fui tudo o que não queria ser, mas eu nunca antecipei que elas existiam, então eu não sabia que queria ser elas, se é que isso faz sentido. E uma versão mais nova de mim poderia ser ontem ou há 20 anos. Fiz um disco novo que não contei a ninguém que estava fazendo, não falei para a gravadora e então eu disse, "Surpresa, aqui está." Essa é a minha versão geniosa que eu sempre fui. Quando eu era criança, eu usava fantasias de Halloween na época errada do ano. Eu desconsiderava todas as datas comemorativas, e ainda faço isso. Então eu sempre ignorei calendários, tempo, relógios.

Quando foi a última vez que você chorou?

Hoje, no palco. Toquei Coma White e dediquei à minha gata, Lily White. Eu fiquei de costas para o público.

Você pretende votar nas eleições presidenciais?

Não. Eu votei na última. Essa eu vou ficar de fora. Não tenho muito uma opinião. Eu poderia ter várias opiniões, mas escolhi ficar de fora desta vez.

Qual foi a última coisa que te chocou?

Eu conheço muita gente todos os dias por causa das tardes de autógrafos. Eu fico chocado com cada pessoa que eu conheço. Ninguém me esfaqueou, me deu um tiro ou algo assim, mas eu sempre fico chocado como as pessoas são afetadas pelas coisas que eu fiz e o quanto isso significa para elas. Isso nunca me desgastou ou me deixou exausto, só me deixa surpreso, eu acho, em como a única forma que eu me conecto com as pessoas em uma distância é através da arte, acho que é por causa da minha timidez.

Fale um ótimo presente que você recebeu.

Acho que tenho de falar, porque isso irá acentuar o nome do meu melhor amigo, mas o Johnny Depp me deu um anel do Hollywood Vampires (banda do Depp com o Joe Perry e Alice Cooper) de um modo romântico. Bem, não num modo romântico, mas foi romântico que ele tenha dado para mim.

Você tem algum tipo de mulher?

As legais. Eu tenho evitado isso - sem intenção - no passado. Não citarei nomes e nem dizer que elas eram ruins, mas acho que me descrevi como um ímã para mulheres problemáticas. É difícil ter esse papel quando eu sou uma pessoa irracionalmente difícil de lidar. Sou tipo um gato selvagem. Eu pego querendo achar uma mulher realmente legal e que entenda o Brian e o Marilyn Manson. É a pessoa e a persona. É tudo. Então, alguém que seja legal e gentil o suficiente para lidar com isso. Não tenho certeza se elas fazem esse tipo de pessoa. Eu te falo se eu descobrir.

Qual sua parte favorita da Bíblia?

O Apocalipse.

Você quer pedir desculpas a alguém?

Eu tento acabar com os problemas e não criar novos. E eu tento me desculpar como um cavalheiro, embora eu seja um canalha, um vilão e tudo o que as pessoas queiram me chamar. Sinto uma responsabilidade de sempre reparar os erros, me acertei com inimigos do passado e fiquei em paz com eles. Tenho ficha limpa agora.

Quem você gostaria que fizesse seu papel em um filme sobre a sua vida?

Se fosse uma comédia fora da Broadway, o The Rock. Ou a Faye Dunaway.

Qual é o primeiro encontro perfeito com o Marilyn Manson?

Eu não gosto de ter qualquer tipo de conversa ou momentos íntimos diante de estranhos em ambiente público, então eu diria na minha casa. E é conveniente caso o encontro não seja bom e eu tenha de matar a pessoa. Não teria evidências ou testemunhas. Eu tenho um incinerador em meu quintal.

É conveinente também caso o encontro seja bom.

Eu não seria tão fácil assim.

Quando foi a primeira vez que você se sentiu famoso?

Acho que quando o John Waters me ligou e me perguntou sobre fazer um filme, e eu sou muito fã dele. Foi um estranho efeito cascata conectado ao Johnny (Depp) e o filme Cry Baby. Eu acabei não fazendo o filme. Mas isso fez com que eu me sentisse, não diria famoso, mas feliz que alguém que eu tenha como ídolo tenha me ligado.

Qual a sonoridade do SAY10?

