Nós do Marilyn Manson Brasil tivemos a honra de conversar com Tyler Bates, atual parceiro de composição, guitarrista da banda e responsável pelos discos The Pale Emperor e Heaven Upside Down, e vários assuntos foram abordados, desde o processo de criação de ambos os discos, passando pelos selists da banda dos shows, até a reconciliação do Manson com Trent Reznor e seus futuros projetos com trilhas sonoras.

Foi um papo muito legal que está transcrito na íntegra abaixo. Confira!

 

Tyler, primeiramente, MUITO obrigada por tirar um tempo e aceitar fazer esta entrevista conosco. Sei que você é um cara bastante ocupado, então isso é muito legal!

Então, minha primeira pergunta é sobre o dia que aquela coisa gigante de aço caiu em cima do Manson. Pelos vídeos que vi, a banda inteira ficou bem preocupada, e principalmente você. O que você pensou no primeiro momento que viu aquilo acontecendo?

Bom, ele é meu amigo, então claro que fiquei preocupado. Mas minha primeira preocupação foi que ele não estivesse seriamente machucado, sabe, alguma coisa na cabeça ou coluna, mas quando você faz shows com o Marilyn Manson qualquer coisa pode acontecer. É uma pena, mas ele está se recuperando muito bem e trabalhando para fazer o show daqui algumas semanas e depois irmos para a Europa.

O show do dia 5 de Novembro vai acontecer?

Sim.

Como está a recuperação do Manson? Ele vai cantar sentado em um trono ou algo assim, igual ao Dave Grohl recentemente? Ou ele está bem o bastante para andar pelo palco?

Não posso divulgar detalhes da próximas performances do Manson, mas te garanto que ele vai incendiar tudo!

Acho que li todas - ou quase todas - as entrevistas que você deu recentemente e em uma delas você diz que não conseguiria tocar em todos os shows da turnê Europeia por causa dos seus compromissos com trilhas sonoras, mas isso foi antes do Manson se machucar. Agora que a turnê precisou dar uma parada e você teve mais de um mês para trabalhar em outras coisas, você vai conseguir tocar nesses shows?

Parece que eu vou conseguir, sim. Gostaria de tocar, é só uma questão de que tenho um projeto significativo para começar e estou no meio da composição do The Exorcist, então quando estou em turnê com o Manson eu tenho um estúdio no meu quarto de hotel e trabalho de lá (risos).

Você pode nos falar sobre o processo de criação do Heaven Upside Down? Li em uma entrevista que não foi diferente do The Pale Emperor porque você e o Manson gravaram tudo em seu estúdio, mas teve a mesma abordagem? Quando e como vocês decidiram gravar esse disco?

Foi criativamente semelhante ao The Pale Emperor; é essencialmente o Manson e eu em meu estúdio conversando e a partir dessas conversas uma música aparece. Eu sabia que quando ele veio até mim para fazer o The Pale Emperor, ele queria explorar o blues, então aquilo foi o que, pelo menos eu, considero a minha impressão do Marilyn Manson no contexto do blues, mas eu não queria fazer outro disco que soasse daquele jeito, então acho que essa foi a hora certa de trazer mais elementos agressivos e emblemáticos da música que eu e ele amávamos quando éramos garotos e também criar um disco que fosse um reflexo do que está acontecendo na sociedade, e além do mais o rock está bem chato na maior parte do tempo, então fizemos algo que queríamos ouvir.

A música do Manson sempre evoluiu de um álbum ao outro e o The Pale Emperor foi uma grande mudança em relação aos trabalhos anteriores, com aquele som de “blues quebrado” - como você já disse em uma entrevista. Era a intenção seguir essa linha mais puxada para o blues? Ou foi algo que veio naturalmente?

Nossa primeira conversa foi sobre isso, então mostrei a ele o que eu estava fazendo nesse contexto e foi algo que fez sentido para ele. Meu objetivo quando comecei a trabalhar com o Manson foi se livrar de tudo que ele tem feito por um bom tempo e essa foi uma oportunidade para a gente explorar uma dimensão diferente dele como pessoa e artista e revelar algo às pessoas que elas ainda não estivessem cientes antes daquele disco.

