Logo no dia da eleição americana, Manson lançou um trecho de seu novo vídeo. É para a música Say10, faixa título de seu novo álbum, que, segundo o próprio, sai no dia 14 de Fevereiro de 2017.
 
No trecho, é mostrado o Manson rasgando páginas da Bíblia. Depois, um cara loiro, usando terno e gravaga vermelha é decapitado. Uma clara alusão a Donald Trump, candidato do partido republicano à presidência.
 
Sobre o vídeo, Manson diz:

"Como artista, meu dever é fazer perguntas e o espectador deve respondê-las.
 
O que quer que aconteça amanhã, os visuais significam contemplação. Porque obviamente é maior do que apenas amanhã. É sobre os atos desesperados de pessoas que acreditam em algo e que são pregadas por um descrente.
 
Neste momento, estamos em um estado de confusão em relação a religião, política e sexualidade, e como eles se juntam e está virando um circo e um espetáculo à parte - e isso é algo que já fui descrito como sendo o líder.
 
Para mim, como artista, e como artista americano, parece que é hora de causar um novo leque de questões que não sejam somente declarações."

Manson disse que não irá escolher entre Donald Trump ou Hillary Clinton. E que as letras do álbum irão fazer mais diferença do que um voto na urna.
 
Assista ao trecho! O vídeo completo deve sair em breve.

 

Fonte: The Daily Beast

 

Amanhã, 2 de Novembro, estreia a terceira temporada de Salem, onde Manson faz o papel de Thomas Dinley, o barbeiro num estilo Sweeney Todd. O LA Times conversou com ele sobre a série e sobre o novo disco, Say10. Confira a entrevista na íntegra abaixo!

 

As respostas perturbadoras de Marilyn Manson sobre sugar sanguessugas e fazer salsichas em seu novo papel em Salem.

Aparentemente, basear uma série de televisão inteira nos horrores dos julgamentos de bruxas no século XVII não era o suficiente. Então quando Salem voltar para uma terceira temporada na quarta-feira, será com o roqueiro macabro Marilyn Manson fazendo o papel de um barbeiro/cirurgião/açougueiro sádico.

"Ele gosta de servir salsichas ao estilo Sweeney Todd como aperetivo," diz Manson, a.k.a Brian Warner, sobre seu personagem Thomas Dinley na série da WGN. "Ele também é um sociopata infantil que é curioso com o que há dentro do ser humano. Sua forma de descobrir é os cortando, e às vezes antes de estarem mortos."

Manson, que passou a maior parte de sua carreira propagando temas nauseantes em sua música, aparece regularmente ao longo da nova temporada de Salem. Mas quando não está fazendo o papel de um açougueiro sociopata, Manson ainda faz música sob o aviso de perigo aos pais.

O cantor de Los Angeles, que está finalizando seu décimo álbum, Say10, falou pelo telefone sobre tirar a maquiagem e ser alguém que não o Marilyn Manson.

 

Você já fez uma boa quantidade de trabalhos na TV e no cinema, incluindo A Estrada Perdida de David Lynch e Californication, mas parece que esse papel em Salem foi feito sob medida para você.

Após o primeiro dia, o co-criador do seriado, Brannon Braga, disse, "Apenas seja você mesmo." Eu perguntei, "O que você está tentando dizer?" e ele, "Bem, existem muitos elementos em você e no Dinley ao mesmo tempo." "Você quer dizer, tenho uma atitude completamente laissez-faire ao servir para as pessoas salsichas que são feitas de outras pessoas?"

No trailer para a nova temporada, parece que você está sugando um sanguessuga. Por favor, me diga que era de mentira.

Não era.

 

 

Ótimo, não vou mais conseguir "desver" aquilo.

Bem, eles eram reais. Tivemos até um cuidador de sanguessugas. Ele ficou preocupado de que eu fosse machucá-los, mas eu tinha a impressão de que eles não tem sistema nervoso, então eu tentei persuadir o cara. Disse a ele como eu costumava jogar sal nas lagartas quando eu era pequeno e ele pareceu bem insatisfeito comigo. Só achei engraçado que esse cara trabalhava como cuidador de sanguessugas, mas talvez não seja tão engraçado quanto um cara que coloca sanguessugas na boca por entretenimento.

Salem é baseado nos anos 1600. Como é ser um "cirurgião" naquela época?

É interessante (risos). A ciência não era uma coisa realmente entendida, então esse personagem é o cara que você vai se precisa que alguma coisa seja feita que não seja curável pela religião, medicina ou remédios. Se alguém vai ao local de trabalho dele, existe uma variedade de serviços, que vai de cortes de cabelo a extração de dentes. É uma versão de 1600 de um centro comercial onde eles tem uma loja de donuts próxima a um ortodontista.

Ironicamente, muitas das coisas que ele tem em seu escritório eu tenho [como decoração] em casa.

Tenho medo de perguntar, mas que tipo de coisas?

Equipamentos médicos antigos, boticários. Coleciono vários membros protéticos, e alguns são datados de muito antes da Guerra Civil. Vários aparatos médicos, boletins e diagramas. Muitas pessoas pensam olhando para a morte, ou que esses tipos de instrumentos são mórbidos e o que você esperaria ver na casa do Marilyn Manson. É o que você esperaria, mas muito pior.

Os papeis de filme e TV que são oferecidos a você sempre estão do lado obscuro?

