Processo de salvação

Entrevistas com o Marilyn Manson não são um compromisso fácil. Enquanto o mestre da provocação dificilmente autorizou qualquer conversa com a mídia sobre seu último álbum, “Eat Me, Drink Me,” dessa vez há pelo menos a possibilidade de uma entrevista por telefone, de Los Angeles, onde Manson gerencia todas as relações públicas de sua propriedade. Depois de vários adiamentos na primeira tentativa, o que finalmente acabou em outra negação, além de mais demoras na segunda tentativa (Manson tende a exceder suas entrevistas), o Americano número um em criar situações embaraçosas finalmente está no telefone e pronto para falar sobre seu novo álbum, “The High End of Low” – ele está fazendo isso como uma tempestade, sem parar uma vez se quer, cheio de entusiasmo. Depois de tudo, Manson tem estado em uma drástica crise privada, que ele segurou com sucesso através de seu novo álbum. Embora o nome “Evan Rachel Wood” não tenha sido mencionado uma vez durante essa entrevista, é fato que o rompimento com a atraente atriz, que ele amou apaixonadamente no vídeo da “Heart-Shaped Glasses,” deixou grandes marcas, que – com o apoio da arte – tiveram que ser digeridas.

A entrevista começa com uma pergunta sobre o último álbum, “Eat Me, Drink Me,” que mostrou Manson de um lado reduzido e incomum e não foi exatamente bem-vindo por muitos fãs, e revela a primeira controvérsia. “Eu prefiro considerar o “The High End of Low” ao “Eat Me, Drink Me” como um álbum de rock n´ roll mais discreto, mesmo que seja desconsertante caracterizar suas próprias produções, porque um artista ou produtor nunca é realmente imparcial,” diz Manson que, imediatamente, procede do lado musical para o lado pessoal. “É muito difícil para mim escutar ao “Eat Me, Drink Me” hoje em dia, desde que eu não estive envolvido nesse álbum do mesmo jeito que estou com o álbum atual – especificamente em 100%. De uma maneira similar eu não estava muito envolvido na vida no geral naquela época. Realmente não sei como olhar para esse álbum em retrospectiva. Assumidamente eu gosto do álbum, algumas músicas são fantásticas, mas outras me fazem chorar ou eu não as entendo mais, porque não sou mais a mesma pessoa. Você pode avaliá-lo como um álbum de rock n´ roll. Mas não acho que contenha nenhuma daquelas emoções dolorosas que eu tentei expressar. Essa é a grande diferença para o “The High End of Low””

Outra diferença impressiva entre o “The High End of Low” e “Eat Me, Drink Me” é a formação, considerando que o último álbum foi composto, produzido e gravado com o Tim Skold, dessa vez o ex-membro Twiggy Ramirez voltou à banda e ajudou Manson – uma reunião que Manson declara como sua maior sorte dos últimos anos.  “Não hesitei por um momento, como Twiggy e eu profeticamente nos encontramos ano passado,” ele explica. “Foi insignificante e fútil que eu tenha deixado ele sair da banda e então deixei Skold como substituto. Mas eu o trouxe de volta imediatamente, conversamos sobre a possibilidade de fazer música juntos novamente após a um longo tempo. Foi a hora para acontecer.”

Mas a separação não foi de todo o mal, desde que Ramirez, cujo nome verdadeiro é Jeordie White, ganhou experiência valiosa entre 2002 e 2008, quando tocou com o A Perfect Circle, Nine Inch Nails e Goon Moon. “Durante nossa separação, Twiggy fez várias coisas de que ele é orgulhoso. Ele aprendeu muito e tornou-se uma pessoa diferente musicalmente. Ele era guitarrista no passado e então tocou baixo na banda. O que a maioria das pessoas não sabem, é que ele costumava gravar as guitarras da banda no estúdio. Entretanto, acho que ele não estava apto a mostrar ao mundo – ou pelo menos para mim – seus passos até agora.”

