Manson é capa da edição de aniversário da revista britânica Dazed and Confused. Confira a entrevista completa, onde ele fala, entre outros assuntos, a sonoridade do novo álbum, SAY10, e o que pretende fazer nos 20 anos do lançamento do Antichrist Svperstar!

 

Marilyn Manson teve uma semana complicada. Ele está em turnê divulgando seu disco The Pale Emperor, lançado em 2015, com o Slipknot e até agora as resenhas tem sido divididas. Artigos online questionam sua sanidade e comportamento, citando discursos longos entre as músicas, tropeções fora do palco, catarradas, resmungos e cancelamentos. Hoje, ele tocou uma música que geralmente não está nos setlists, Coma White, que dedicou às lágrimas à sua gata, Lily White, que faleceu. Os fãs irão reconhecer a Lily dos vários quadros que Manson pintou dela, e as sessões de fotos dos dois. Ele descrevia Lily, que saía em turnê com ele, como sua amiga mais próxima.

 São quase 30 anos desde que Manson formou sua banda, e a julgar pelas reações violentas que seu comportamento anormal estão causado causando neste ano, muita coisa não mudou desde 1989. Por que, então, o público em seus shows ainda fica surpreso? Ao telefone, Manson é o cavalheiro lúcido e articulado que o mundo conheceu em uma entrevista com Michael Moore para o filme Tiros em Columbine, de 2002. Ele claramente está devastado pela perda, mas sabe que a persona que criou para si mesmo não permite muito espaço para tristezas pessoais. Ele não fica surpreso que os fãs não lhe darão um momento de paz, apenas porque eles se importam muito, após todos estes anos. Um homem na plateia do show de hoje em Detroit quis começar a brigar com ele. "Levei um soco na cara, mas não pude revidar porque tenho prioridades," Manson diz cinicamente. "Mas isso não é relevante à nossa história. Você pode dizer que meu rosto dói pra cacete." Ainda assim, ele descreve a noite como "a melhor até agora dessa turnê. Não fui preso, coisa que aconteceu da última vez que estive aqui (em 2001), isso é bom. Foi aqui que fui preso por assediar um segurança de um jeito sexual - mas eu fui exonerado. Então desta vez tive de me comportar."

Esse dito, "se comportar", não é algo que Marilyn Manson aka Brian Warner de 47 anos concorde. O homem que começou Marilyn Manson & the Spooky Kids em 1989 não tem deixado o fato de que agora o mundo da moda o ache encantador - ele recentemente estrelou uma campanha de Marc Jacobs, enquanto toda marca de moda e criadores de merch para popstars, de Demna Gvasalia da Vetements, até Virgil Abloh e a equipe por trás das turnês de Rihanna e Zayn Malik tem trazido de volta o design da camiseta de manga comprida que Manson popularizou nos anos 1990 - desarmá-lo. Que o set milenar ultra-positivo de repente ficou interessado no look que, quando Manson criou, era metal demais para os góticos, punk demais para os metalheads e novo demais para os punks, formando sua própria geração incompreendida da MTV, não parece registrar. Durante essa sessão de fotos em Nova Iorque com o amigo Terry Richardson, Manson descreveu o conceito estilístico como fora de sua especialidade, mesmo que estivesse baseada na obsessão atual com sua própria imagem. "Em questão de moda, eu não sabia muito bem aonde eu estava indo," ele explica. "Ninguém tinha me dito que era tipo uma retrospectiva dos club kids, que agora voltou à moda de um jeito diferente. Eu usei coisas que não imaginaria usar, mas o Terry é bem persuasivo comigo."

A indiferença declarada de Manson pelo atual zeitgeist cultural e conhecimento expert simultâneo disso é apto de um frontman cujo as mensagens contra tabloides sempre tiveram um viés filosófico. "We're all stars now in the dope show" é tão verdadeiro agora quanto em 1998, e ainda assim o cantor consome cultura pop ao ponto de inserir a si mesmo nela com participações em TV e selfies com celebridades que faria os fãs mais assíduos sentirem-se constrangidos. Ao contrário do Slipknot e bandas semelhantes, Manson não teme um pouco de glamour. A letra pelo qual ele é mais conhecido soa, em 2016, mais Warholiana e Machiavelliana: apesar de tudo, seu nome artístico é um comentário sobre a celebridade descentrada, uma mistura da atriz Marilyn Monroe, que teve, tragicamente, uma superexposição e o maníaco obcecado pela indústria da música Charles Manson e sua música é, claro, apenas parte da equação: para alguns, ele é uma ameaça à igreja, para outros, um bode expiatório para a violência adolescente, mas para a maioria de nós, ele é um desajustado entre os desajustados, comercial demais para ser verdadeiramente cool. Agora que a poeira da afronta inicial aos pais que o Manson era baixou, o músico glam rock Marilyn Manson entrou em foco. As músicas soam até cativantes.

