Marilyn Manson disponibilizou oficialmente o stream de seu novo disco, The Pale Emperor, uma semana antes do lançamento. O link oficial é pelo site Genius.com, mas ele não está disponível para o Brasil. No entanto, a LAB 344, distribuidora do Manson aqui no país, disponibilizou o disco através do Rdio, e é possível ouvir abaixo!

Letras e traduções disponíveis neste link, basta clicar no nome da música!

A entrevista original, em Inglês, publicada no site Noisey, pode ser lida aqui.

Eu conheci Marilyn Manson no quarto de hotel onde ele estava, em Kensington. Depois de apertar sua mão, ele disparou pela sala procurando onde sentar; em um sofá de 3 lugares ou em uma das duas poltronas enquanto seu empresário tentava persuadí-lo a entregar o copo que estava nas mãos dele. Enfim, ele senta no chão com as pernas embaixo de si. Eu sento, de pernas cruzadas, em uma poltrona. Parece um pouco com uma sessão de terapia infantil e, neste momento, é difícil de ver como alguém tão obviamente malicioso poderia ser considerado o único mensageiro da morte social.

Mas desde o lançamento de seu primeiro disco, Portrait of an American Family, em 1994, Manson ocupou um espaço onde sexualidade, violência e ameaça pública se entrelaçam. Ele enfrentou níveis absurdos de críticas, desde alegações de mal comportamento sexual até ser culpado de 36 massacres escolares incluindo o massacre de Columbine, em 1999. Quando você está sendo estapeado com processos de ação coletiva com uma frequência que envergonharia Napster, qualquer outra pessoa pensaria em fazer parte do reinado um pouco, mas não Manson. Não, ao invés disso, ele se tornou um ministro da igreja de Satã, se retitulou como Deus da Foda, e, depois, como o Anticristo, só pra ter certeza de que nenhum cristão tivesse dúvidas sobre sua religião.

Mas quando a carreira de um artista se torna tão envolvida em percebidos ''valores para chocar'', pode se tornar difícil de evoluir. Entre 2007 e 2012 ele lançou um trio de álbuns estagnados, um deles incluiu um single chamado Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon. Em sua maioria, no entanto, o trabalho de Manson segura um espelho e reflete na cultura pop a pior parte de si nela própria, enquanto, simultaneamente, fornecendo uma barreira por trás, em que ele pode dar uma boa risada de nós todos.

Eu, como todo mundo, estava interessada em saber onde Brian Hugh Warner, o jornalista de música jovem de Canton, Ohio, foi parar. E Marilyn Manson, o que se transveste e esfrega sua virilha na cabeça de seguranças por diversão começou. Mas o homem que eu conheci estava entre os dois: Marilyn Manson, comprou recentemente uma casa, espectador de seriados da hora nobre da TV, como Hannibal e Sons of Anarchy (que ele participa) e pai noivo de uma gata que deve ser sempre chamada pelo seu nome completo, Lily White, porque "ela odeia a palavra cunt". Esta leve, mas notável, mudança de vida parece que teve um efeito positivo em The Pale Emperor, seu décimo álbum de estúdio, e, discutivelmente, seu álbum mais definitivo desde o Antichrist Svperstar, de 1996. 

Durante a entrevista, ele desvia-se do assunto, levando a conversa pra onde quer que ele ache que deveria ir, o que é representativo de sua carreira, no geral. 

No caminho para conhecê-lo, nós (eu e Kylie, editora do Vice Fashion-At-Large) pensamos que seria uma boa ideia presenteá-lo com algo pra quebrar o gelo. E quando eu digo presente, eu quero dizer um unicórnio gigante e rosa de pelúcia que nós pegamos de uma loja de cartões na estação da Rua de Liverpool. Ele tira da sacola com suas luvas de couro pretas, diz ''que porra é isso?'' e então se recusa a soltá-lo pelos próximos 30 minutos.

Qual foi a coisa mais esquisita que alguém já te deu? Por favor não diga que foi o meu.

Foi o seu. Não, brincadeira. Eu acho que a coisa mais estranha que já me deram foi um cabide que pertenceu a Hitler.

Espera, como é? Foi no Natal? Quem te deu isso?

Aparentemente, um abortista. Não tenho certeza. Vou tirar minhas luvas, agora. O que significa que pode ser um sinal de perigo.