(O produtor) Tyler Bates e eu gravamos ele nos últimos três meses, pouco antes dessa turnê começar. Eu diria que é a última coisa que as pessoas esperariam ouvir após o The Pale Emperor e é também, vindo das pessoas que ouviram, uma combinação, no sentimento, entre o Antichrist Svperstar e Mechanical Animals. Eu geralmente levo mais em conta a opinião das mulheres à dos caras porque normalmente você faz músicas para que elas gostem de você. É por isso que você começa uma banda de rock. É inspirado por tudo aquilo que você faz para as garotas gostarem de você. Toda aquela paixão e pompa melódica tipo o Bowie, mas também o desrespeito pelas regras tipo o Ministry e todas as bandas que moldaram o primeiro disco que gravei. Não era minha intenção voltar para trás. Tudo anda em círculo e vira, sem canabalizar os trabalhos do passado, a mesma coisa, que é basicamente você. Estou um pouco ansioso demais para lançá-lo, então foi gravado rapidamente, mas é de longe a coisa mais complicada e temática que fiz na vida. De alguma forma, é ilusoriamente prazeroso a estranhos. É tipo aquele velho ditado de que o maior segredo do diabo é que as pessoas não acreditam que ele exista.

Quando sai?

Eu decidi pelo dia 14 de Fevereiro. Não estou muito certo de que obsessão é essa que tenho com o Valentine's Day porque eu nunca aproveitei de verdade essa data, mas por algum motivo sempre fez parte da essência da minha expressão artística. Algum dia eu descubro.

Esse ano marca o vigésimo aniversário do Antichrist Svperstar.

Sim, vamos lançar um box no dia 20 de Outubro, e tem um vídeo lendário que eu tive que guardar num cofre por 15 anos, por razões que serão reveladas quando vocês assistirem. Eu pensei inocentemente que seria aceitável usá-lo como um bônus do Dead to the World, mas aí meu empresário e o departamento legal me avisaram do contrário. Mas agora será visto por todos. Não direi mais nada, só que capturou um momento, após eu ter acabado de me mudar para Los Angeles. Eu estava morando com o Twiggy e tinha acabado de sair de uma turnê onde recebia ameaças de morte todos os dias. É um retrato interessante do que estava acontecendo na época, mas estranhamente não me parece diferente de como sou agora, exceto que estou usando um chapéu de caubói. É isso.

 
Manson falou com a Rolling Stone e deu suas opiniões sobre os candidatos a presidência dos Estados Unidos. Manson diz que não irá votar em Donald Trump ou Hillary Clinton em Novembro e explica os motivos.
 
"Não gosto de nenhum candidato, então preferi ficar de fora desta vez. E não acho que seja uma atitude covarde. Muitas pessoas talvez digam isso, mas eu só não quero fazer parte dessa parte da história do país. Da última vez eu quis estar envolvido nessa parte da história como eleitor."
 
Ele também falou sobre Donald Trump:
 
"Você está me perguntando o que eu acho do Trump, e é difícil porque se você voltar e olhar os antigos presidentes e você não tinha idade o suficiente para saber como eles viviam suas vidas e não viveu em uma era saturada de mídia e televisão com um monte de opiniões pelos lugares, o mundo parece ser mais caótico do que deveria. Mas quando você simplifica isso, não é mais caótico, tudo se resume a duas coisas: Quem tem mais carisma e quem eles atingem. E não sinto isso por nenhum dos dois."
 
Manson já havia sido questionado outras vezes sobre eleições. Em 2000, quando George W. Bush concorreu pela primeira vez, ele disse que não vota por que não acredita que seja um sistema legítimo e que prefere inserir suas crenças na música porque isso atinge a juventude e elas são o futuro.
 
Em 2008, Manson votou pela primeira vez, e foi em Barack Obama. Em 2012, repetiu o voto, mesmo não acreditando "na autenticidade do sistema de dois partidos" e que "a política neste país é tudo o que acontece por trás da cortina de Oz."

Em entrevista à Rolling Stone, Manson disse que lembrou de quando escreveu o Antichrist Svperstar ao gravar Salem em Shreveport, na Louisiana.

"Me trouxe memórias de quando estava criando o Antichrist Svperstar, que, estranhamente, faz vinte anos em Outubro (...). Achei que o elemento sobrenatural da série é muito autêntico de quando morei em New Orleans: A má sorte, o voodoo, toda a Santeria, tudo fazia parte de onde eu estava quando estava fazendo a música que fiz lá. Talvez isso tenha criado o meu encanto de gravar um novo disco."