Tem gente que me oferece o papel irônico, straight edge ou de comédia romântica. Na parte da comédia, eu posso ser o mais engraçado possível na circunstância certa. Mas não vou te dizer que sou engraçado agora porque isso me faz obrigado a ser engraçado. A pressão. Mas eu gosto do conceito de ser um ator de personagem. E eu gosto das carreiras de Gary Oldman, Tom Waits e Dwight Yoakam.

Você parece relativamente normal em Salem. Com isso, eu digo que você não está usando a maquiagem de Marilyn Manson. O mesmo vai para seu papel em Sons of Anarchy. Parece que você está disfarçado.

Eu geralmente depilo minhas sobrancelhas e não tenho barba, então se você coloca barba e sobrancelha, subitamente eu não pareço a mesma pessoa. Se eu decidisse roubar bancos, eu seria bom em evitar um processo criminal. É só tirar a maquiagem, deixar a sobrancelha crescer e eu viro uma incógnita. A barba já dá um pouco mais de trabalho. Levou uma semana pra ela crescer ralinha (para o personagem).

Você também ainda está gravando álbuns e fazendo turnê.

Sim, meu novo disco chama Say10, tipo Satã. Encontrei esse título no anuário do terceiro ano do ensino médio da escola Cristã que estudei. Faz bastante tempo. O disco é bem político, socialmente e sexualmente. Lida com coisas que falei bastante, mas talvez não tenha cantado o suficiente. Eu trabalho melhor quando combino imagem e palavras ao invés de só palavras. Me lembrei disso atuando.

É especificamente sobre a eleição que está por vir?

É ambíguo liricamente. Eu queria que fosse algo que qualquer um pudesse interpretar. As pessoas ouvem músicas que eu acho raivosas como sendo sexy. Ou músicas estranhas que eu acho sexy como sendo violentas. Se eu fosse culpado por quaisquer problemas na vida, esse álbum seria o que eu intencionamente estaria pedindo porque acho que a arte precisa chacoalhar as coisas. É o que sempre achei, só precisava de um lembrete e essa eleição foi isso.

Há outros papeis para filme ou TV?

Eu talvez faça algo no ano que vem em um filme grande, um filme de super herói que não posso falar.

E você faria o papel de...

Um vilão, claro.

 

 

 

 

Há exatos 20 anos, no dia 8 de Outubro de 1996, o disco Antichrist Svperstar era lançado. Para celebrar o lançamento de um dos maiores discos dos anos 1990, fizemos um post especial falando sobre o álbum e o analisando brevemente, mostrando as referências utilizadas pelo Manson para construir seu conceito e tudo o mais.

Por Erico Ferry

20 anos da obra-prima da apoteose anticristã

No ano de 1996, quando o movimento grunge já dava sinais de perder a força e o Britpop estava em alta aos quatro ventos, o continente norte-americano, mais precisamente os Estados Unidos da América, estava por vivenciar um novo movimento de contracultura com a explosão do Nine Inch Nails e o rock industrial ganhando cada vez mais espaço na MTV, mas ainda assim não tinham uma figura que tivesse cravado a faca no paladar da mídia.

Em 8 de outubro daquele mesmo ano, o país e o mundo receberam aquilo que seria uma das obras mais controversas, provocantes, críticas e complexas da história da música popular até então, senão a mais forte em termos de agressividade até hoje.

O mundo abre suas pernas para uma nova estrela” e Antichrist Svperstar era lançado pela Nothing/Interscope Records, produzido por Trent Reznor. Marilyn Manson até então vinha de um álbum de estúdio bem recebido e um single cover de Sweet Dreams (Are Made of This) do duo britânico Eurythmics, que teve sucesso mundial com seu vídeo repetido à exaustão. Mas faltava uma obra que consolidasse Manson e sua banda e os levassem ao estrelato e logicamente ao topo das polêmicas musicais da época. Antichrist Superstar foi a obra de fato conseguiu mostrar o potencial e sagacidade de Manson ao mundo do show business.

Com a premissa de “destruir o cristianismo” tão disseminado na cultura americana, o disco já tinha início na capa com Manson interpretando um Baphomet e partia de uma jornada conceitual com toques autobiográficos, misturando-se de forma eficaz com o satanismo de Anton LaVey (Fundador da Igreja de Satã, um movimento/corrente filosófica com o objetivo de combater as religiões cristãs, em cujo qual Manson foi nomeado pelo próprio LaVey como ministro), críticas sociais, ocultismo, Alquimia, Cabala, política, cultura pop e uma dose cavalar de sarcasmo. A base para a estrutura da obra parte da autobiografia de Manson que viria a ser lançada em 1998 com o título de Long Hard Road Out of Hell. Ao encarnar a personagem do Anticristo, Manson dividiu a narrativa em três ciclos no disco representando fases de desenvolvimento do protagonista: “O Hierofante”, “A Inauguração do Verme” e “A Ascensão do Desagregador” progressivamente nessa ordem.

Ao avançar na cronologia do disco, é possível perceber a genialidade de Manson ao se relacionar de maneira consciente à filosofia de Friedrich Nietzsche e o seu conceito do “Além Homem” explorado na sua obra Assim Falou Zaratustra e na estrutura de ciclos contínuos do disco, partindo então para a teoria do Eterno Retorno explorada em A Gaia Ciência. Não é uma mera analogia, mas de fato um mecanismo de funcionamento do Além Homem na figura do Anticristo buscando transcender o estado de alienação que a religião cristã e seus supostos valores injetam na mente do homem. A própria figura e visual, extremamente andróginos, e provocadores de Manson em palco refletiam a junção dos sexos em referência ao andrógino alquímico, um estado de transcendência do homem onde masculino e feminino se tornam uma criatura só superior à toda a personalidade rasa que nosso estado humano possui.