Eu vou arriscar. Então, sua música nova, Third Day of a Seven Day Binge poderia ser interpretada como um reforço ao esteriótipo de que você é um homenzarrão largado?

O que há de errado nisso?

Nada. Mas você acha que já foi, alguma vez, mal-interpretado?

Acho que você pode ser compreendido de forma diferente por todos, você não pode ser mal-interpretado. A menos que Mal-interpretado seja seu sobrenome. Olá, senhora Mal-interpretada. Seria horrível casar se o sobrenome de sua esposa fosse Mal-interpretada. Eu acho que Rachel Slur (NT: Termo que significa falar algo de forma incompreensível, embolado, como bêbados falam, por exemplo) seria um bom nome.

Você acabou de inventar isso?

Claro.

Então, a música...

Essa música é estranha. A primeira crítica da música dizia ''igualmente pegajosa e depressiva'' e eu gosto disso. Também deu 5 estrelas, o que é bom. Eu não gosto de críticas se elas não forem boas. Então quando eu estava escrevendo a música eu tinha uma ideia completamente diferente em mente. Eu estava pensando ''essa música vai manter muitas garotas na faculdade se elas forem strippers''.

Como?

Em parte, por causa da batida e o rítimo. Mas a música poderia ser interpretada, de forma externa, como sendo sobre drogas ou um relacionamento que deu errado. Ou bíblica. Essa é uma parte que eu acho que muitas pessoas não procuram saber - a extremamente simples ideia do que aconteceu na bíblia, no terceiro dia, Jesus ressuscitando dos mortos, etc e assim por diante. Eu digo etc e assim por diante por que me deixa puto quando as pessoas dizem etc mais do que uma vez. Tanto, que eu fiz uma tatuagem disso na porra do meu pulso. Logo, não vou poder me matar, nunca. Por que eu arruinaria minha tatuagem. Como eu sempre digo, de lado por atenção, de cima pra baixo para resultados. Você não vai ver eu me matando. Nunca.

Frequentemente sua carreira tem sido medida pelo choque. Você acha que as pessoas se tornaram mais facilmente ofendidas? Quando artistas como você e o Slipknot estavam aparecendo, as pessoas ficavam tipo, "Meu deus, eles estão falando sobre satã, merda e porra." Agora é mais, "Nossa, o Justin Bieber tem dirigido mais rápido que o permitido."

E ele não cagou e gozou?

Imagino que sim, mas não nesse momento em particular

Teve uma história de que eu fiz o Zac Efron cheirar uma carreira de cocaína no formato de uma suástica.

É verdade?

Não posso negar ou corroborar essa história, mas é engraçado. Quero dizer que o ponto é que você não consegue fazer um disco de rock n' roll sem ter nenhuma cicatriz, física ou emocional.

Como são as cicatrizes do rock n' roll?

Você tem que passar por um processo. Eu odiava o rock n' roll quando comecei. Foi na ponta do grunge e um monte de bandas que eu costumava chamar de "commonist rock" porque todo mundo queria ser o cara comum com camisa de flanela e o Pearl Jam e a luta deles contra a Ticketmaster e toda essa merda. O Nirvana era diferente. Essa foi uma das bandas que eu cobri primeiro como jornalista e vou adiante e digo que cunhei o termo "grunge" em uma review do Bleach. De nada.

O que você não gostava dessa época do rock?

Sempre fui fã de The Doors, e se você olhar para trás no rock n' roll - Elvis, Jim Morrison - nada mudou, sempre foi a mesma coisa. Tenho orgulho de ter nascido em 1969 porque foi o ano em que o primeiro disco foi culpado pela violência. O White Album dos Beatles. Charles Manson estava na capa da revista LIFE. O Altamont acabou o Summer of Love por causa dos Hells Angels. Estou no Sons of Anarchy e sou amigos de pessoas que podem ou não fazer parte dos Hells Angels, mas definitivamente andam de moto. E aquela foi uma época onde houve uma mudança completa em tudo. É onde eu fui gerado e não sinto que tenha mudado tanta coisa. Você pode se vestir de forma diferente, mas sempre vai ser a mesma coisa e não gosto de pessoas que fingem ser algo que não são. Isso poderia facilmente soar como baboseira, vindo de mim que estou segurando um unicórnio e usando batom, mas se você quiser brigar comigo, vá em frente. Eu apanhei à moda antiga e não com cyber bullying. Você quer saber como lidar com o cyber bullying? Desligue seu computador. Eu apanhei no ponto de ônibus. 