A nova harmonia encontrada entre Manson e Ramirez é refletida de uma maneira inconvencional de composição, que foi caracterizada por um grande espírito de otimismo e, ao mesmo tempo, pela atitude “foda-se” que caracterizou a banda nos anos anteriores. “Começamos diretamente a composição para o “The High End of Low” depois de tocarmos alguns shows juntos, sem mesmo ter tirado as coisas das nossas malas,” o cantor relembra. “Tentamos abordar tudo que fizemos anteriormente – sem maturidade, ressentimento ou inteligência, o que frequentemente nos prendia depois. Percebemos que há várias pessoas que rondam os artistas apenas porque é sua maneira principal de fazer dinheiro com eles. Eles não estão interessados em criatividade ou arte. Isso não faz deles maus, mas eles destroem tantos bons artistas, e muitos artistas também se destroem assim. Dessa vez não quisemos prestar atenção a quem está nos pagando. Haviam apenas algumas guitarras e microfones, e casualmente começamos a escrever músicas. Twiggy tocou exatamente a música que eu queria ouvir. Fora disso, o álbum que nós sempre quisemos fazer de repente saiu, e não entendíamos mais por que não fizemos sempre desse jeito.” A vida pode ser muito fácil.

Em consideração de completar isso, tem que ser mencionado que o “The High End of Low” não foi um puro projeto-de-dois-homens.
“Chris Vrenna também estava envolvido, ele que foi o “adulto” da situação, já que o Twiggy e eu somos completamente caóticos.” Manson nos deixa saber. “Chris também escreveu músicas e estava apto a nos segurar um pouco, porque jogamos no mar todas as regras, por exemplo, em termos de modo de produção. Um bom exemplo é “Four Rusted Horses,” uma música que fica no lugar de oito ou nove faixas no álbum. Todas elas foram gravadas exatamente como soam agora. O álbum é bem cru e eu gosto disso, não é super produzido. Tivemos a ambição de gravar a música crua, que contei o tanto de primeiras tomadas possíveis do que todos os detalhes corretos que outros contam como erros, mas na minha opinião representa o charme e a personalidade do álbum.

Você frequentemente é manipulado pelas gravadoras, porque artistas passionais tendem a ser influenciados por outros. Essas não são coisas que vão completamente contra o seu gosto, mas se você vai dormir à noite, você pensa, todavia, que essa não é mais a visão que você tinha – se você apenas fez desse jeito ou do outro. Nos shows, você sempre observa a diferença e percebe que a música da banda contém mais espírito, poder, fúria ou sexo quando tocada ao vivo. Dessa vez percebi bem rapidamente o que perdemos, porque acabamos de voltar de uma turnê.”

O álbum foi produzido pelo Sean Beaven, que já tocou a maior parte do sucesso do “Antichrist Superstar.” Mas anteriormente foi necessário achar um conceito. “Eu não sei se todos os músicos fazem isso quando escrevem um álbum, mas nós nos fechamos e tentamos interiorizar que tipo de história queremos contar e como queremos fazer isso,” o artista refere depois e reconta como música, letra e um filme imaginário em sua cabeça tornaram-se unidos. “Comecei filmando minha casa e tentei reconciliar os eventos: Em uma mão, a reconstrução da relação com o Twiggy e na outra mão – ao mesmo tempo, mas não necessariamente relacionado – a resolução do romance com minha ex-namorada e a confusão que foi mão em mão com isso. Eu não sabia mais se eu era o diretor do filme ou apenas um ator.” E se você acredita no Marilyn Manson, sua casa, sem dúvida, parecia um set de filmagem durante o desenvolvimento do álbum. “Eu tinha máquinas de fumaça e luzes de filme na minha casa,” ele garante. “Elas parecem ótimas nas fotos e filmes, mas também na vida real. Eu sei que não é normal e ridículo e é exatamente o que você esperaria de mim. Mas é real. Sim, eu pareço ser completamente insano para algumas pessoas, mas você não pode tirar isso da forma de criatividade sem o desespero e a paixão que tenho dentro de mim.

E como aquele conceito por trás do “The High End of Low” pareceu concreto?

O Twiggy teve experiências parecidas, como eu, e tentamos descobrir como podemos achar nosso lugar nesse mundo. Quis fazer um álbum sobre nós, caindo do paraíso e então se encontrar na vida. É também sobre como alguém como eu pode sempre encontrar amor nesse mundo. De novo e de novo as pessoas cometem o erro de desistir de sua independência. É como a história de Lúcifer. Ninguém vai te amar se você não for você mesmo. Não é fácil de ver isso quando você está escrevendo, porque a distância da sua própria vida está faltando.”