Essa complexidade também entra na dualidade Cabalística do bem e do mal, expressos pela máxima de que no mundo todas as coisas possuem um lado bom e um lado ruim, vindos como resultado da própria personalidade divina da tradição que emana uma força maligna em contrapartida. A dualidade acabou por ser um termo constantemente presente na obra posterior de Manson. Um estudo mais aprimorado pode levar horas ou dias, senão toda uma vida para encontrar as infinitas mensagens presentes na espinha dorsal do álbum. Nem mesmo o guitarrista estreante da banda, Zim Zum, passou ileso à influência ocultista de Manson, sendo Zim Zum um termo que denota a ausência de deus (Nietzsche mais uma vez). O Anticristo em questão seria justamente uma ironia reflexa dos valores da cultura americana, trazendo à tona que essa figura tão temida não é nada mais além do que a própria natureza do homem e seu estado racional e funcional entrando no conceito de Übermensch, assim como uma forma de mostrar: “Cá estou eu, produto da soma dos seus erros encarnado em tudo que vocês mais reprimem e condenam, vejam o quão disfuncional socialmente vocês me fizeram”.

Para entender ainda melhor como de fato funcionam as engrenagens de Antichrist Svperstar, é preciso analisar como se dá o desenvolvimento do seu conteúdo. Ao iniciar o disco e seu primeiro ciclo ( “O Hierofante”, numa alusão ocultista em referência à carta do Sumo Sacerdote do Tarô, que não por acaso é a quinta carta dos arcanos maiores em referência ao nascimento de Manson, 05/01/1969) com Irresponsible Hate Anthem, ouvimos gritos ensandecidos de louvor a um Manson ensandecido no palco, que destila farpas a respeito da cultura de massas norte americana e sua hipocrisia na figura do Rock Star, que por ironia do destino é um tiro pela culatra da marginalização cultural que os Estados Unidos tanto fizeram à população negra, que acabou criando do rock n’ roll tão odiado pelas mães e pais de família, um dos símbolos máximos da cultura do país que é o próprio Rock Star.

“Todo mundo é o negão de alguém
Eu sei que você é e eu também
Eu não nasci com dedos do meio o suficiente
E eu não preciso escolher um lado”

Na sequência, The Beautiful People continua a mostrar a língua afiada de Manson quando questiona o que de fato é padrão de beleza dentro da sociedade na qual cresceu, e como deixa claro em seu livro, não o recebeu de braços abertos em seu período estudantil.

“As pessoas bonitas, as pessoas bonitas
É tudo relativo ao tamanho da torre da sua igreja
Você não consegue enxergar a floresta pelas árvores
E você não consegue sentir o cheiro da sua própria merda em seus joelhos”

Ao afirmar:

“Os vermes vivem em todo hospedeiro
É difícil escolher qual eles comem mais”
,

vale notar uma clara alusão à maturação da figura do Verme, que seria a primeira fase da vida do Anticristo final. Em Dried Up, Tied and Dead to the World, vemos uma incisão mais profunda no cerne da história. Aqui o Verme se encontra ainda preso à aquele paradigma que vive, em uma relação de passividade para com o mundo, oprimido como se vivesse na tutela de uma superproteção paterna/materna. A última parte do primeiro ciclo vem com Tourniquet e sua atmosfera sombria de declamação por uma mudança de fase. No clipe da música Manson se encontra cercado por vermes, representações humanoides de criaturas em construção, e se fechando em um casulo no qual a personalidade do verme amadurece e ganha suas asas. Termina assim a primeira fase de sua vida.

“Síntese protética com borboleta
Selada com costuras de virgem
Se machuca, querida, por favor me diga
Preserve a inocência
Eu nunca quis acabar assim
Mas as moscas vão botar seus ovos

Jogue seu ódio em mim
Faça da minha cabeça sua vítima
Você nunca acreditou em mim
Eu sou seu torniquete”

Little Horn abre o segundo ciclo (A Inauguração do Verme) em uma letra profética à besta do apocalipse que se levanta dos mares e desce como um soco na face do mundo até então vigente, como sugere na alusão ao Abismo que encara de volta àquele que o fita por muito tempo, recorrendo a Nietzsche mais uma vez. Cryptorchid funciona como um interlúdio onírico. A criptorquidia é uma condição na qual um dos testículos não desce da cavidade abdominal para o saco escrotal. Manson possivelmente pode ter se referido a isso como um estado de reprodução imaculada do verme uma vez que essa condição clínica aumenta os riscos de esterilidade.

O clipe da música inclusive reforça o quão Antichrist Svperstar é uma obra multiplataforma ao se basear no filme surrealista Begotten de 1991, dirigido por E. Elias Merhige que, inclusive, é responsável tanto pelo clipe da música quanto a da faixa título do álbum. Tanto o disco quanto o filme de Merhige tem o mesmo tempo de duração, e se sincronizados se complementam como no efeito The Dark Side of the Rainbow (Em referência à sincronia também perfeita do álbum The Dark Side of the Moon do Pink Floyd e o filme O Mágico de Oz), o que faz sentido pelas interpretações mais comuns da obra cinematográfica, que trata de temas como o suicídio de deus e um ser representante dos instintos do homem e sua ligação com o mundo pela natureza, que ao trazer mudanças é saqueado, torturado e crucificado por monstros em uma alegoria à humanidade e o quão corrosiva se tornou ao mundo. Tal fato só serve para fortificar a grandiosidade de Antichrist Svperstar.