De acordo com Manson, Say10 deve ser lançado no dia 14 de Fevereiro do ano que vem. Assim com o The Pale Emperor, o disco está sendo escrito e gravado com Tyler Bates.

Sobre a sonoridade, Manson disse:

"Não parece com o The Pale Emperor. Quem já ouviu as músicas novas, disse que lembra das partes favoritas do Antichrist Svperstar e Mechanical Animals, mas com uma abordagem nova e diferente (...) Tem uma natureza bem violenta por algum motivo. E não é emocional da mesma forma, tem uma agressividade. Gostei de fazer. Mal posso esperar até que as pessoas ouçam. Elas vão se surpreender bastante."

Confira a tradução na íntegra da entrevista que o Manson concedeu para o site The Daily Beast, onde ele fala sobre seu personagem no seriado Salem, suas visões sobre as eleições americanas deste ano e muito mais!

 

Uma das primeiras coisas que as pessoas notam no shock-rocker Marilyn Manson, depois de superar as palhaçadas anárquicas e as várias camadas de maquiagem, é o quão articulado ele é. Talvez seja parte do show: Deteriorando todo e qualquer preconceito que você venha a ter por um homem que, nos anos 1990, era o assunto de um boato de internet que ele removera suas costelas para chupar o próprio pênis. Ao invés da versão musical do Coringa, um agente do caos, você tem Brian Hugh Warner: Crítico incisivo. Esse abismo entre expectativa e realidade certamente colocou o apresentador da Fox News, Bill O'Reilly, em um loop, com Manson o superando ao vivo em um clipe que desde então tornou-se viral (agora o canal tem problemas muito maiores). E é uma grande parte do que faz o Manson uma presença convincente também.

 
A última investida do Manson no mundo da atuação é na próxima temporada do seriado Salem, que estreia no dia 2 de Novembro. Ele faz o papel de Thomas Dinley, um barbeiro/cirurgião misterioso, ao maior estilo Sweeney Todd, que come sanguessugas e pode ou não rasgar sua garganta. O papel vem de carona no aclamado papel que Manson fez em Sons of Anarchy, de um supremacista branco, e pouco antes do lançamento de seu décimo disco de estúdio, chamado Say10, que irá sair no início do ano que vem.
 
Em entrevista ao Daily Beast, Manson, que recentmente defendeu seu melhor amigo Johnny Depp das acusações de agressão à sua ex-esposa Amber Heard, falou sobre o sobrenatural, políticas e muito mais.
 
 
Me fale sobre seu personagem em Salem, Thomas Dinley. Li que ele trabalha em conjunto com o demônio.
 
Não tenho certeza se diria que ele trabalha em conjunto com o demônio. Quando eles me chamaram para gravar o seriado, eles o descreveram como um barbeiro-cirurgião do mesmo estilo dos personagens da época que inspiraram Sweeney Todd. Ele é um alquimista, e uma pessoa no mundo em uma época onde religião, feitiçaria, ciência e medicina eram incertos, e as pessoas não sabem aonde ir ou no quê acreditar, e o personagem é alguém que você pode dar dinheiro para cuidar de algum problema - ou se você precisa de algo mantido em segredo. Ele não parece ter uma moral muito certa, ou que toma lados. Ele é um psicopata e, na sua cabeça, ele quer descobrir o que há dentro de um homem. Ele tem alma? Então ele rasga a pessoa e vê o que tem dentro. Durante a temporada ele começa a descobrir que as coisas vão além da pele.
 
Você não usa maquiagem em Salem. Você começou a se sentir mais confortável sem ela? E quando você começou a usar, em primeiro lugar?
 
Acho que comecei a usar simplesmente por causa das minhas influências do pop - Alice Cooper, David Bowie. Eu gostava disso. Mas me sinto muito confortável não usando também. Gosto de atuar porque posso mudar, ficar diferente. Não tenho sobrancelhas porque eu raspo por vontade própria, então quando eu as deixo crescer ou até mesmo a barba, as pessoas não me reconhecem e isso é uma vantagem quando atuo - posso ser um camaleão. Estou mais confortável nesse elemento mais masculino, embora eu nunca sentisse que era tão feminino assim, mesmo quando eu usava batom.
 