Então o “The High End of Low” é como seu antecessor, um álbum completamente autobiográfico, talvez o álbum mais pessoal da discografia do Manson, porque é sobre os últimos dois turbulentos anos da vida privada do músico. “O álbum é a história,” ele diz. “Se alguém me perguntar o que aconteceu comigo nos últimos anos, vou dizer sobre os eventos no álbum. Mas eu os falo de um modo diferente do que fiz no “Eat Me, Drink Me,” porque, dessa vez, os acontecimentos são retratados de um jeito estranhamente canalizado.” Muitas coisas ocorreram através do isolamento e solidão que Manson teve que levar após o rompimento com a Evan Rachel Wood. “Eu ia ao quarto de gravação toda noite, de Novembro até Janeiro, e gravava meus vocais.” Ele relembra. “Esse foi o primeiro período da minha vida que eu estava vivendo completamente sozinho. Isso talvez não seja nada especial para algumas pessoas, mas eu saí da casa dos meus pais para começar uma banda de rock n´ roll, estar em turnê e morar em hotéis na maior parte do tempo. Então eu estava morando junto com meu melhor amigo, Twiggy, mas eu o perdi.

Depois disso tive 3 longos relacionamentos com mulheres, então estava em uma situação que era completamente nova para mim. Fui confrontado com muitas coisas. Mas acho que a escuridão vem antes de cada noite” As últimas três músicas no álbum descrevem esse período em épica amplitude. O final é introduzido com o título significativo, “I Hate to Look Up Just to See Hell.” “Começa com o amargo conhecimento, que é impossível achar amor nesse mundo,” Manson diz. “Você tem que olhar para o mundo e o programa de televisão. Tudo é uma merda aqui na América. Vai com a raiva que eu deixo entrar, que eu desisti de tudo. Eu, que comecei a carreira mijando na cara das pessoas.” Ele está falando sobre “Into the Fire,” uma quase-balada dramática com piano, que não é normal para uma música do Manson. “Precisou de um toque musical do Ginger Fish, que tocou bateria nas outras 14 músicas, mas nessa foi piano e, Chris, Twiggy e eu precisamos para expressar isso. Não foi um típico final feliz de Hollywood, mas é bem cinematográfico e eu não poderia imaginar um final mais dramático para o álbum. Na minha opinião – e acho que muitas pessoas vão concordar – o solo de guitarra que o Twiggy toca nessa música, é o solo mais excitante que eu já escutei. Mas não vou falar isso pra ele, se não seu ego vai inflar muito (risos). Estou muito orgulhoso dele, e pensei que depois dessa música, o álbum estava completo. Foi dia 3 de Janeiro, acho. O final não estava muito esperançoso. Eu decidi, ok, vou sobreviver à esse tempo difícil. Mas não tenho que destruir tudo porque estou mais forte agora. Vou ser frio e não terei mais sentimentos. Então quis dizer para todos como segurei essa crise. Esse é o meu orgulho, minha raiva e isso sou eu – como eu estava no começo, só mais cruel e sem esperança.”