“Pique seus dedos e está feito
A lua agora entrou em eclipse com o sol
O anjo abriu suas asas
A hora chegou para coisas amargas”

Deformography, Wormboy e Mister Superstar formam uma santíssima trindade da saga do rock star em sua trajetória de decadência adolescente pelo sonho americano encarnado no sucesso midiático e na idolatria doentia impulsionada pela indústria do capitalismo.

“Hey, Sr. super ódio, eu só quero te amar
Hey, Sr. super foda, eu quero te chupar
Hey, Sr. super Deus, você vai atender minhas preces?
Hey, Sr. super homem, eu quero ser sua garotinha”

Angel With the Scabbed Wings indica em sua atmosfera furiosa a frustração do ícone alienado e sugado por todos, em uma espiral entorpecida.

“Ele é o anjo com as asas feridas
Altamente drogado ele quer o pó em seu nariz
Ele vai destruir a mais nova colheita
Secar todos os ventres com seus desgostos do rock n´ roll
Desgostos do rock n´ roll
Morto é o que ele está
Ele faz o que bem entende
As coisas que ele tem, você nunca vai querer ver
O que você nunca vai ser agora
Desenhe uma pequena fechadura para as pessoas no espelho
Você só quer vê-lo
Você não quer ser ele
Mamãe tem um espantalho para deixar o milho crescer
O homem nem sempre pode colher o que plantou”

É nesse ponto em que há uma reviravolta na trama e o protagonista começa a se rebelar contra esse resultado doentio das repressões e marginalizações que os valores sociais imprimem naqueles que não se adéquam ao seu grupo. Kinderfeld, que do alemão indica um local referente à infância, surge para fechar o parêntese do segundo ciclo e quebra a progressão do enredo e nos leva à infância de Manson. Talvez a música mais autobiográfica do disco, menciona diretamente um episódio pelo olhar de três personagens uma referente ao jovem Manson, outra chamada Jack que seria o avô e por fim uma voz misteriosa que surge para trazer de volta ao ponto de mudança do final do ciclo.

“[A inauguração do verme]

(Então eu consegui minhas asas e nem sabia
Quando eu era um verme, pensei que não conseguiria)

Uma voz que ainda não escutamos: ”Porque hoje está escuro
Porque hoje não há volta
Porque hoje suas mentiras me regaram
Me tornei a mais forte era daninha” erva daninha...

Através dos olhos de Jack: O gosto do metal, desagregador
Três furos sob o cinto de couro
Está cortado e inchado
E a idade está mostrando
Menino: ”Não há ninguém aqui para te salvar”

O desagregador (para ele mesmo): ”Isso é o que você deveria temer
Você é o que você deveria temer”

No episódio verídico, Manson que até então atendia por Brian Warner, descobriu seu avô em um ato de masturbação no porão da casa enquanto olhava fotografias de bestialidades. A referência ao trem se dá no fato do seu avô ligar trens de brinquedos elétricos para cobrir o barulho que fazia ao se masturbar. Talvez seja um momento que representa a quebra de inocência confrontada com a natureza animalesca do ser humano. O segundo ciclo se fecha e o a ultima mutação se aproxima.

O terceiro e último ciclo (A Ascensão do Desagregador) se inicia no coro da faixa título do disco. Aqui a persona do Anticristo já se apoderou do ser em desenvolvimento. Nessa faixa ele clama como um grito de autoafirmação todas as mudanças e destruições que trará para o mundo. Na faixa seguinte, 1996, Ele se debruça sobre a sociedade e suas distorções de realidade doentias como o fascínio por armas e a cultura de segregação com uma violência sobre-humana como um Zaratustra que desce da montanha após um período de autoaprimoramento.

“Anti dinheiro e anti ódio
Anti coisas que eu fodi e comi
Anti polícia e anti diversão
Aqui está o anti arma do presidente
Anti satã e anti negro
Anti mundo que está nas minhas costas
Anti gay e anti drogas
Eu sou um viado anti papa

Não posso acreditar nas coisas que não acreditam em mim
Agora é sua vez de ver o que eles odeiam em mim

Anti pessoas agora você foi longe demais
(Aqui está o nosso) anticristo superstar!”

Minute of Decay aproxima tudo do fim em mais um momento reflexivo referente aos pensamentos de desilusão, depressão, apatia e toda a sorte de mazelas psicológica que a sociedade enlouquecida em que nos vivemos trás. O anticristo se cansou de tentar mudar a humanidade uma vez que essa não se dispõe. Então o Anticristo se volta contra tudo em um niilismo latente na faixa The Reflecting God, desprezando o mundo, a ideia de deus e as ilusões de autopenitencia eterna.

“Seu mundo é um cinzeiro
Queimamos e rolamos como cigarros
Quanto mais você chora, suas cinzas viram lama
A natureza dos sangessugas, as virgens sentem-se enganadas
Você só passou um segundo da sua vida

Meu mundo não é afetado, há uma saída aqui
Eu digo, então é verdade
Há um sonho dentro de um sonho
Eu fico mais acordado quanto mais eu durmo
Você vai entender quando eu estiver morto”

O Anticristo destrona Deus. Enche os pulmões de ar e antecedido por trombetas celestiais traz o Livro das Revelações de João, ou, o Apocalipse em si. Um último grito de fúria na força da voz de Manson como se mil facas estivessem em sua garganta e tudo é lançado pelos ares.