Foi divertido, gostamos muito de tê-lo feito e o Heaven Upside Down também foi bem divertido, um pouco mais doido e mais cru. Depois o Gil veio e tocou as baterias.

Eu fiquei - e ainda fico, já que não consigo parar de escutar o disco desde quando saiu porque ele está bom demais - bastante impressionada com todas as camadas e texturas no Heaven Upside Down - sou apaixonada pelos riffs da SAY10 - e isso era algo que não estava muito presente, não DESSA forma, nos trabalhos recentes do Manson. Como isso aconteceu? Porque a Tattooed in Reverse, por exemplo, soa como uma parede de sintetizadores, o que é incrível!

Obrigado! Falei para o Manson que queria fazer algo totalmente diferente e ele perguntou o que eu tinha em mente, e então eu comecei a fazer as músicas. A primeira música que gravamos para o disco foi WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE, e eu queria ter uma abordagem mais agressiva porque não tem muitos artistas no rock que conseguem fazer esse tipo de música e eu fico preocupado com a falta de ícones dentro do rock, então eu quis fazer um disco com o Manson que o solidificaria definitivamente. O processo de experimentação é algo que vivo todos os dias, então todos os dias eu tenho que escrever a melhor música que me pedem para fazer, no meu mundo como compositor de trilhas você tem de considerar qual é a história que o diretor está contando, e neste caso é essencialmente o Manson me contando de sua vida e eu escrevo as músicas baseado nessas conversas de imediato no estúdio. Mas no meu mundo, eu não posso apontar para uma trilha que fiz há dez anos, “é, eu fiz 300 e A Madrugada dos Mortos”; ninguém se importa com isso quando me contratam, o que eles se importam é que me chamaram para fazer a melhor música que posso agora. Já quando sou eu e o Manson são amigos fazendo música, não é um trabalho encomendado. Eu trago essa mentalidade para a nossa colaboração e ele sente que a música que estamos fazendo agora é a música mais poderosa da sua vida. Por mais que a gente ame os clássicos dele, ele está em um lugar diferente, ele viveu muita coisa desde The Beautiful People e The Dope Show, então… (risos)

E às vezes alguns fãs não conseguem entender isso. Eles acham que o Manson ainda está nos anos 90 e que tem que cantar quase sem roupa nos shows. E eu fico pensando, “ele vai fazer 50 anos já, fala sério”.

É, é inapropriado, mas o que é apropriado é ser a versão mais forte do que você é agora. A idade é um processo natural da vida. Sabe, se você é fã do Manson de verdade, as experiências de vida dele é o que você deveria querer saber e ouvir. Ele tinha uns 26 ou 27 anos quando o Antichrist Svperstar saiu e ele passou por MUITA coisa desde então e é interessante ouvir isso refletido na música de agora, no entanto que seja boa e inspire, mas se não inspirar eu entendo.

Muitos artistas chegam a um ponto da carreira que não fazem mais música boa, eles param de desafiar a si mesmos. Mas tem bandas como o Muse, por exemplo, eles estão na estrada há tanto tempo quanto o Manson e quando você escuta a música nova deles, você percebe que ainda são apaixonados pelo que fazem, ainda tentam fazer grandes discos. Então cada vez que eles lançam um trabalho novo, as pessoas querem ouvir, e não necessariamente pedem para tocar as músicas de 15, 20 anos atrás (risos).

É legal que o Manson tenha essas músicas, mas é, eu não sei se é bom para ele como artista tocar só o material antigo quando fisicamente, emocionalmente e mentalmente ele está muito mais engajado nesses dois discos que fizemos.