Voltando à cultura moderna e censura. Você acha que perdemos nossa capacidade de chocar?

Eu percebo isso, nos filmes, trabalhando no Sons of Anarchy eles me dizem coisas estranhas como, 'você só pode penetrar analmente um homem três vezes seguidas' ou 'você pode esfaquear alguém no pescoço três vezes.' Mas eu estava empolgado e esfaqueei seis vezes no pescoço. Não muitas na bunda. Mas essas regras são estranhas. Não sei se eles higienizam porque agora é muito mais violento do que costumava ser. Não me lembro de crescer assistindo isso. Agora você liga a TV é tipo, 'Ah, aquele cara com uma suástica na bunda fodendo o outro cara e então ele o esfaqueia, fim. E ele também é o Marilyn Manson, sendo lindo, com barba.'

Você tem um disco saindo em breve. A música nova tem uma vibe Southern Gothic. Você pode nos falar mais sobre ele?

Obrigado, você é a primeira pessoa a notar isso. A música foi feita pelo Tyler Bates. Às vezes eu toco tamborim - bem, um frasco de Vicodin - e acho que teclado talvez uma ou duas vezes. Mas na maior parte do tempo eu apenas ia e encontrava com o Tyler e tínhamos essa estranha ligação onde ele sentaria a uma certa distância de mim e dizia, "Olha, tenho uma ideia." E eu ligaria o microfone, colocaria os fones de ouvido e cantaria. E em grande parte das vezes eu estava escutando a música pela primeira vez.

Isso parece assustador.

Tudo que estou dizendo vai soar como um filme pornô homossexual, mas foi um jeito estranho de fazer o disco para mim. Tive que virar todo o meu mundo de cabeça para baixo.

Em que sentido foi estranho?

Eu comecei o disco no mesmo dia que olhei uma casa que ia comprar. Estava morando em um cômodo por três anos. Eu estava visitando a casa e fiquei apaixonado imediatamente com o quarto que parecia muito o escritório do Hannibal, do seriado. Fiquei apaixonado na hora. A pessoa que estava morando lá era o cara que atirou acidentalmente no Brandon Lee no filme O Corvo. Então eu fui de ver a casa até o estúdio do Tyler Bates e gravei a música Birds of Hell Awaiting, e quando fui até o banheiro fazer xixi eu vi a trilha sonora de O Corvo 2 pensei, "Ok, tem que ser." É parte da coisa toda. Então me mudei para a casa e comecei o disco e finalizamos, quase literalmente, o que é uma contradição, provavelmente em precisos nove meses.

Qual o útlimo tabu?

Culturalmente, não sei se há um último tabu. Acho que todos eles foram explorados em todos os degraus. Mesmo quando você assiste a seriados como Law and Order ou CSI ou coisas assim e zoam eles em outros programas porque é tipo "Semen! Abuso infantil! Encontrar um cadáver! Cabeça partida!" tudo isso. Eu não sei qual seria o último tabu a esse ponto, mas não estou procurando. Eu odiaria ser a pessoa que encontra o último tabu.

O que seria algo que a maioria das pessoas não sabem sobre você?

Elas talvez não saibam que eu parei de beber absinto.

Você não tem uma marca de absinto?

Sim, mas parei de beber por uma questão de vaidade. Tem muito açúcar nele. Senti como se tivesse me restringindo de estar em forma o suficiente para chutar a bunda de alguém. E também, sabe, quando você está mais em forma, faz seu pau parecer maior. Absinto é a mesma coisa que ter alguém com mãos pequenas segurando seu pau... quando você não bebe. Você está me deixando nervoso [olhando para o unicórnio]. Vou segurar isso todas as noites, é o meu travesseiro. Espero que não tenha um ânus.

Então você é o auto proclamado Deus da Foda. Você tem algumas dicas de sexo?

Não foda comigo.

Isso é uma dica de sexo?