“Eu fui até Deus só para ver e eu estava olhando para mim
Vi que o céu e o inferno eram mentiras
Quando sou Deus todos morrem

Cicatriz, você consegue sentir meu poder?
Atire aqui e o mundo fica menor
Cicatriz, você consegue sentir meu poder?
Um tiro e o mundo fica menor”

Man That You Fear surge para encerrar a obra com uma melancolia marcante onde Manson na pele do Anticristo trouxe as mudanças ao mundo, feriu o cristianismo e a humanidade. Com um olhar pessimista quanto ao que está em volta, ele vê que a humanidade continua a desprezá-lo e essa é sua sina em um caminho de flagelação pública, o que mais tarde se confirmou na realidade com o massacre de Columbine em 1999 onde Marilyn Manson foi usado como um bode expiatório para todos os problemas que o tratamento doentio dos EUA causou aos seus jovens. Após a conclusão do terceiro ciclo a faixa oculta, Track 99 nos leva de volta ao início do disco mais uma vez atuando nos conceitos de Nietzsche do Eterno Retorno onde o filosofo alemão diz que a humanidade está condenada a repetir pela eternidade um conjunto de situações como revoluções, guerras e crises. Talvez uma ironia amarga da realidade com a própria ironia do disco.

A conclusão final é de que Antichrist Svperstar é uma obra extremamente complexa e incisiva que permanece atual até hoje no contexto em que vivemos, no bullying constante, o fascínio por violência e o fanatismo religioso, assim como os dois trabalhos posteriores que formam a famosa “Triptych”  (Antichrist Svperstar em 1996, Mechanical animals de 1998 e Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death) de 2000). Uma obra que instiga, muda, expõe, transforma e mesmo 20 anos decorridos do seu lançamento aparenta ter acabado de se levantar furiosamente dos mares como uma besta apocalíptica prestes a dar um soco doloroso no estômago da sociedade, e outro no cérebro de quem se dispõe a iniciar a jornada com um cortante grito que pede a todas as crianças prestes a mudar suas concepções que cantem:

“Nós odiamos amar, nós amamos odiar!”.

Artigos relacionados ao Antichrist Svperstar no Nachtkabarett:

A Terceira e Última Besta

O Verme e o Dragão Vermelho

O Baphomet

A Maçã da Sodoma

Igreja do Anticristo Superstar

O Símbolo Shock

Antichrist Svperstar

Zim Zum


Ciclo I – O Hierofante
1. Irresponsible Hate Anthem
2. The Beautiful People
3. Dried Up, Tied and Dead to the World
4. Tourniquet
Ciclo II - A Inauguração do Verme
5. Little Horn
6. Cryptorchid
7. Deformography
8. Wormboy
9. Mister Superstar
10. Angel with the Scabbed Wings
11. Kinderfeld
Ciclo III - A Ascensão do Desagregador
12. Antichrist Superstar
13. 1996
14. Minute of Decay
15. The Reflecting God
16. Man That You Fear
99. Track 99

Em memória de Nick Kushner, que dedicou sua vida à arte e ao estudo minucioso da obra de Manson com uma inteligência sobre-humana e uma paixão evidente pelo que fazia. Sem Nick não seria possível ter o nível de compreensão e amor pela obra de Marilyn Manson que ele me possibilitou. Obrigado Nick, descanse em paz.

Manson é capa da edição de aniversário da revista britânica Dazed and Confused. Confira a entrevista completa, onde ele fala, entre outros assuntos, a sonoridade do novo álbum, SAY10, e o que pretende fazer nos 20 anos do lançamento do Antichrist Svperstar!

 

Marilyn Manson teve uma semana complicada. Ele está em turnê divulgando seu disco The Pale Emperor, lançado em 2015, com o Slipknot e até agora as resenhas tem sido divididas. Artigos online questionam sua sanidade e comportamento, citando discursos longos entre as músicas, tropeções fora do palco, catarradas, resmungos e cancelamentos. Hoje, ele tocou uma música que geralmente não está nos setlists, Coma White, que dedicou às lágrimas à sua gata, Lily White, que faleceu. Os fãs irão reconhecer a Lily dos vários quadros que Manson pintou dela, e as sessões de fotos dos dois. Ele descrevia Lily, que saía em turnê com ele, como sua amiga mais próxima.

 São quase 30 anos desde que Manson formou sua banda, e a julgar pelas reações violentas que seu comportamento anormal estão causado causando neste ano, muita coisa não mudou desde 1989. Por que, então, o público em seus shows ainda fica surpreso? Ao telefone, Manson é o cavalheiro lúcido e articulado que o mundo conheceu em uma entrevista com Michael Moore para o filme Tiros em Columbine, de 2002. Ele claramente está devastado pela perda, mas sabe que a persona que criou para si mesmo não permite muito espaço para tristezas pessoais. Ele não fica surpreso que os fãs não lhe darão um momento de paz, apenas porque eles se importam muito, após todos estes anos. Um homem na plateia do show de hoje em Detroit quis começar a brigar com ele. "Levei um soco na cara, mas não pude revidar porque tenho prioridades," Manson diz cinicamente. "Mas isso não é relevante à nossa história. Você pode dizer que meu rosto dói pra cacete." Ainda assim, ele descreve a noite como "a melhor até agora dessa turnê. Não fui preso, coisa que aconteceu da última vez que estive aqui (em 2001), isso é bom. Foi aqui que fui preso por assediar um segurança de um jeito sexual - mas eu fui exonerado. Então desta vez tive de me comportar."