 
Ainda assim é bem andrógino, não?
 
Concordo que era andrógino. Mas as pessoas sempre especularam sobre a minha sexualidade, e eu não sou mente fechada de um lado só, mas nesse último ano, fazendo um papel mais masculino em Sons of Anarchy e agora isso, tive a habilidade de ver um novo lado de mim mesmo. E foi um ano de ter vários amigos homens, então eu tenho mais "noites de homens" e bebo cerveja às vezes, que é uma coisa que eu nunca tive o costume de fazer (risos). Eu sempre fui mais fechado e na minha.
 
Salem, claro, é centrado nos julgamentos das bruxas. Você vê algum equivalente nos dias de hoje?
 
Acho que é a mesma história desde sempre: Os políticos usam a mídia como uma plataforma para fazê-los ter uma aparência melhor, então eles encontram alguém que está fazendo uma coisa ruim. Mas eu acredito no sobrenatural, há uma feitiçaria, existem coisas sem explicação, e essas são as coisas que fui rodeado a vida toda. Estou sentado no sofá usado em O Bebê de Rosemary e tenho muita taxidermia. Coisas que as pessoas talvez imaginem que estejam na minha casa, estão na minha casa. E nem é pra ter pompa ou me achar - é só que essas coisas me fascinam desde sempre.
 
Você têm tido aquele sentimento perverso de satisfação vendo a Fox News - e seu ex-chefe Roger Ailes - ter sua recompensa? Eles realmente fizeram nome te castigando por Columbine. E então teve aquela vez que você foi entrevistado pelo Bill O'Reilly.
 
Sem dúvida. Eu gostei de ter encarado o Bill O'Reilly. Lembro de estar no prédio da Fox e passar pelo Shepard Smith - ele era um dos que deram informações erradas sobre Columbine. Foi ele quem disse que os rapazes estavam usando camiseta e maquiagem do Marilyn Manson - o que não era verdade - e eu passei por ele e o fuzilei com os olhos. E o Bill O'Reilly estava totalmente despreparado. Adorei ter destruído ele. Então sim, tem sido divertido assistir a queda deles.
 
Qual sua opinião sobre a Fox News e o jeito que eles dão as notícias?
 
(risos) É tipo o filme O Âncora. É bem isso. Todas as notícias são discutíveis. Vocês são bons em expôr elementos - e é por isso que entro muito no site de vocês - assim como a parte humorística. Realmente me faz pensar da época em que Salem é gravada. Honestamente eu não posso dizer com muita certeza que, além das fotografias, eu nunca estive no céu e olhei para a Terra, então eu nunca poderia dizer com total certeza que é a Terra é o que vemos nas fotos. Vou acreditar - não estou tentando duvidar disso; ao mesmo tempo, é difícil acreditar em qualquer coisa nos dias de hoje a não ser que você veja na sua frente. Até as fotos podem ser alteradas agora, embora elas sempre tivessem como ser alteradas, e isso é uma forma de bruxaria.
 
 
Qual sua opinião sobre as eleições deste ano? Está um show de horrores.
 
Parece ficção científica ganhando vida. Parece muito com a história de Holy Wood que eu escrevi, que é sobre uma estrela de cinema virando presidente, ou como o filme Wild in the Streets. Eu votei da última vez e não vou votar de novo porque não gosto de nenhuma das opções. Isso não me faz um covarde ou uma decepção como Americano porque eu não quero fazer uma escolha; eu quero fazer parte de não escolher desta vez. Não concordo com nenhuma das duas montanhas de bosta que estão no menu. É merda de gato e cachorro. Digo, eu gosto de gatos, mas um é cocô branco de cachorro e o outro é uma caixa de areia. Prefiro não ter nenhuma das duas merdas.
 
Recentemente você fez o papel de um nacionalista branco em Sons of Anarchy, e agora parece que as alianças de Trump com elementos da direita - incluindo o CEO de sua campanha, Steve Bannon - servem de isca para os nacionalistas. Você não acha que é importante potencialmente parar este homem de assumir o cargo mais alto do país?
 