Manson claramente não é seu roqueiro alternativo medíocre. Ao invés disso, assim como Bowie com seu constante questionamento sobre celebridades, Manson tornou-se o rockstar típico. Sua reivindicação de ser "Maior que Satã" (recentemente colocada em uma camiseta do Justin Bieber) virou verdade e agora, para a nossa sorte, ele também tem opiniões fortes. Para um fanboy da Flórida com uma tirada cínica sobre a fama que faz música que é melhor ouvida no talo na noite de bondage de uma boate de strip, ele é desconfortavelmente sólido. Seus primeiros trabalhos estão cimentados na tela como parte da era de ouro dos videoclipes, e neste outono, ele irá lançar uma gravação que estava engavetada para promover a edição de aniversário de 20 anos de seu álbum mais celebrado, Antichrist Svperstar. Para provar que ele ainda é o mesmo garoto irreverente que lançou um álbum bastante influente duas décadas atrás, Manson também está prometendo um novo disco, SAY10, para 2017 que mantém em mente o que o fez formar uma banda em primeiro lugar: fazer as moças gostarem dele.

Você sente que era, ou é, um club kid?

Me encontrei em Nova Iorque em por volta de 1992 indo na Limelight do Michael Alig no auge dos Club Kids (grupo de clubbers undergrounds dos anos 1990). E foi uma época legal pra caralho. Michael Musto, Pat Fields - pessoas que fariam parte da estrutura da minha própria existência. Tudo isso me levou a Leigh Bowery, que me levou a Salvador Dali e ao dadaísmo, Andy Warhol, satanismo e Schiaparelli, sabe, vários cadarços nos sapatos da moda. Eu acho, olhando pra trás, que eu era provavelmente mais um fã dos Club Kids do que criador. Foi uma época interessante e estranha, e muito importante, eu suponho, na história de tudo. Na moda e na minha vida. Eu tinha pouco dinheiro quando morava na Flórida, então eu roubava maquiagem das lojinhas. Eu tinha essa estranha habilidade de encontrar o melhor e o pior nos lugares, tipo o Exército de Salvação. Enquanto isso, em Nova Iorque, isso tudo tava acontecendo e eu não tinha noção. Quando cheguei lá, parte de mim sentiu-se acolhida e a outra parte estava pasma. Mas a parte sobre o mundo da moda que eu gostei foram todas as diferentes pessoas. Trabalhei com Vivienne Westwood, Hedi Slimane, Marc Jacobs, Jean Paul Gaultier, Galliano... Tudo isso soa como se eu fosse o Patrick Bateman em Psicopata Americano enquanto eu falo, mas é legal para mim ser um fantoche para os designers de moda ou fotógrafos. Não é sempre que gosto de estar à frente de tudo. Às vezes eu gosto que as pessoas me usem como uma paleta. Eu sempre disse, desde o começo, que meus ídolos eram Madonna, Prince e Bowie, então (faz sentido que) eu goste de colaborar com gênios. Me faz sentir parte de um panorama geral. Sou muito criticado pelos meus amigos mais próximos - eles dizem para eu parar de arruinar tudo, porque me forço em todo show, filme ou revista que eu ame muito.

Essa é a melhor parte de ser o Marilyn Manson?