Pode ser. Se você estiver se referindo a um menàge ou, tipo, sabe, como antigamente com as guerras civis quando as pessoas tinham que ficar em fila com armas e diziam, "Engatilhe!", se o sexo fosse assim, eu diria para não foder comigo, porque eu talvez seja um estilo mais Coração Valente. Seria um canalha. E você não quer levar um tiro. Na cara. Enquanto me fode.

Você acabou de se fazer rir.

Haha. Sim

Alguma coisa a mais?

Um estilete deixa qualquer calcinha com um furo no meio. Esse é o real segredo da Victoria.

Recentemente você disse em uma entrevista que o racismo é uma palavra composta, então dado a tudo que está acontecendo em Ferguson, estou interessada em saber sobre o que você acha que o "racismo" significa hoje em dia?

Isso foi uma coisa estranha que eles tiraram fora de contexto, mas achei legal que de repente virei o professor da etimologia da linguagem. O que eu acho é que não há palavras para eu, como uma pessoa branca, ficar ofendido. E eu também não acho que se você diz alguma palavra que é para ser considerada racista, que ela sempre vai ser. Se você não diz com malícia, só vai ser racista enquanto darem poder à ela. Se você pega um punhado de jogos de palavras, as embaralha e sai alguma palavra, é para ser considerado racista? Penso que não. Era a isso que eu estava me referindo quando disse que "racismo é uma palavra composa." Acho que, agora, eu provavelmente diria que as pessoas que ficam mais ofendidas com comentários ou eventos racistas ou coisas que são criadas para gerar controvérsia na televisão não são as pessoas afetadas por elas. É geralmente algum telecaster branco. Calma, telecaster é uma palavra? Não, é uma guitarra.

Você quis dizer 'broadcaster'?

Sim. Acho que é ignorante generalizar sobre qualquer coisa. Você pode me chamar de misógino, às vezes, talvez, mas você conhece pessoas em uma base individual e diz olá e essa é a diferença entre eu no palco e fora dele. Estou falando com pessoas agora. No palco, ainda não as conheci. Estou cantando para pessoas que ainda não conheci. Isso se aplica à toda minha falta de habilidade de entender ser julgado ou julgar alguém. Eu não carrego um martelo por aí. Se eu carregasse, eu usaria para bater em alguém que me julgou. Eu bateria de volta. 

A primeira vez que pudemos ouvir um trecho de Cupid Carries a Gun, foi quando ela foi usada como a música de abertura do seriado Salem (assista aqui). Após isso, pudemos ouví-la inteira quando a banda a tocou nos shows na época do Halloween, em Outubro/Novembro do ano passado (assista aqui) e agora, exatamente duas semanas antes do The Pale Emperor ser lançado oficialmente, a música foi liberada para streaming no Spotify e também para quem quiser comprar pela iTunes Store! Além de ter sido publicada no Youtube com um vídeo mais ilustrativo, nos mesmos moldes de Third Day of a Seven Day Binge.

Leia a letra e tradução aqui!

Manson foi entrevistado pela revista Britânica Classic Rock, onde fala sobre o The Pale Emperor, a importância do disco, o relacionamento com seu pai e mais. Confira, na íntegra, a transcrição e scans!

    

    

O Homem da Ressurreição

Um casamento despedaçado, um rosto cortado, 200 mil dólares gastos com drogas levaram Marilyn Manson a uma espiral decrescente. Mas com o estrelato na TV e um novo disco inspirado pelo pai, veterano da Guerra no Vietnã, o "Mefisto de Los Angeles" está de volta dos mortos.
 
O Natal de 2008 foi um caso solitário, mas espetacular para Marilyn Manson. Papelotes de cocaína foram pregados à parede de uma casa temporária, onde ele também havia escrito as letras de seu último álbum. No curso do dia de Natal, ele cortou seu rosto e mãos com uma gilete por 158 vezes - uma para cada ligação com o coração partido para Evan Rachel Wood, sua ex-namorada de 21 anos. Sua habilidade de tornar seu corpo e lar em arte mórbida, mesmo quando estava em um baixo retrocesso, era impressionante. A depressão de um homem que uma vez gostara de seus excessos era inegável.
 
