Recentemente Paul Wiley deu uma entrevista para o site da marca de guitarras Schecter e falou sobre como foi o processo para entrar na banda e a responsabilidade de ser o guitarrista do Manson. Confira a tradução na íntegra abaixo!

 

Entrar para uma banda como o Manson parece um sonho e uma maldição. Existe uma responsabilidade grande. Nos fale sobre o processo de tornar-se o guitarrista de um dos artistas mais controversos.

Eu estava em turnê com outra banda e então o Tyler e o Manson me ligaram no meu aniversário para me avisar que a vaga era minha se eu quisesse. Foi um presente muito bom. Comecei a ensaiar com o Manson após uma semana em casa. Fomos para a Rússia para o primeiro show com a formação atual, mas não tocamos por causa de ameaças de bomba em Moscou. Estávamos na lateral do palco minutos antes de entrar quando a polícia veio e nos tirou dali e nos levou até uma tenda onde esperamos para ver se iríamos tocar. Claro que não rolou. Jogaram ovos e água benta em mim no caminho para o local do show. Então, no meu primeiro show, não tocamos. Então perguntar como é - nunca é chato.

Você tinha uma relação com o Tyler antes de entrar para a banda, como vocês se conheceram?

Tyler era o meu guitarrista favorito no início dos anos 1990 em Chicago. Ele estava em uma banda popular ao mesmo tempo em que eu estava em uma banda tentando descobrir o que, estilisticamente, eu queria ser. Passa agora para quando eu me


 mudei para Los Angeles em 2011 e cheguei nele pedindo alguns conselhos sobre entrar no mundo das trilhas sonoras.

Ele também foi gentil o suficiente de me convidar para algumas sessões de suas trilhas, e dali nós começamos a sair mais e mais. Lembro do dia que ele me contou que ia trabalhar com o Manson em um disco. Jamais eu imaginei que ele fosse entrar em turnê e que seria legal o suficiente para recomendar que eu me juntasse ao caos. Mas fora a música, eu o considero um grande amigo, mentor e genuinamente verdadeiro.

Você já era fã da banda antes de entrar nela?

Eu era fãzaço de Manson desde o começo. Quando o primeiro disco saiu em 1994 foi uma grande apresentação sonora e visual. Fiquei vendido! Nunca fui muito fã do lance de Seattle, então Manson foi uma banda que instantaneamente chamou minha atenção. Finalmente uma banda com algum perigo colorido. Eu diria que o Mechanical Animals ainda está no meu top 5 de discos. Eu quase fiz audição para entrar na banda em 1996 quando eles estavam procurando por um substituto do Daisy, mas em um artigo da Alternative Press tinha uma parte em que dizia que eles fumavam Ketamina e ossos humanos em um cachimbo. Pensei que talvez eu fosse puro demais na época. Ketamina pode ser divertido, mas fumar ossos humanos não me agradou. Desde que estive na banda, descobri que aquela história era verdadeira.

Como os fãs te receberam enquanto novo guitarrista?

Para a minha sorte o Manson tem os fãs mais devotos que já vi. Na primeira parte da turnê na Europa em 2014 eles olhavam para mim de um jeito tipo, “quem diabos é esse cara?”, mas com o passar dos tempo me aceitaram.

Você tem tocado com a Schecter desde que entrou para a banda, como é isso? E como essa relação cresceu desde que começou a tocar com o Manson?

Minha relação com a Schecter começou ótima e cresceu até virar uma amizade verdadeira com algumas pessoas de lá. É incrível ter uma ideia e vê-la sendo realizada da mesma maneira que imaginou.

Nos fale um pouco sobre sua coleção de guitarras da Schecter, já que você parece ter guitarras incríveis e customizadas.