Tem uma coisa que eu, assim como muitos fãs, sempre nos perguntamos, e isso é só se for ok para você responder. Como você sabe, o Twiggy sempre foi o principal compositor da banda, da mesma forma que você é agora. Foi escolha dele não participar dos dois últimos discos? Uma colaboração entre vocês dois seria algo brilhante.

O Twiggy foi um colaborador desde… qual é o nome do disco?

Born Villain?

Holy Wood!

Isso, depois ele saiu.

Depois ele saiu, ficou fora por um tempo, aí o Tim Skold foi esse cara, o Chris Vrenna também ficou envolvido. O Twiggy voltou e se envolveu de novo.

Mas acho que o que aconteceu foi que que eu nem conhecia o Twiggy quando eu e o Manson fizemos o The Pale Emperor. A gente se aproximou só para ver o que sairia dali e criamos um espaço juntos e três meses depois nós fizemos o álbum. E depois veio a hora de dar os toques finais, mas o disco foi gravado quase na mesma época que eu o conheci na festa de aniversário do Manson.

Eu imaginei que foi algo não esperado. Eu não sabia nem que o Manson tinha uma banda naquele ponto, porque muita gente entrou e saiu ao longo dos anos e eu nem estava pensando em fazer parte disso, pra te falar a verdade. A gente fez o disco e o Manson me pediu para virar um membro da banda e eu finalmente aceitei em sair e tocar. Eu costumava sair em turnê um bocado.

Então, sim, o disco foi feito sem o Twiggy e acho que o motivo de ter acontecido é porque acho que chegou em ponto onde o Manson precisava de uma nova maneira de fazer música. Ao invés de ir para um estúdio comum, ficar em uma cabine com um monte de pessoas assistindo na sala de controle, acho que ele gosta da intimidade com que fazemos música no meu estúdio, que é literalmente um sentado próximo ao outro. A gente conversa e não parece que estamos gravando um disco. Acho que isso tira muito o peso e a pressão de precisar gravar tudo separado e com tempo. Eu faço toda a música na hora, todos os instrumentos, porque por causa do meu trabalho, com o tempo eu consegui ser um músico bem decente em todos os instrumentos, então conseguimos completar uma ideia de música ou conceito em uma sessão.

Então não, não teve uma agenda para excluir alguém, mas acho que a natureza da música que eu e o Manson estávamos trabalhando era específico de sua atitude e o que ele tinha a dizer e isso fica diretamente refletido em nossas conversas e colaborações, então, por exemplo, a música WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE. O segundo verso dela foi algo que eu ele criamos juntos com muito cuidado, então cada nota dela é específica e tem efeito no que ele estava fazendo. E acontece a mesma coisa com KILL4ME.

Amo essa música, ela é muito boa.

Obrigado! Cada nota na linha de baixo tem efeito em como o vocal dele se encaixa na faixa. Então não soa assim se você escutar por escutar, mas se você ouvir com atenção, tem certas notas no baixo que não são as mesmas sempre e isso tem um impacto em sua voz. Então uma vez que temos isso, ele não quer mudar. Ele gosta do jeito que toco baixo, mas eu não quis excluir ninguém, isso foi algo dele, do jeito que ele gosta e se sente confortável fazendo música.

É engraçado quando você diz isso de fazer música com o Manson através de conversas, porque parece que é fácil fazer uma música tão épica como Cupid Carries a Gun. Acho incrível que vocês sejam capazes de fazer isso apenas conversando.

Eu sempre imagino em um contexto cinematográfico porque todos os dias eu estou escrevendo músicas para filmes ou televisão, então agora eu estou terminando de gravar um cue para o The Exorcist e penso visualmente. Como isso vai funcionar visualmente, sabe? E emocionalmente. E acho que tem uma complexidade com o Manson porque ele viveu bastante coisa, então coisas que ele escreveria na época, não aconteceria agora, então como fã eu pensaria, “se eu amo esse artista, eu quero apoiar esse artista continuamente e não apenas ouvir mOBSCENE e The Beautiful People pelo resto da vida.” Ele gosta dessas músicas, mas sua mente e seu coração estão com o material novo e acho que os fãs conseguem sentir isso quando veem ele cantando as músicas novas.