Regalando um jornalista com seu conto de Natal alguns meses depois, Manson mencionou um gasto de 200 mil dólares em drogas. "Eu não tenho nada," ele disse. "Perdi tudo e peguei de volta, e estou feliz de morar em um hotel." Ele chegou em um hotel em Londres para falar com a imprensa Britânica em Junho de 2009, chapado de absinto e cocaína, com uma mulher sob seus ombros e soltando incoerências. No mesmo mês, dois dias antes de sua turnê mundial começar em Berlin, sua gravadora não fazia ideia de onde ele estava.
 
Antigos amigos viraram agora desdenhadores dessa figura que já fora icônica. "Drogas e álcool mandam na sua vida agora e ele virou um palhaço dopado," disse Trent Reznor, produtor do sucesso vendedor de sete milhões de cópias, Antichrist Svperstar. "Ele costumava ser o cara mais esperto de todos."
 
Um ano depois, a Interscope Records o tirou da gravadora, refletindo sua costante queda nas vendas no século 21. Sua importância a uma geração de jovens desafeiçoados ficou difícil de ser lembrada. O rockstar antes conhecido como Brian Warner já foi um para raios para as forças Americanas mais opressivas e perigosas. Ele era inteligente e articulado o suficiente para resistir aos ataques verbais e ameaças de morte daqueles que os viam como a incorporação de tudo que era podre no mundo. Sua armadura intelectual nunca foi tão forte - ou mais necessária - do que quando ele foi erroneamente acusado de inspirar o massacre em Columbine em 1999.
 
Mas desde o Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death) de 2000, tudo tem ido ladeira abaixo. Seu casamento com a estrela burlesca Dita Von Teese em 2005 durou um ano, com o divórcio preparado pelo affair de Manson com a atriz Evan Rachel Wood, com 19 anos na época. Ele não conseguia nem compensar lançando bons discos. Eat Me, Drink Me (pós Von Teese) e The High End of Low (pós Wood) foram deploráveis em todos os sentidos. "Comecei a pensar que não tinha mais sentimentos," ele confessou em 2009, "então por que se importar?"
 
Em 2012 veio o Born Villain, colocado como um retorno à forma. Não foi nada do tipo. O estado de espírito do Manson foi resumido no título de uma de suas faixas:Disengaged (NT: "Descompromissado").
 
Agora, em 2014, o Anticristo, de repente, acordou. Seu novo álbum, The Pale Emperor, é realmente um de seus melhores em pelo menos uma década. O molde do pesado rock industrial dos tempos recentes tem um novo brilho. Há músicas, e foco, e letras miradas com alegre precisão.
 
O Manson que está em seu quarto escuro no hotel Keningston, não tem mulher sob seus ombros, nem substâncias caindo de seu nariz. Sentado com seu rosto branco se aproximando, iluminado pela única luz que ele acendeu, ele fala constantemente, sem parecer confuso ou tagarela, mas calmamente contido.
 
A parte ruim é que Manson não está do lado confessional. Como ele canta em The Mephistopheles of Los Angeles do novo álbum, "I don't know if I can open up/I've been opened too much" (NT: "Não sei se posso me abrir/Já fui aberto demais"). Nem a mulher da gravadora sentada no quarto ajuda, fazendo um sinal no momento em que mencionamos cocaína. O relógio está batendo alto enquanto tentamos chegar ao coração da ressurreição de Marilyn Manson.
 
Ele certamente tem lido mais do que nunca. Jokey parabeniza que o The Pale Emperor significa que ele finalmente passa o Thin White Duke e provoca Calígua. The Mephistopheles of Los Angeles, que fala sobre o pacto de Fausto, era para ser o nome do disco e o coração do álbum.
 
"Se nos apegarmos à história de Fausto," ele diz, "e se eu tivesse naquela história, e tivesse vendido minha alma por fama e fortuna, e tivesse a arrogância do personagem naquela história, de não querer pagar de volta o acordo, me levou alguns anos para eu entender que eu estava ouvindo: 'Manson *bate na mesa*, o inferno está te vindo te buscar.' E esse disco é o meu pagamento. É a minha devolução ao que me foi dado, ou tirado, não tenho certeza. Tanto Fausto como Mefisto existem dentro de mim. Você não pode ultrapassar seus demônios. Você tem que lidar com eles eventualmente."
 
Que evidência ele viu de Satã batendo em sua porta, pedindo pagamento?
 