Não no sentido de que minha fama é parte disso - eu realmente odeio quando as pessoas referem-se a mim como celebridade, porque todo mundo pode ser uma celebridade agora. É exatamente a definição do nome Marilyn Manson, então não é novidade - qualquer um pode ser famoso em qualquer momento por morrer ou estar em um obituário ou matando alguém e aparecendo na capa. Então eu odeio esse termo. Foi um ano difícil para mim, vários amigos e familiares se foram. É horrível, mas coloca um fardo em mim. Tenho essa obrigação de ser um rockstar. É irritante, porque eu tenho que ter certeza de viver o sonho enquanto está acontecendo, porque ás vezes há muita coisa acontecendo, boas e ruins, e como ser humano, eu tenho mais do que uma dimensão. Mas tenho sorte que pessoas ainda ficam encantadas com o meu humor infantil, porque nunca senti que tinha uma aparência extremamente normal e bonita. Eu só deixo meu senso de humor e a minha total falta de respeito pelas regras me definirem.

Você já teve a sensação de querer quebrar uma regra e não conseguir?

Só na parte legal. Por exemplo, hoje à noite disseram que eu não poderia quebrar uma garrafa no palco e me cortar, então eu os fiz quebrar e dar pra mim. Me recusei a continuar o show até eles fazerem isso. Não falei com o público sobre. Aliás, eu não sou alguém que goste de se auto-mutilar no sentido Emily Dickinson-Sylvia Plath, mas eu tenho sede de sangue. Me deixa cheio de fúria e excitação, por qualquer razão que seja. Então sim, hoje foi difícil, mas eu quebrei a regra, e fiz isso de um jeito inteligente. Eles trouxeram o vidro quebrado até o palco e eu sangrei. Brechas...

Você pensa sobre o que o seu eu mais novo pensaria de você agora?

É uma pergunta complicada de fazer a alguém que é borderline esquizofrênico com múltiplas personalidades. Acho que eu virei tudo que pensei que seria na minha cabeça em diferentes estágios da minha vida. E em alguns pontos eu fui tudo o que não queria ser, mas eu nunca antecipei que elas existiam, então eu não sabia que queria ser elas, se é que isso faz sentido. E uma versão mais nova de mim poderia ser ontem ou há 20 anos. Fiz um disco novo que não contei a ninguém que estava fazendo, não falei para a gravadora e então eu disse, "Surpresa, aqui está." Essa é a minha versão geniosa que eu sempre fui. Quando eu era criança, eu usava fantasias de Halloween na época errada do ano. Eu desconsiderava todas as datas comemorativas, e ainda faço isso. Então eu sempre ignorei calendários, tempo, relógios.

Quando foi a última vez que você chorou?

Hoje, no palco. Toquei Coma White e dediquei à minha gata, Lily White. Eu fiquei de costas para o público.

Você pretende votar nas eleições presidenciais?

Não. Eu votei na última. Essa eu vou ficar de fora. Não tenho muito uma opinião. Eu poderia ter várias opiniões, mas escolhi ficar de fora desta vez.

Qual foi a última coisa que te chocou?

Eu conheço muita gente todos os dias por causa das tardes de autógrafos. Eu fico chocado com cada pessoa que eu conheço. Ninguém me esfaqueou, me deu um tiro ou algo assim, mas eu sempre fico chocado como as pessoas são afetadas pelas coisas que eu fiz e o quanto isso significa para elas. Isso nunca me desgastou ou me deixou exausto, só me deixa surpreso, eu acho, em como a única forma que eu me conecto com as pessoas em uma distância é através da arte, acho que é por causa da minha timidez.

Fale um ótimo presente que você recebeu.

Acho que tenho de falar, porque isso irá acentuar o nome do meu melhor amigo, mas o Johnny Depp me deu um anel do Hollywood Vampires (banda do Depp com o Joe Perry e Alice Cooper) de um modo romântico. Bem, não num modo romântico, mas foi romântico que ele tenha dado para mim.

Você tem algum tipo de mulher?

As legais. Eu tenho evitado isso - sem intenção - no passado. Não citarei nomes e nem dizer que elas eram ruins, mas acho que me descrevi como um ímã para mulheres problemáticas. É difícil ter esse papel quando eu sou uma pessoa irracionalmente difícil de lidar. Sou tipo um gato selvagem. Eu pego querendo achar uma mulher realmente legal e que entenda o Brian e o Marilyn Manson. É a pessoa e a persona. É tudo. Então, alguém que seja legal e gentil o suficiente para lidar com isso. Não tenho certeza se elas fazem esse tipo de pessoa. Eu te falo se eu descobrir.