Porque sabe, às vezes você vê bandas que estão na estrada há um tempo que tocam duas músicas do disco novo e nessa hora as pessoas na plateia vão pegar uma cerveja (risos) porque a música não é boa.

Mas essas músicas são bastante apaixonadas, a gente se importa muito com elas. Como eu disse, minha mentalidade sempre é de que eu tenho que sempre fazer a melhor música todos os dias da minha vida e eu quero manter essa mentalidade até morrer porque música é a minha vida, então faz sentido para mim.

Foi interessante você ter dito sobre as músicas novas ao vivo, porque outra coisa que sempre me perguntei foi sobre os setlists. Essa pergunta vai ser um pouco extensa, mas deixe eu explicar antes: Eu sou fã de Manson desde os 13 anos - tenho 26 agora - e sempre que a banda inicia uma nova turnê, eu gosto de saber quais músicas estão sendo tocadas, eu procuro por vídeos no Youtube e tal. E desde o Eat Me, Drink Me, eu sinto que o Manson poderia explorar muito mais o catálogo dele. São basicamente os hits mais famosos, duas ou três músicas do disco novo que ele está divulgando e só talvez uma ou duas músicas que a gente pode considerar como “diferentes”. Há um motivo para isso? Vocês conversam sobre ou é sempre escolha do Manson e não há muito o que fazer? Porque The Devil Beneath My Feet, por exemplo, deveria ter sido tocada durante toda a última turnê.

É interessante porque a banda ensaiou essa música por toda a turnê, tocávamos na passagem de som esperando tocar um dia. Tocamos Slave Only Dreams to Be King uma vez e foi incrível, mas acho que o Manson por algum motivo não se sentiu tão confortável. Tocamos The Mephistopheles of Los Angeles também. Acho que cai muito sobre o que é confortável para ele. Quanto às outras músicas… tirando The Beautiful People e The Dope Show e talvez Tourniquet, eu não conhecia as outras. Você citou mOBSCENE como uma música famosa, eu não me importo porque prefiro tocar Get Your Gunn ou algo assim, sabe?

Conheço essas músicas porque com o tempo ele foi mostrando para mim - ele falava de alguma música para mim e eu respondia, “não, essa eu não conheço”. Mas a gente toca o que for confortável para ele. Eu instigo ele a tocar coisas mais antigas que são interessantes, porque se eu ficar cansado de tocar uma música - e eu nem deveria ficar, porque não conhecia a música antes de tocar (risos). Sabe, eu não conhecia mOBSCENE, ela estava no setlist e eu tinha que tocar.

Mas ele tem uma mente aberta. A gente começou a introduzir cada vez mais músicas que fazia tempo que ele não tocava.

The Reflecting God é um exemplo.

É, tipo Great Big White World. Ele estava falando sobre tocar algo e eu falei, “Pô, cara, essa música é melhor” e estou dizendo isso porque sou objetivo, não tenho a mesma conexão que muitos fãs têm. Quero o melhor para ele. E se eu for estar em turnê com ele, eu tenho que tocar músicas que escrevi, porque senão não faz sentido eu estar ali porque tem muita coisa competindo pelo meu tempo, mas eu quero ver coisas ótimas acontecendo para ele e elas estão acontecendo e fico feliz de ver isso.

Mas no fim das contas é ele quem manda no setlist e eu vou tocar o que estiver ali.

Ainda sobre os shows, recentemente tivemos aqui no Brasil a confirmação de que vocês irão retornar à América do Sul em Maio. Estamos muito felizes com isso, uma vez que o show no Maximus Festival foi incrível! Você tem boas lembranças deste show?

Sim! Nos divertimos muito.