Mas depois de um tempo, Manson não quis deixar o final sem mudar. “Então eu escutei a música de novo e notei que eu não estava dizendo isso. Enfim, agora estou sentado no meu quarto e olhando para a letra da “Into the Fire,” que está escrita na minha parede com batom. A maioria está manchada e eu não lembro como subi tão alto para escrever ali, acho que eu estava apoiando em algo. Passei a véspera de Natal e Ano Novo completamente sozinho. A única coisa que eu estava en contato, era com a minha gata, a única mulher que eu amo e tenho meu relacionamento dos sonhos (risos). Ela também é a única mulher que não é uma besta. Então há estranhamente uma mulher morando comigo que ainda é virgem.” De novo e de novo Manson perde a linha de raciocínio e fala coisas confusas. Mas está claro, ele queria formar o final do “The High End of Low” diferente, então fez a música “15,” que é bem experimental. “Havia algo faltando, e no dia 4 de Janeiro – o dia anterior ao meu aniversário – eu fui ao estúdio por volta das 23:00 para gravar algo mais. A conclusão desse filme musical não poderia soar mais dramática, mas realmente aconteceu assim. “15” é uma música sobre salvação, e se você percebe isso, você tem sua independência de volta. O número 15 é muito significativo por vários motivos. Meu ano de nascimento é 1969, e 6 e 9 é igual a 15, meu nome, Brian Hugh Warner, tem 15 letras, e 15 simboliza a carta do demônio no tarô. As primeiras palavras que sairam de mim estão no álbum – a melodia e as palavras estavam simplesmente ali. Minha abordagem era que a história não deveria acabar comigo reclamando e chorando. A história que começou com o “Eat Me, Drink Me” e eu esperava ser romântica e duradoura até a morte. Eu estava de saco cheio e queria desistir se eu não pudesse ter o amor que eu queria. Mas quando eu gravei/cantei “15,” eu não era mais essa pessoa. Eu não queria que esse história fosse toda/só sobre mim, eu queria contar isso como um autor, embora não tenha uma melhor personagem que possa ser baseada além de mim e as pessoas em torno da minha vida. Porque foi uma real oportunidade e uma real transformação, que não poderia ser comparada a nada que eu tenha falado ou escrito. E eu não tenho que explicar, porque quero que as pessoas escutem isso e associem às suas próprias experiências. É uma história que pode acontecer com qualquer um. “ Então esse final alternativo teve o alvo para fazer as músicas universalmente acessíveis e não um processo de um relacionamento falido. “No final do álbum eu quero contar a uma pessoa, que sente-se machucada em sua vaidade, que isso não é sobre ela – embora ela me machuque e vice-versa.” Manson diz e você pode imaginar a qual ex-namorada ele está se referindo. “Com “15” eu quero ter certeza que sobrevivi a esse drama do meu jeito e que não vou chorar. Quero contar uma história e uma esperança, que as pessoas sintam algo com isso. Não tinha feito isso antes e estou bem orgulhoso. Quando escuto o álbum agora, me sinto bem.”

Depois que Manson falou sobre seu propósito para a criação de seu novo trabalho, a entrevista oficial está acabada. Mas autorizada está a questão se um shock rocker rebelde pode criar música digna de confiança aos 60 anos, ou se ele tentaria outros tipos de arte, como escrita ou quadros. “Há dois aspectos na música e eles relacionam ao que eu disse sobre a criação desse álbum: composição e performance,” Manson diz. “Não sei se isso sempre será parte do meu papel nessa vida. De novo e de novo eu pego em um ponto onde eu faço coisas que são possíveis nos meus próprios limites e força. Então crio coisas que eu amo fazer assim. Se for adequeado (para mim) performar aos 60 anos, porque amo isso e é o que quero fazer como um artista, eu farei. Mas de jeito nenhum vou me manter longe da música. Você pode ser um compositor sem apresentar as músicas ao vivo. “ Verdade, especialmente que ele se sente forte e motivado como nunca, depois que ele resistiu à crise e, novamente, ele quer realmente saber? O Manson de 40 anos não parece senil. “Posso assegurar que isso, o que as pessoas veem em mim hoje e o que as pessoas viram em mim no passado, está de volta. Quero dizer, o ânimo que tive por causa da reunião com o Twiggy e a criação desse álbum.  O poder divino de fazer música que as mulheres bonitas gostam. Agora eu vou ser o que era no começo da carreira, só que melhor. Nunca vou ser completamente feliz, mas tenho minha fé de volta, que os bons e maus momentos se balanceiam. E isso me anima. Nunca estou contente, porque nunca alcanço um ponto onde eu acho que não poderia fazer melhor.”

E antes do Manson ir para a próxima entrevista por telefone, perguntamos a ele se seu consumo de álcool aumentou por causa de sua própria linha “Mansinthe.” “Para ser honesto, eu bebo mais outro absinto do que meu próprio, porque acho que é muito forte pro meu estilo de vida.” É uma resposta surpreendente. “Eu bebo muito absinto e o “Mansinthe” tem o conteúdo mais forte de vermute – então crianças com menos de 3 anos não deveriam bebê-lo (risos). Acho que deveria ser usado para propósitos criativos. Aprendi algo que você não pode aprender em um sofá de psiquiatria ou em um encontro de alcoólicos anônimos. Beba e use drogas quando você está de bom humor, mas não quando você não está bem! Isso faz sua vida melhor. É bem simples, mas efetivo. Sábias palavras de Marilyn Manson.” Ele diz, ri e deixa um estranho silêncio na linha.

Setlist indisponível.