Tenho ótimas guitarras. Tive ideia de uma Telecaster com vidro rachado que é bem construída demais. Outras incluem a que tem a cruz do Heaven Upside Down queimada. Tenho uma Solo-6 que muda de cor dependendo da iluminação, e a primeira Schecter que fizeram para mim que ainda é a minha favorita é a Solo-6 hash mark 666.

Você também mudou a maioria de suas guitarras para captadores estilizados da Schecter, como eles têm se saído?

Eu adoro o som dos captadores da Schecter, meu tom é mais um lance médio. Então esses captadores em um Marshall JCM 900 adicionaram mais definição ao som que eu faço com o Manson.

Você tem uma grande responsabilidade como guitarrista do Manson já que os anteriores foram muito importantes. Como é para você tocar ao vivo em uma banda como o Manson e se destacar?

Tem mais a ver com fazer o meu papel do que me destacar. Acho que é mais sobre estar preparado para qualquer coisa que o Manson faça a qualquer momento, e então você está tocando uma música que não tem sido tocada com a banda, ou ele vai te dar um sinal com as mãos que significa mandar ver ou parar de envolver o público. Então basicamente eu fico com um olho no público e um olho nele.

Assistindo gravações das últimas turnês, dá para ver que fica um pouco violento no palco. Isso faz parte do show ou é o quão intenso fica tocar ao vivo com o Marilyn Manson?

Algumas noites tem mais a ver com a vibe, mas sempre tem elementos caóticos em todos os shows. As coisas são arremessadas, quebradas e você definitivamente ganha machucados e cicatrizes. Quando entrei na banda, parecia estar tocando em uma zona de guerra. Agora já é mais natural para mim. Agora não consigo me ver tocando em um palco morno e confortável.

Dessa vez a banda parece mais centrada e sólida. Qual é a diferença?

A diferença é que tocamos juntos há três anos. Você pega algumas coisas com o tempo, mesmo se algo sai dos trilhos, sabemos como voltar, entre nós quatro. Você aprende os hábitos de todos e até o que certos olhares significam.

Com menos coisas no palco na última turnê, o foco principal pareceu estar mais na música. Veremos o retorno de um “Show Grande” desta vez quando estiverem em turnê com o Rob Zombie? Há algo novo e animador que o Manson vá trazer desta vez? 

Pessoalmente eu penso que sempre fizemos um show grande. Mas essa turnê será um grande espetáculo com uma abordagem diferente das outras turnês. Temos uma nova produção e show, novo setlist… os fãs vão gostar.

 

Com a maneira com que a indústria mudou, parece que os fãs de rock também mudaram. O Manson está apto a acessar essa nova geração “fast food” de fãs de rock?

Eu pessoalmente acho que Marilyn Manson é uma das únicas bandas de rock restantes que importa e esses termos e regras nunca parecem se aplicar aos fãs de Manson. Vi jovens bem fanáticos que têm 13 ou 14 anos, então eles não estavam ali quando The Beautiful People, The Dope Show ou até mesmo mOBSCENE saíram. A experiência deles com o Manson começou no The High End of Low ou The Pale Emperor. Acho que os fãs de Manson não seguem a mesma mentalidade que outras pessoas que vão a shows de rock. 

Como foi a turnê pelos EUA?

A turnê norte-americana foi ótima no sentido de que eram datas remarcadas e o público parecia mais intenso. Chicago e New Jersey foram os destaques.

Você está se preparando para uma turnê europeia. O que isso difere dos EUA?

A melhor coisa sobre a Europa é que os públicos usam menos o celular. Na minha experiência, o público europeu foca mais no momento.

Você tem trabalhado em outros projetos?

Quando não estou em turnê eu faço trilhas sonoras de uma natureza mais obscura. A maioria de terror. Recentemente fiz a trilha de um filme chamado Terrifier que sairá em breve. É o melhor filme slasher que vi desde os anos 1980. O lançamento em vinil da trilha também sai em breve.










Cry Little SisterTattooed in ReverseKILL4MESAY10We Know Where You Fucking LiveMarilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016)


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