Você lembra quando um pessoal começou a cantar Cupid Carries a Gun e vocês começaram a tocar. Não sei se você ouviu, mas fomos eu e uns amigos que fizemos aquilo (risos)

(Risos) Sim! É muito legal quando isso acontece. Recentemente a gente começou a tocar KILL4ME, nos últimos três shows que fizemos e o público cantou tão alto que eu mal conseguia ouvir a voz do Manson. E foi legal de ouvir. Você tem de entender que isso não tem a ver com dinheiro para ele. Ele não liga pra isso, enquanto ele conseguir sobreviver ele não liga! (Risos). Ele se importa em ser um artista e viver sua vida. E estar apto a criar novas músicas, apresentá-la ao seu público e vê-los cantando é muito bacana para ele. É tipo um soco no estômago quando as pessoas só ficam animadas com o material antigo e notamos isso especialmente com o disco novo.

Estávamos tocando três músicas antes mesmo dele ser lançado na turnê que fizemos pela Europa no verão e o público respondeu muito bem, e isso é um bom sinal porque se você ama esse artista, você quer que ele continue criando e estando nesse propósito ao invés de lançar camisetas! (Risos)

(Risos) Sim! Em outra entrevista recente você disse que se tivessem câmeras em seu estúdio durante a gravação do The Pale Emperor, isso seria o maior reality show de todos os tempos! Você pode compartilhar alguns momentos marcantes das sessões do The Pale Emperor e Heaven Upside Down? Os que você puder falar sobre, claro!

(Risos) Não posso falar nada em específico porque qualquer coisa que aconteça dentro do meu estúdio é sagrado, tipo, você raramente vai ver uma foto minha com alguém. Quero que as pessoas saibam que quando elas vierem até o meu espaço, ele será bastante confortável e eles não vão precisar se preocupar. Eu sou um profissional, sabe? Não preciso catalogar a minha vida com fotos.

Coisas muito doidas aconteceram, mas é sempre divertido. Nada…

Caótico.

É, nada violento ou algo assim. O Manson e eu somos como irmãos, a gente se dá muito, muito bem e na maior parte do tempo estamos rindo. É isso que ele quer; me ver rindo e se divertindo. Mas é isso, aconteceram umas coisas doidas, mas de uma maneira muito engraçada. Mas não seria justo nomear quem estava no estúdio ou o que aconteceu, mas foi bem divertido.

Sempre que as pessoas te perguntam sobre como você e o Manson se conheceram, você diz que foi no Californication e tal - o que é uma ótima história, sem dúvida. Mas além disso, você diz que foi convencido pelo Manson a entrar para a banda e, com isso, você montou a nova formação. Foi ideia sua manter essa mesma formação para o Heaven Upside Down? Porque, não sei se você sabe, mas a última vez que o Manson teve os mesmos caras na banda ao vivo por dois álbuns seguidos foi em 2000, quando o Holy Wood saiu, então isso é algo bem grande.

Eu, o Gil e o Paul já éramos amigos antes do Manson. O Paul eu conheço há muitos anos.

Antes mesmo de eu tocar com a banda, o Manson me ajudou a montar essa formação, então sabe, eu conhecia o Paul e sabia que ele seria um ótimo integrante e o Gil é um baterista incrível e ele já conhecia o repertório do Manson e estava muito animado.

No The Pale Emperor, o Gil tocou todas as partes dele em um dia, o que é marcante, especialmente se for considerar que há muitos shuffles e essa é uma das levadas mais difíceis de serem tocadas depois de um tempo, tem que ter um groove para manter, é incrível.

Então, por todos serem amigos, ficou muito mais fácil para mim entrar e sair da formação, porque o Manson pediu para eu estar na banda o máximo que conseguir, mas ele também entende que eu estava fazendo o Guardiões da Galáxia e isso é muito importante e a gente tenta trabalhar isso e os caras são ótimos, somos próximos e acho que isso faz com que a turnê fique melhor, a performance fique melhor e todo mundo se diverte, sabe? Definitivamente é uma coisa muito mais próxima do que estava no passado no sentido de como a banda toca e como a relação de todos se desenvolve.