Esse dito, "se comportar", não é algo que Marilyn Manson aka Brian Warner de 47 anos concorde. O homem que começou Marilyn Manson & the Spooky Kids em 1989 não tem deixado o fato de que agora o mundo da moda o ache encantador - ele recentemente estrelou uma campanha de Marc Jacobs, enquanto toda marca de moda e criadores de merch para popstars, de Demna Gvasalia da Vetements, até Virgil Abloh e a equipe por trás das turnês de Rihanna e Zayn Malik tem trazido de volta o design da camiseta de manga comprida que Manson popularizou nos anos 1990 - desarmá-lo. Que o set milenar ultra-positivo de repente ficou interessado no look que, quando Manson criou, era metal demais para os góticos, punk demais para os metalheads e novo demais para os punks, formando sua própria geração incompreendida da MTV, não parece registrar. Durante essa sessão de fotos em Nova Iorque com o amigo Terry Richardson, Manson descreveu o conceito estilístico como fora de sua especialidade, mesmo que estivesse baseada na obsessão atual com sua própria imagem. "Em questão de moda, eu não sabia muito bem aonde eu estava indo," ele explica. "Ninguém tinha me dito que era tipo uma retrospectiva dos club kids, que agora voltou à moda de um jeito diferente. Eu usei coisas que não imaginaria usar, mas o Terry é bem persuasivo comigo."

A indiferença declarada de Manson pelo atual zeitgeist cultural e conhecimento expert simultâneo disso é apto de um frontman cujo as mensagens contra tabloides sempre tiveram um viés filosófico. "We're all stars now in the dope show" é tão verdadeiro agora quanto em 1998, e ainda assim o cantor consome cultura pop ao ponto de inserir a si mesmo nela com participações em TV e selfies com celebridades que faria os fãs mais assíduos sentirem-se constrangidos. Ao contrário do Slipknot e bandas semelhantes, Manson não teme um pouco de glamour. A letra pelo qual ele é mais conhecido soa, em 2016, mais Warholiana e Machiavelliana: apesar de tudo, seu nome artístico é um comentário sobre a celebridade descentrada, uma mistura da atriz Marilyn Monroe, que teve, tragicamente, uma superexposição e o maníaco obcecado pela indústria da música Charles Manson e sua música é, claro, apenas parte da equação: para alguns, ele é uma ameaça à igreja, para outros, um bode expiatório para a violência adolescente, mas para a maioria de nós, ele é um desajustado entre os desajustados, comercial demais para ser verdadeiramente cool. Agora que a poeira da afronta inicial aos pais que o Manson era baixou, o músico glam rock Marilyn Manson entrou em foco. As músicas soam até cativantes.

Manson claramente não é seu roqueiro alternativo medíocre. Ao invés disso, assim como Bowie com seu constante questionamento sobre celebridades, Manson tornou-se o rockstar típico. Sua reivindicação de ser "Maior que Satã" (recentemente colocada em uma camiseta do Justin Bieber) virou verdade e agora, para a nossa sorte, ele também tem opiniões fortes. Para um fanboy da Flórida com uma tirada cínica sobre a fama que faz música que é melhor ouvida no talo na noite de bondage de uma boate de strip, ele é desconfortavelmente sólido. Seus primeiros trabalhos estão cimentados na tela como parte da era de ouro dos videoclipes, e neste outono, ele irá lançar uma gravação que estava engavetada para promover a edição de aniversário de 20 anos de seu álbum mais celebrado, Antichrist Svperstar. Para provar que ele ainda é o mesmo garoto irreverente que lançou um álbum bastante influente duas décadas atrás, Manson também está prometendo um novo disco, SAY10, para 2017 que mantém em mente o que o fez formar uma banda em primeiro lugar: fazer as moças gostarem dele.

Você sente que era, ou é, um club kid?

Me encontrei em Nova Iorque em por volta de 1992 indo na Limelight do Michael Alig no auge dos Club Kids (grupo de clubbers undergrounds dos anos 1990). E foi uma época legal pra caralho. Michael Musto, Pat Fields - pessoas que fariam parte da estrutura da minha própria existência. Tudo isso me levou a Leigh Bowery, que me levou a Salvador Dali e ao dadaísmo, Andy Warhol, satanismo e Schiaparelli, sabe, vários cadarços nos sapatos da moda. Eu acho, olhando pra trás, que eu era provavelmente mais um fã dos Club Kids do que criador. Foi uma época interessante e estranha, e muito importante, eu suponho, na história de tudo. Na moda e na minha vida. Eu tinha pouco dinheiro quando morava na Flórida, então eu roubava maquiagem das lojinhas. Eu tinha essa estranha habilidade de encontrar o melhor e o pior nos lugares, tipo o Exército de Salvação. Enquanto isso, em Nova Iorque, isso tudo tava acontecendo e eu não tinha noção. Quando cheguei lá, parte de mim sentiu-se acolhida e a outra parte estava pasma. Mas a parte sobre o mundo da moda que eu gostei foram todas as diferentes pessoas. Trabalhei com Vivienne Westwood, Hedi Slimane, Marc Jacobs, Jean Paul Gaultier, Galliano... Tudo isso soa como se eu fosse o Patrick Bateman em Psicopata Americano enquanto eu falo, mas é legal para mim ser um fantoche para os designers de moda ou fotógrafos. Não é sempre que gosto de estar à frente de tudo. Às vezes eu gosto que as pessoas me usem como uma paleta. Eu sempre disse, desde o começo, que meus ídolos eram Madonna, Prince e Bowie, então (faz sentido que) eu goste de colaborar com gênios. Me faz sentir parte de um panorama geral. Sou muito criticado pelos meus amigos mais próximos - eles dizem para eu parar de arruinar tudo, porque me forço em todo show, filme ou revista que eu ame muito.