Qual sua parte favorita da Bíblia?

O Apocalipse.

Você quer pedir desculpas a alguém?

Eu tento acabar com os problemas e não criar novos. E eu tento me desculpar como um cavalheiro, embora eu seja um canalha, um vilão e tudo o que as pessoas queiram me chamar. Sinto uma responsabilidade de sempre reparar os erros, me acertei com inimigos do passado e fiquei em paz com eles. Tenho ficha limpa agora.

Quem você gostaria que fizesse seu papel em um filme sobre a sua vida?

Se fosse uma comédia fora da Broadway, o The Rock. Ou a Faye Dunaway.

Qual é o primeiro encontro perfeito com o Marilyn Manson?

Eu não gosto de ter qualquer tipo de conversa ou momentos íntimos diante de estranhos em ambiente público, então eu diria na minha casa. E é conveniente caso o encontro não seja bom e eu tenha de matar a pessoa. Não teria evidências ou testemunhas. Eu tenho um incinerador em meu quintal.

É conveinente também caso o encontro seja bom.

Eu não seria tão fácil assim.

Quando foi a primeira vez que você se sentiu famoso?

Acho que quando o John Waters me ligou e me perguntou sobre fazer um filme, e eu sou muito fã dele. Foi um estranho efeito cascata conectado ao Johnny (Depp) e o filme Cry Baby. Eu acabei não fazendo o filme. Mas isso fez com que eu me sentisse, não diria famoso, mas feliz que alguém que eu tenha como ídolo tenha me ligado.

Qual a sonoridade do SAY10?

(O produtor) Tyler Bates e eu gravamos ele nos últimos três meses, pouco antes dessa turnê começar. Eu diria que é a última coisa que as pessoas esperariam ouvir após o The Pale Emperor e é também, vindo das pessoas que ouviram, uma combinação, no sentimento, entre o Antichrist Svperstar e Mechanical Animals. Eu geralmente levo mais em conta a opinião das mulheres à dos caras porque normalmente você faz músicas para que elas gostem de você. É por isso que você começa uma banda de rock. É inspirado por tudo aquilo que você faz para as garotas gostarem de você. Toda aquela paixão e pompa melódica tipo o Bowie, mas também o desrespeito pelas regras tipo o Ministry e todas as bandas que moldaram o primeiro disco que gravei. Não era minha intenção voltar para trás. Tudo anda em círculo e vira, sem canabalizar os trabalhos do passado, a mesma coisa, que é basicamente você. Estou um pouco ansioso demais para lançá-lo, então foi gravado rapidamente, mas é de longe a coisa mais complicada e temática que fiz na vida. De alguma forma, é ilusoriamente prazeroso a estranhos. É tipo aquele velho ditado de que o maior segredo do diabo é que as pessoas não acreditam que ele exista.

Quando sai?

Eu decidi pelo dia 14 de Fevereiro. Não estou muito certo de que obsessão é essa que tenho com o Valentine's Day porque eu nunca aproveitei de verdade essa data, mas por algum motivo sempre fez parte da essência da minha expressão artística. Algum dia eu descubro.

Esse ano marca o vigésimo aniversário do Antichrist Svperstar.

Sim, vamos lançar um box no dia 20 de Outubro, e tem um vídeo lendário que eu tive que guardar num cofre por 15 anos, por razões que serão reveladas quando vocês assistirem. Eu pensei inocentemente que seria aceitável usá-lo como um bônus do Dead to the World, mas aí meu empresário e o departamento legal me avisaram do contrário. Mas agora será visto por todos. Não direi mais nada, só que capturou um momento, após eu ter acabado de me mudar para Los Angeles. Eu estava morando com o Twiggy e tinha acabado de sair de uma turnê onde recebia ameaças de morte todos os dias. É um retrato interessante do que estava acontecendo na época, mas estranhamente não me parece diferente de como sou agora, exceto que estou usando um chapéu de caubói. É isso.










20.07 @ Budapest Open Air
21.07 @ Metal Hammer Festival
22.07 @ Junge Garde
24.07 @ Metaldays 2017
25.07 @ Rock in Roma
26.07 @ Villafranca Castle
28.07 @ QStock 2017
31.07 @ Stadium Live
02.08 @ Sport Palace
04.08 @ aken Open Air
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