Todos sabemos que você é um músico de sucesso quando o assunto são trilhas sonoras. Há uma grande diferença na forma que você enxerga uma trilha ou uma música que escreve com o Manson? Eu li que você gosta de criar a música na sua cabeça e depois passar para os instrumentos. Você tem uma visão cinematográfica para ambos? Como isso funciona?

Acho que é mais uma sensibilidade. Não visualizo o filme que estamos fazendo enquanto escrevemos músicas juntos, porque trabalho com diretores e produtores e baseio meu trabalho em roteiros e aplico essa sensibilidade provavelmente no meu subconsciente para o Manson porque geralmente as músicas começam pelo que aconteceu em seu dia ou sei lá (risos), então a música começa a se formar na minha cabeça, daí começamos a tocar alguma coisa ou programar uma batida, passamos para o microfone e começamos a trabalhar nisso. Tocamos músicas juntos e uma música se forma a partir daí. Não é com ele vindo até o meu estúdio e a gente já tem a música. Uma vez que estou com ele, começo a trabalhar nos detalhes, é mais interativo com os vocais dele do que os vocais dele estando por cima de tudo.

Uma coisa que achei bem engraçada quando li foi quando você disse ao Manson que os vídeos para o The Pale Emperor eram inaceitáveis. E achei engraçado porque eu concordo com você, mesmo que não considere o vídeo para The Mephistopheles of Los Angeles tão ruim assim.

E também, você disse que o vídeo para WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE era para ser diferente, mas o Manson acabou fazendo com outra abordagem. Qual foi a primeira ideia que você e o Manson conversaram sobre ele?

Eu ia dirigir uma van, na verdade. Seria uma versão mais caseira na minha perspectiva. Mas foi legal que pelo menos esse foi um vídeo de verdade. E SAY10 ainda é bastante superior, na minha opinião.

Mas sabe, no disco anterior você tem de entender: eu trabalho com os melhores diretores e cineastas (risos) da indústria do cinema, então foi bem difícil para mim explicar o porquê daqueles vídeos serem uma merda! E o Manson foi uma grande influência para os videoclipes por muitos anos, ele tem alguns dos melhores videoclipes, então foi bem difícil para mim ver aquelas músicas que trabalhamos duro não serem bem representadas nos vídeos.

Mas discutimos sobre isso nesse disco e ele levou a sério e acho que está acontecendo, ele está trabalhando nesses detalhes e as coisas estão indo bem, então está legal, estamos muito pelo agora e ficamos felizes de ver as coisas indo em uma direção positiva, tirando o problema que ele teve na perna, mas ele está se cuidando e está melhorando.

Você usa o mesmo equipamento para suas composições com o Manson e o trabalho com trilhas sonoras?

Geralmente eu uso equipamento e software semelhantes, embora trilhas para filmes e seriados seja um set completamente diferente, então a abordagem não é muito parecida. Por mais que eu aborde o processo de composição com qualquer artista que eu colabore de uma perspectiva de “contar histórias”, não estou trabalhando com um roteiro e mídia visual como uma referência específica para o meu trabalho, que é o que faço com os filmes e seriados.

Quanto aos equipamentos, eu uso o Pro Tools como meu DAW (digital audio workstation) principal. Gosto do Pro Tools para composição e gravação em particular. Também uso o Logic como uma das minhas plataformas de sample. O sampler EXS24 do Logic tem uma interface intuitiva que gosto muito. Tenho criado centenas, se não milhares de sons personalizados para o EXS24, então não vou abandonar o Logic tão cedo. Também uso o Cubase e VSL para a composição de orquestras, que tem sido um aspecto principal da música que o Manson e eu criamos até agora, mas tudo é possível indo adiante.

Você tem a mesma liberdade criativa quando está em estúdio com o Manson da mesma forma que tem criando uma trilha? Quais são as principais diferenças?