Vídeo

Intro/We´re from America

08/11/2009 @ Spektrum, Oslo, Noruega

Fonte: OsloSpektrum.no

 

“É, estou em Kansas,” diz Marilyn Manson, com uma voz sexy – sim, você leu certo – e cordial. “Na cidade.” Ele especifica, com uma risada, “Que não é em Kansas – infelizmente – é em Missouri.”

Quando você é Australiano e nunca esteve em Kansas, você imagina Dorothy, Toto, casas voadoras. Não dá para reconciliar completamente a imagem de um cavalheiro impressivo – com o rosto todo pintado, um olho estranho – uma jaqueta toda de couro batendo por trás dele,  esperando no meio de uma vasta pradaria. O homem às vezes conhecido como Brian Warner ri, “É, é um pouco assim. De fato, estivemos nessa parte do mundo porque acabamos de tocar em Denver, o que é sempre, sabe, um evento para mim desde Columbine.”

O “evento” de Marilyn Manson em Denver normalmente significa algumas milhares de pessoas protestando sua existência nos anais do mainstream, fazendo história e citando sua influência diante de um definitivo tiroteio em uma escola, enquanto outras milhares de pessoas congregam em seu apoio, e no apoio de um conceito bizarro: respeitar as próprias crianças, ao invés de deixar um estranho fazer isso através de uma música.

Onde uma vez houve tragédia – e ainda é uma angústia – a experiência de Marilyn daquela posição geográfica agora é mais otimista, e durante o andamento da nossa conversa, fiquei feliz que minhas suposições sobre ele estavam certas. Ele é um cara otimista. O alegado Satanista e negociante da morte diz, “Acho que foi a melhor parte da turnê. Foi ótimo ver as coisas girar; que o mundo percebe o que é a arte. É para fazer as pessoas sentirem algo, não tira as coisas fora do mundo.”

“Se eu for culpado por tiroteios em escolas, então eu quero, sabe, algum tipo de prêmio, porque acho que fui culpado mais do que qualquer um,” ele diz em um tom nem um pouco absurdo, tingido com humor e ironia. À parte, ele adiciona, “O ano que eu nasci, os Beatles escreveram Helter Skelter, provavelmente o primeiro exemplar de música que já foi associado com o ato de violência. E, claro,” ele suspira confuso com um sarcasmo mais sutil ainda, “está relacionado ao Marilyn Manson.”

“Não há objetivo em tentar fazer eles apurarem,” ele diz calmamente, “parte de ser o vilão ou o anti-heroi é desfrutar da estupidez daqueles que acham que são os heróis. [Para perceber] que quando você senta e assiste a um filme ou lê um livro e você vê o quão fúteis os moralistas são, primeiro, você provavelmente nunca poderá mudar suas mentes.”

Criando essa percepção, é claro um sem-cérebro para o Marilyn, mas renunciando-se a isso, é um jeito fácil que ele quase não consegue tomar. “Parte de mim – como alguém que quer colocar coisas no mundo, como um artista – eu pelo menos tento colocar alguma dúvida em suas mentes. Eu pelo menos gosto de mudar seus jeitos de pensar.” Ele conclui que é possível redirecionar o pensamento de alguém porque, “Alguém fez isso comigo em um ponto e isso é por que mudei meu jeito de pensar. Eu estava indo para a escola Cristã, memorizando versos da Bíblia... os supostos,” ele lança uma leve risada, “oficiais religiosos que estavam preocupados com minha alma eterna decidiram tocar alguns álbuns do Led Zeppelin ao contrário. Aquilo foi o que eles fizeram errado, porque achei legal.”

Algo de um homem do renascimento, Manson também é um pintor e produtor de filmes, com um filme sobre Alice no País das Maravilhas, do autor Lewis Carroll nos projetos. Como ele decidiu em qual ambiente apresentar suas ideias? “É bem instintivo [e] também muito prático. Gosto de pintar no chão. Coloco um cobertor que tive por anos, que é coberto em manchas – sei como isso soou... manchas de tinta,” ele deixa claro antes de continuar alegremente, “Eu pinto no chão. Não é contundente [estar em turnê no] hotel Ritz Carlton e eu realmente não posso, ao mesmo tempo, ter tanto espaço e tempo necessário para escrever música enquanto estou em turnê, então torna-se um tempo e espaço para tudo. A única coisa que eu sempre posso fazer é escrever.”