Não acho que, como artista, eu possa fazer tanta diferença votando quanto os comentários que faço nas músicas em meu próximo disco, Say10. Entendo que você diga que não estou ajudando a pará-lo, mas acho que ele vai parar sozinho. Obviamente alguém que seja politicamente melhor treinado é uma escolha melhor, na teoria, mas isso tudo virou uma suruba. Essa é a melhor descrição: É uma suruba.
 
Você mencionou seu sofá do Bebê de Rosemary e taxidermia, e é sabido que você tem uma rica coleção de esquisitices. Quais são seus itens favoritos?
 
Hmm... É difícil dizer. Tenho uma fotografia única de Salvador Dali que é muito bonita e muito importante para mim. Tenho uma coisa legal. Porque sou muito fã de cinema e alguns seriados tipo True Detective e Hannibal, e eu ganhei o creme de Brooke Smith, a atriz que fez a garota no poço em O Silêncio dos Inocentes. É o mesmo frasco da cena do "it puts the lotion on its skin". Esse é um prêmio para mim. Tenho a primeira edição autografada do livro do Salvador Dali que ganhei de Natal do Johnny Depp - The Secret Death of Salvador Dali. Troquei meus seios do Mechanical Animals pela peruca que o Johnny usou no filme Profissão de Risco.
 
Você também coleciona itens do nazismo. Por quê? Qual o fascínio?
 
Não é por causa do Hitler. O acho um pintor de aquarela mediano. Gosto do aspecto oculto disso; não tem nada ver com a parte política. De qualquer forma, eles tinham os melhores uniformes porque o Hugo Boss os desenhava, mas além disso, eu gosto da minha coleção de taxidermia. Tenho três babuínos - eles estão olhando para mim agora. Um tem um olhar inflexível, o outro está grunhindo - eu geralmente tento descobrir qual eu sou - e o terceiro está sentado com o pau aparecendo. Eu geralmente acabo sendo esse.
 
 
Você já falou sobre sua afinidade com o Satanismo no passado. O que te atrai nesta filosofia, e o que você acha que tem o maior conceito errado?
 
Bom, o maior conceito errado é que eu pratico - sabe, eu nem gosto da palavra "patricar", parece um ensaio. É um título honorário da Igreja de Satã, mas a filosofia fica muito próxima do que eu sempre senti na minha visão da natureza baseada em Darwin, o oculto, e coisas que gosto no Aleister Crowley, assim como meu desejo de ser um rebelde em uma escola Cristã. Mas eu não acho que há conceitos errados sobre. Não existe maneira de me entender de forma errada; você só pode me entender de um jeito diferente e é por isso que sempre gostei de ser caótico.
 
Não existe uma palavra para o que eu acredito; há a espiritualidade. Me sinto bem quando faço algo bom, seja fazendo um bom show ou escrevendo uma boa música. Se eu faço algo que afeta as pessoas - ou o universo - de alguma forma, isso me faz bem. As pessoas devem pensar que eu não tenho positividade em mim, ou que eu amo gatos, e as pessoas devem pensar que é tudo uma escuridão, mas há tanta luz em mim como há a escuridão. Você não pode ter um sem o outro. É provavelmente uma má ideia quando as pessoas me cruzam, mas eu tento manter isso fora dos tribunais (risos). 
 
Você tem sido um oponente bastante vocal do Cristianismo e seu poder na América. Como você sente sobre a separação da igreja e do estado nos EUA?
 
Acho que está perdendo o controle. Eles estão capitalizando, e tentando, de uma maneira muito sutil ambas as arenas políticas. Tem sempre a ver com armas, religião e terrorismo. Quando eles começam a atacar o terrorismo, o que é obviamente uma prole radical de qualquer religião, essa é a maneira deles dizerem "fiquem conosco." Desde o início, nunca houve separação de igreja e estado nesse país - embora as pessoas digam que tenha. O primeiro exemplo diso foi quando você tem uma vila, você tem um padre e o líder da vila - o prefeito - vai até o padre e confessa estar transando com a babá, e o padre diz, "Vou contar pra todo mundo, a não ser que você me pague." É assim que todo o lance de igreja e estado começou. É único. É uma mão lavando a outra. E o que muita gente não entende é que se você prende o dedão, que é o ponto mais fraco da mão, você vai perder o controle. Eu adoro fazer isso. Eu faço isso com o meu amigo mais forte da Marinha e ele não consegue segurar o meu braço. É esperto, não é tentar lutar, é tentar ser mais esperto. Você não pode mudar isso - apenas ser mais esperto. 
 