O Manson e eu criamos a música que queremos ouvir e tocar ao vivo. Temos a licença para criar o que desejamos, sem a influência de outras pessoas. Quando estamos no meu estúdio, eu geralmente escrevo a música na minha cabeça baseado em qualquer tópico que estejamos conversando na hora.

Considero o desenvolvimento das músicas e discos como um processo de curadoria, onde a composição de uma trilha sonora começa com o aconselhamento do diretor, e continua a mudança até sua forma final baseado em ajustes estruturais, desenvolvimentos visuais, dados derivados de teste de exibição - e tudo continua até o final do processo de criação do filme, e isso exige música para responder de acordo à essas permutações, do início ao fim. Musicalmente falando, é como pintar um mural ao lado de um trem bala em velocidade!

Além dos discos que você gravou com o Manson, você disse que não conhecia todo o catálogo dele antes de tocar algumas músicas ao vivo. Você já teve a chance de ouvir aos outros discos? Qual o seu favorito e por quê?

Do trabalho anterior do Manson, acho que gosto mais do Antichrist Svperstar. Não porque seja o seu melhor disco da época, mas é porque pareceu vir do nada em uma época que o rock sentia falta de uma identidade distinta após o falecimento do Kurt Cobain. The Beautiful People levou o conceito de videoclipe a outro nível - basicamente dizimando a galera sem graça do shoegaze que não tinha certeza da onde ir com sua música depois que o Nirvana acabou. Também acho que inspirou as bandas que prosperaram nos anos 90 depois do ACS.

O que você tem ouvido recentemente? Alguma banda ou artista em especial? SAY10 tem batidas de trap. Você gosta de rap/trap?

Na maior parte do tempo eu estou compondo, então não tenho tempo para ouvir muita música. Adoro todos os gêneros, mas geralmente ouço música que meus amigos estão fazendo. Manson me mostra muita coisa que do caso contrário eu não estaria ouvindo, o que é também uma parte divertida de trabalharmos juntos. Não me entenda mal, eu ouço música o suficiente para saber o que está acontecendo, e vou a vários shows, mas quando não estou em turnê, estou no estúdio gravando.

Você e o Manson já pensaram em gravar um disco (o próximo talvez) como uma banda completa, com o Paul, Twiggy e Gil em estúdio em tempo integral? Fiquei pensando sobre isso porque você disse a ele sobre gravar um vídeo com a banda.

Parte do motivo de que eu e o Manson trabalhamos tão bem juntos é porque o processo de gravação é íntimo e espontâneo, e não exige ninguém além de nós dois para criarmos o que quisermos. O Gil tocou nos dois discos, e a banda tem um grande impacto na forma como as músicas novas são apresentadas ao vivo, o que é muito importante. Acho que seria divertido gravar algumas coisas como uma banda ao vivo.

Por fim, estamos criando a música do Marilyn Manson, então o processo que for mais confortável e inspirador para ele é o mais importante. 

Uma coisa que achei bem legal e bonita vindo de você foi quando disse que você e o Manson tem uma colaboração bastante apaixonada. Fale mais sobre o que você sente sobre ele, pessoalmente e como artista.

O Manson e eu nos ligamos através da música, que de várias maneiras é como viajar com alguém. Você conhece de verdade uma pessoa quando viaja com ela. Acho que a química que compartilhamos nos inspira a fazer o que amamos fazer, e também traz o melhor de nós dois. Através da experiência que compartilhamos ao longo dos anos desenvolvemos uma ligação que é pautada em confiança, respeito mútuo e apreciação pelo outro como artistas, que é o núcleo do que somos como pessoas.

Você tem algum processo específico para começar uma trilha sonora? Ou depende do filme que você vai trabalhar? Como por exemplo assistir os primeiros minutos para sentir como ele é e então começar a trabalhar nas músicas.