Essa é a melhor parte de ser o Marilyn Manson?

Não no sentido de que minha fama é parte disso - eu realmente odeio quando as pessoas referem-se a mim como celebridade, porque todo mundo pode ser uma celebridade agora. É exatamente a definição do nome Marilyn Manson, então não é novidade - qualquer um pode ser famoso em qualquer momento por morrer ou estar em um obituário ou matando alguém e aparecendo na capa. Então eu odeio esse termo. Foi um ano difícil para mim, vários amigos e familiares se foram. É horrível, mas coloca um fardo em mim. Tenho essa obrigação de ser um rockstar. É irritante, porque eu tenho que ter certeza de viver o sonho enquanto está acontecendo, porque ás vezes há muita coisa acontecendo, boas e ruins, e como ser humano, eu tenho mais do que uma dimensão. Mas tenho sorte que pessoas ainda ficam encantadas com o meu humor infantil, porque nunca senti que tinha uma aparência extremamente normal e bonita. Eu só deixo meu senso de humor e a minha total falta de respeito pelas regras me definirem.

Você já teve a sensação de querer quebrar uma regra e não conseguir?

Só na parte legal. Por exemplo, hoje à noite disseram que eu não poderia quebrar uma garrafa no palco e me cortar, então eu os fiz quebrar e dar pra mim. Me recusei a continuar o show até eles fazerem isso. Não falei com o público sobre. Aliás, eu não sou alguém que goste de se auto-mutilar no sentido Emily Dickinson-Sylvia Plath, mas eu tenho sede de sangue. Me deixa cheio de fúria e excitação, por qualquer razão que seja. Então sim, hoje foi difícil, mas eu quebrei a regra, e fiz isso de um jeito inteligente. Eles trouxeram o vidro quebrado até o palco e eu sangrei. Brechas...

Você pensa sobre o que o seu eu mais novo pensaria de você agora?

É uma pergunta complicada de fazer a alguém que é borderline esquizofrênico com múltiplas personalidades. Acho que eu virei tudo que pensei que seria na minha cabeça em diferentes estágios da minha vida. E em alguns pontos eu fui tudo o que não queria ser, mas eu nunca antecipei que elas existiam, então eu não sabia que queria ser elas, se é que isso faz sentido. E uma versão mais nova de mim poderia ser ontem ou há 20 anos. Fiz um disco novo que não contei a ninguém que estava fazendo, não falei para a gravadora e então eu disse, "Surpresa, aqui está." Essa é a minha versão geniosa que eu sempre fui. Quando eu era criança, eu usava fantasias de Halloween na época errada do ano. Eu desconsiderava todas as datas comemorativas, e ainda faço isso. Então eu sempre ignorei calendários, tempo, relógios.

Quando foi a última vez que você chorou?

Hoje, no palco. Toquei Coma White e dediquei à minha gata, Lily White. Eu fiquei de costas para o público.

Você pretende votar nas eleições presidenciais?

Não. Eu votei na última. Essa eu vou ficar de fora. Não tenho muito uma opinião. Eu poderia ter várias opiniões, mas escolhi ficar de fora desta vez.

Qual foi a última coisa que te chocou?

Eu conheço muita gente todos os dias por causa das tardes de autógrafos. Eu fico chocado com cada pessoa que eu conheço. Ninguém me esfaqueou, me deu um tiro ou algo assim, mas eu sempre fico chocado como as pessoas são afetadas pelas coisas que eu fiz e o quanto isso significa para elas. Isso nunca me desgastou ou me deixou exausto, só me deixa surpreso, eu acho, em como a única forma que eu me conecto com as pessoas em uma distância é através da arte, acho que é por causa da minha timidez.

Fale um ótimo presente que você recebeu.

Acho que tenho de falar, porque isso irá acentuar o nome do meu melhor amigo, mas o Johnny Depp me deu um anel do Hollywood Vampires (banda do Depp com o Joe Perry e Alice Cooper) de um modo romântico. Bem, não num modo romântico, mas foi romântico que ele tenha dado para mim.

Você tem algum tipo de mulher?

As legais. Eu tenho evitado isso - sem intenção - no passado. Não citarei nomes e nem dizer que elas eram ruins, mas acho que me descrevi como um ímã para mulheres problemáticas. É difícil ter esse papel quando eu sou uma pessoa irracionalmente difícil de lidar. Sou tipo um gato selvagem. Eu pego querendo achar uma mulher realmente legal e que entenda o Brian e o Marilyn Manson. É a pessoa e a persona. É tudo. Então, alguém que seja legal e gentil o suficiente para lidar com isso. Não tenho certeza se elas fazem esse tipo de pessoa. Eu te falo se eu descobrir.

Qual sua parte favorita da Bíblia?

O Apocalipse.