Eu pergunto, “Você acha que já falou muito? Você gostaria de manter algo privado? Não é para dizer que você não tenha pensamentos privados que ninguém ainda tocou...” Ele interrompe com uma risada à ideia de alguém tocar seus pensamentos privador antes de responder, “Eu escrevi meu livro antes de estar realmente famoso, então eu contei tudo para todos. Eu acho, não quero que ninguém tente e me faça sentir mal sobre o que eu sou em qualquer maneira. Quero começar no fundo absoluto com absolutamente tudo conhecido. Então apenas tenho mais.”

Ele confessa que aquela teoria deu resultado. Ele achou que realmente houve um lugar abaixo que ele pensou que fosse o fundo. O lugar o deu boas-vindas depois de uma espiral declinante de relacionamentos terminados – platônicos e românticos – fizeram o rumor de batalhas firmes e, presumo, a pressão de apenas ser Marilyn Manson. Ninguém gera protestos de fúria apenas por ir trabalhar.

“Acho que a única verdade de alcançar o fundo é quando você não se importa que é o fundo. Eu sobrevivi à experiência de perceber isso.” Com sorte, Marilyn se importou que ele estava no fundo. É apesar  – ou talvez por causa – disso que ele decidiu se impor o tempo “eu” que estava em ordem e optou por viver sozinho pela primeira vez. “Outras pessoas têm me equivoado – no passado – por não estarem aptas a viverem sozinhas. Eu gosto de estar sozinho. Não quero dizer emocionalmente, sabe. Gosto de estar comigo mesmo.”

“Para mim soa, eu não sei, para outros humanos, parece totalmente normal ter passado através daquela experiência, [mas] eu fui de morar com meus pais, começar uma banda, ir em turnê, morar com meu melhor amigo [Twiggy], então fui através de uma série de longos relacionamentos, vivendo com... as garotas que eu estava.”

Em retrospectiva, ele se pergunta se a perda que ele sentiu depois de seu “rompimento” com o Twiggy não foi evitável, “porque não estávamos putos, apenas não entendíamos como lidar com uma luta, porque nunca tivemos uma.”

No legado de seu relacionamento mais recente, entretanto, ele se encontrou no fundo acima citado e, curiosamente, entrou em contato novamento com seu melhor amigo, Twiggy Ramirez (Jeordie White) – uma parte integral da formação original da Marilyn Manson, além de ser a força criativa, e agora, como parte integral do lançamento mais recente de Marilyn, The High End of Low.

Esperançosamente, sua reuinão irá significar um “revival” permante de seu relacionamento criativo e profissional, mas mesmo se sua queda falhar, um catalisador também foi criado para auto-reflexão, percepção e otimismo para Marilyn. Não para mencionar, um sílex para fazer faísca de ideias criativas para o novo álbum.

Com seu velho parceiro de volta, Marilyn forçou-se dentro de uma solidão, desabastecendo diante dos feriados e trabalhando direto para finalizar o disco em seu aniversário, 5 de Janeiro, por isso o título da última faixa, Fifteen. (faz sentido se você pensar).

Enquanto Marilyn é simplesmente muito inteligente para estar alto na ideia do feliz-para-sempre, e sua personificação musical é obscura demais para mudar, como um homem (amável e engraçado até então) ele está pronto para encarar adianta e pensar sobre as coisas boas que esperam por ele.

“Há muitas razões para estar feliz. Enquanto eu consegui as pequenas coisas que tenho, vou lutar por elas. Mas não preciso de mais nada. Descobri que posso sobreviver sem ninguém ou nada. Mas,” ele assinala, “não significa que eu queira.”

 

FasterLouder.com.au

Foram adicionados mais cinco artigos na nossa seção "Por Trás da Música," entre eles, dois já falando sobre o The High End of Low! Os cinco artigos colocados são:

 

Marilyn Manson | Logo Celebritarian Corporation

Logo do coração entrelaçado Eat Me, Drink Me

Eat Me, Drink Me - Logo Garras do Vampiro

The High End of Low - Pretty as a $

The High End of Low - Referências Líricas (Obrigado novamente ao Rafael pela tradução)

 

E também gostaríamos de avisar que nosso primeiro artigo traduzido já foi publicado também no Nacktkabarett! Para ver, clique aqui.

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