Cada trilha para filme ou televisão começa com a leitura do roteiro e discussão da história com o diretor em grandes detalhes, então eu ganho um esclarecimento mais profundo das sensibilidades únicas do diretor, o que me ajuda a apoiar de forma mais precisa a sua história com a música apropriada, e isso é totalmente relacionado ao processo de emoção e de como a história é contada. Eu tento começar o processo o quanto antes porque aí posso escrever a música que o diretor vai usar na filmagem. Isso nos autoriza a experimentar com ideias antes do processo se tornar exponencialmente urgente no processo de pós-produção. Várias sequências dos dois filmes do Guardiões da Galáxia foram filmados à música original que escrevi a partir do roteiro ou sequências pré-animadas que foram desenvolvidas para coreografar com várias cenas dos filmes. No geral, cada filme tem seu processo.

Recentemente Manson disse que ele e o Trent Reznor fizeram as pazes, o que é ótimo. Mas na primeira entrevista que li sobre isso, o Manson diz que isso aconteceu através de você. Você falou com o Trent antes deles conversarem?

É, eu encontrei com o Trent em um evento que estávamos e ele perguntou como estavam as coisas com o Manson e eu falei, “Ei, cara, por que vocês não conversam?”. Ele mandou uma mensagem para o Manson do meu telefone.

Fazia muitos anos que eles não se falavam e eu também falei para o Manson. “Olha, ele é uma parte importante da sua vida, você deveria dar uma olhada de novo no trabalho que fizeram juntos e se sentir bem com isso. Tem um vão entre vocês, por que não conversam? Tenho certeza que em 30 segundos vocês vão se sentir diferentes sobre tudo, vão ficar bem e seguirem suas vidas” e eles fizeram isso. E eles se sentiram muito melhores.

Isso é algo que acontece quando você está em alguma banda que gosta muito ou trabalhando com alguém criativamente. Às vezes as coisas podem desandar um pouco, e uma conversa depois de um tempo pode deixar as coisas mais tranquilas, então acho que agora eles estão se sentido muito melhor quanto à amizade.

Falando no Trent, ele também é ótimo com trilhas sonoras. Você gosta do trabalho dele com o Atticus Ross? Já pensou em colaborar com os dois?

Eles têm uma colaboração própria, sabe? O Atticus tem coisas que apoiam a relação dos dois. É coisa deles, não quero atrapalhar a relação criativa das pessoas. Se eu fosse convidado a fazer parte de algo, eu consideraria, mas sinceramente eu tenho minhas próprias coisas acontecendo e felizmente tudo está indo muito bem. Eu não mexo com as outras pessoas! (Risos)

Você vai trabalhar no John Wick 3? As duas trilhas anteriores são sensacionais!

Obrigado! Eu fiz a trilha sonora dos dois primeiros filmes com o meu grande amigo Joel J. Richard, e tivemos ótimas experiências com o diretor Chad Stahelski. Não tenho a liberdade de comentar sobre futuros projetos, mas a oportunidade de trabalhar com o Chad é sempre bem vinda. Ele é a personificação da palavra “fodão”!

O que podemos esperar de você para os próximos trabalhos com trilha sonora? Vi que você estava fazendo a trilha para o seriado The Exorcist - e quero assistir o mais rápido possível.

O The Exorcist é muito divertido. Estou trabalhando nele agora. É assustador e divertido. As pessoas envolvidas são maravilhosas de se trabalhar então fico muito grato pela oportunidade. Estou animado para o lançamento do The Punisher no mês que vem. O Steve Lightfoot e toda sua equipe fizeram com que esse seriado fosse uma grande experiência também.

2018 parece um ano bastante ocupado para mim, então não tenho do que reclamar!










25.11 @ Velodrom - UFO
27.11 @ Accor Hotels Arena
28.11 @ Klokgebouw
29.11 @ Mitsubishi Electric Halle
01.12 @ Zenith
02.12 @ Forest National
04.12 @ O2 Apollo
05.12 @ O2 Academy
06.12 @ Civic Theatre
08.12 @ Newport Centre
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KILL4MESAY10We Know Where You Fucking LiveMarilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016) Third Day of a Seven Day BingeThe Mephistopheles of Los Angeles


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