Então você sente que, ao ser firmemente contra o terrorismo radical Islâmico, os Cristãos estão opondo-se contra os muçulmanos, logo, promovendo o Cristianismo em contraste?
 
Se eles não tem um demônio, deus não pode existir. Não estou dizendo que eles não estão certos, isso é só uma Missa. Isso é a Bíblia 101: Você tem de ter um cara mal ou você não tem uma história. Veja bem, o que eu gosto em relação a mim, em relação a ser um vilão, é que o vilão é o melhor personagem porque ele é o cara que está querendo quebrar as regras. O herói é só uma porra de uma linha reta. O vilão faz isso por propósitos românticos, e o herói faz porque ele não consegue fazer nada melhor. Ele é geralmente burro pra caralho, também.

 

O estilista Marc Jacobs lançou sua campanha de inverno deste ano e chamou um time de celebridades. Além do Manson, Courtney Love, Cara Delavingne e Missy Elliot estão entre os artistas escolhidos para o vídeo. Assista!

página: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 | 32 | 33 | 34 | 35 | 36 | 37 | 38 | 39 | 40 | 41 | 42 | 43 | 44 | 45 | 46 | 47 | 48 | 49 | 50 | 51 | 52 | 53 | 54 | 55 | 56 | 57 | 58 | 59 | 60 | 61 | 62 | 63 | 64 | 65 | 66 | 67 | 68 | 69 | 70 | 71 | 72 | 73 | 74 | 75 | 76 | 77 | 78 | 79 | 80 | 81 | 82 | 83 | 84 | 85 | 86 | 87 | 88 | 89 | 90 | 91 | 92 | 93 | 94 | 95 | 96 | 97 | 98 | 99 | 100 | 101 | 102 | 103 | 104 | 105 | 106 | 107 | 108 | 109 | 110 | 111 | 112 | 113 | 114 | 115 | 116 | 117 | 118 | 119 | 120 | 121 | 122 | 123 | 124 | 125 | 126 | 127 | 128 | 129 | 130 | 131 | 132 | 133 | 134 | 135 | 136 | 137 | 138 | 139 | 140 | 141 | 142 | 143 | 144 | 145 | 146 | 147 | 148 | 149 | 150 | 151 | 152 | 153 | 154 | 155 | 156 | 157 | 158 | 159 | 160 | 161 | 162 | 163 | 164 | 165 | 166 | 167 | 168 | 169 | 170 | 171 | 172 | 173 | 174 | 175 | 176 | 177 | 178 | 179 | 180 | 181 | 182 | 183 | 184 | 185 | 186 | 187 | 188 | 189 | 190 | 191 | 192 | 193 | 194 | 195 | 196 | 197 | 198 | 199 | 200 | 201 | 202 | 203 | 204 | 205 | 206 | 207 | 208 | 209 | 210 | 211 | 212 | 213 | 214 | 215 | 216 | 217 | 218 | 219 | 220 | 221 | 222 | 223 | 224 | 225 | 226 | 227 | 228 | 229 | 230 | 231 | 232 | 233 | 234 | 235 | 236 | 237 | 238 | 239 | 240 | 241 | 242 | 243 | 244 | 245 | 246 | 247 | 248 | 249 | 250 | 251 | 252 | 253 | 254 | 255 | 256 | 257 | 258 | 259 | 260 | 261 | 262 | 263 | 264 | 265 | 266 | 267 | 268 | 269 | 270 | 271 |









15.10 @ Knotfest Mexico
04.11 @ Yes24 Live Hall
06.11 @ Knotfest Japan
[ ver mais ]

Marilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016) Third Day of a Seven Day BingeThe Mephistopheles of Los AngelesManson fala sobre o ”The Pale Emperor” (2015)Manson dá suas impressões sobre o Natal (2014) Deep Six


ver +

facebook.com/marilynmanson
marilynmanson.com
twitter.com/marilynmanson


2008 - 2016 ® Marilyn Manson Brasil | Todos os Direitos Reservados