Você quer pedir desculpas a alguém?

Eu tento acabar com os problemas e não criar novos. E eu tento me desculpar como um cavalheiro, embora eu seja um canalha, um vilão e tudo o que as pessoas queiram me chamar. Sinto uma responsabilidade de sempre reparar os erros, me acertei com inimigos do passado e fiquei em paz com eles. Tenho ficha limpa agora.

Quem você gostaria que fizesse seu papel em um filme sobre a sua vida?

Se fosse uma comédia fora da Broadway, o The Rock. Ou a Faye Dunaway.

Qual é o primeiro encontro perfeito com o Marilyn Manson?

Eu não gosto de ter qualquer tipo de conversa ou momentos íntimos diante de estranhos em ambiente público, então eu diria na minha casa. E é conveniente caso o encontro não seja bom e eu tenha de matar a pessoa. Não teria evidências ou testemunhas. Eu tenho um incinerador em meu quintal.

É conveinente também caso o encontro seja bom.

Eu não seria tão fácil assim.

Quando foi a primeira vez que você se sentiu famoso?

Acho que quando o John Waters me ligou e me perguntou sobre fazer um filme, e eu sou muito fã dele. Foi um estranho efeito cascata conectado ao Johnny (Depp) e o filme Cry Baby. Eu acabei não fazendo o filme. Mas isso fez com que eu me sentisse, não diria famoso, mas feliz que alguém que eu tenha como ídolo tenha me ligado.

Qual a sonoridade do SAY10?

(O produtor) Tyler Bates e eu gravamos ele nos últimos três meses, pouco antes dessa turnê começar. Eu diria que é a última coisa que as pessoas esperariam ouvir após o The Pale Emperor e é também, vindo das pessoas que ouviram, uma combinação, no sentimento, entre o Antichrist Svperstar e Mechanical Animals. Eu geralmente levo mais em conta a opinião das mulheres à dos caras porque normalmente você faz músicas para que elas gostem de você. É por isso que você começa uma banda de rock. É inspirado por tudo aquilo que você faz para as garotas gostarem de você. Toda aquela paixão e pompa melódica tipo o Bowie, mas também o desrespeito pelas regras tipo o Ministry e todas as bandas que moldaram o primeiro disco que gravei. Não era minha intenção voltar para trás. Tudo anda em círculo e vira, sem canabalizar os trabalhos do passado, a mesma coisa, que é basicamente você. Estou um pouco ansioso demais para lançá-lo, então foi gravado rapidamente, mas é de longe a coisa mais complicada e temática que fiz na vida. De alguma forma, é ilusoriamente prazeroso a estranhos. É tipo aquele velho ditado de que o maior segredo do diabo é que as pessoas não acreditam que ele exista.

Quando sai?

Eu decidi pelo dia 14 de Fevereiro. Não estou muito certo de que obsessão é essa que tenho com o Valentine's Day porque eu nunca aproveitei de verdade essa data, mas por algum motivo sempre fez parte da essência da minha expressão artística. Algum dia eu descubro.

Esse ano marca o vigésimo aniversário do Antichrist Svperstar.

Sim, vamos lançar um box no dia 20 de Outubro, e tem um vídeo lendário que eu tive que guardar num cofre por 15 anos, por razões que serão reveladas quando vocês assistirem. Eu pensei inocentemente que seria aceitável usá-lo como um bônus do Dead to the World, mas aí meu empresário e o departamento legal me avisaram do contrário. Mas agora será visto por todos. Não direi mais nada, só que capturou um momento, após eu ter acabado de me mudar para Los Angeles. Eu estava morando com o Twiggy e tinha acabado de sair de uma turnê onde recebia ameaças de morte todos os dias. É um retrato interessante do que estava acontecendo na época, mas estranhamente não me parece diferente de como sou agora, exceto que estou usando um chapéu de caubói. É isso.

 
Manson falou com a Rolling Stone e deu suas opiniões sobre os candidatos a presidência dos Estados Unidos. Manson diz que não irá votar em Donald Trump ou Hillary Clinton em Novembro e explica os motivos.
 
"Não gosto de nenhum candidato, então preferi ficar de fora desta vez. E não acho que seja uma atitude covarde. Muitas pessoas talvez digam isso, mas eu só não quero fazer parte dessa parte da história do país. Da última vez eu quis estar envolvido nessa parte da história como eleitor."
 
Ele também falou sobre Donald Trump:
 
"Você está me perguntando o que eu acho do Trump, e é difícil porque se você voltar e olhar os antigos presidentes e você não tinha idade o suficiente para saber como eles viviam suas vidas e não viveu em uma era saturada de mídia e televisão com um monte de opiniões pelos lugares, o mundo parece ser mais caótico do que deveria. Mas quando você simplifica isso, não é mais caótico, tudo se resume a duas coisas: Quem tem mais carisma e quem eles atingem. E não sinto isso por nenhum dos dois."
 
Manson já havia sido questionado outras vezes sobre eleições. Em 2000, quando George W. Bush concorreu pela primeira vez, ele disse que não vota por que não acredita que seja um sistema legítimo e que prefere inserir suas crenças na música porque isso atinge a juventude e elas são o futuro.
 
Em 2008, Manson votou pela primeira vez, e foi em Barack Obama. Em 2012, repetiu o voto, mesmo não acreditando "na autenticidade do sistema de dois partidos" e que "a política neste país é tudo o que acontece por trás da cortina de Oz."
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