"A evidência está em mim entendendo que eu precisava fazer algo que estivesse acima das minhas próprias expectativas, minhas próprias regras. Se você acredita em alguma mitologia, e você quer viver sob esses comandos, eu tive que dizer a mim mesmo: 'Eu não estou fazendo o que é para eu fazer.' e eu tentei me convencer que eu estava. Não me arrependo dos últimos discos que fiz, mas desde o Holy Wood... Eu não tenho feito algo com a pura falta de medo e raiva e força (de antes)."
 
Manson reconhece, então, que a década de seu divórcio até seu novo álbum foi pior que a dos anos 1990?
 
"Bem, o tempo é muito difícil para eu entender," ele diz. "Não é linear. Digo, frequentemente nós temos isso *apontando para a escuridão do quarto* e eu não consigo te dizer que tipo de dia é. Mas acho que parte de mim está imobilizada. Ainda estou no ciclo de quando comecei isso, aos 23 anos, quando deixei minha casa e entrei em turnê. E eu realmente nunca senti a passagem do tempo. Nesse disco, eu percebo. E aproveitei aquela época da minha vida. Há partes que foram ótimas, e partes que foram ruins. Mas eu disse a mim mesmo que acredito que é mais importante ser uma pessoa que tem tudo para ganhar que alguém que não tem nada a perder. Então eu fiz um disco com esse sentimento."
 
Onde quer que o Manson se coloque, auto piedade não está na agenda do The Pale Emperor. "Esse disco era eu não escrevendo sobre isso. Escrevendo algo com gingado e confiança, sem qualquer tipo de medo como um pavão ou um elefante, que não tem joelhos, então eles não podem ajoelhar diante de nenhum Deus... Li isso uma vez em um livro Junguiano sobre sonhos," ele adiciona, uma coisa à parte que você não espera ouvir de nenhum outro rockstar. "Eu sabia a história que queria contar, porque era a minha história, que qualquer um poderia entender, como o blues. A história é, você entra neste mundo e você está sozinho, e no final do dia - alerta de spoiler! - você irá morrer sozinho."
 
A corrente de eventos que levou Marilyn Manson a redescobrir quem ele era e o que ele fez de melhor teve muito a ver com seu pai, veterano da Guerra do Vietnã, Hugh Warner, que fez uma viagem épica em 2014, do estado natal de Ohio, afundado no centro oeste conservador, até Los Angeles. "Eu não sabia por que ele não viajava de avião," Manson diz. "Ele disse que era porque queria espalhar as cinzas da minha mãe na Rota 66. Porque minha mãe morreu no Dia das Mães - obrigado, mãe."
 
Manson estava assistindo ao filme Apocalypse Now quando seu pai chegou.
 
"Eu estava na cena onde Robert Duvall está na praia, onde Charlie não surfa. Bombas estão caindo e ele nem reage. Pausei o filme e meu pai entrou e disse. 'Esse é o retrato mais fiel do Vietnã.' E ele disse que era muito difícil ser alguém que mata pessoas, e então chegar em casa e esperar viver uma vida normal. E eu nunca recebi uma explicação do meu pai sobre isso."
 
Manson pediu a seu pai para fumar um baseado com ele - incrivelmente, uma droga que o cantor nunca experimentou.
 
"Ele me disse coisas que nunca tinha ouvido antes, em toda minha infância. E eu disse, 'Pai, você vai gostar do disco.' Então, enquanto uma música no disco como Killing Strangers não tem a ver com ele, o disco se tornou muito sobre meu pai e minha mãe."
 
O desejo de ter vínculo com seu pai também o levou a ter uma parte como um supremacista branco no seriado Sons of Anarchy, da FX. Os três meses de gravação deixaram muitas mudanças, o que ajuda a explicar sua atual saúde pessoal e criativa. Basicamente, ele tinha que levantar cedo para trabalhar.
 
"É o seriado favorito do meu pai," Manson diz. "Então eu tentei estar nele para conseguir trazê-lo para Los Angeles, para estar no set. Uma vez que comecei a trabalhar nisso, mudei completamente meu estilo de vida. Virei de cabeça para baixo. Tinha que levantar às seis da manhã. Então as pessoas ficavam dizendo, 'Quem porra é você? De pé ao meio dia? (extremamente cedo para o noturno Manson), O que você está fazendo?' respondi, 'Estou trabalhando.'"
 
A mulher da gravadora está nos apressando. Mas ainda há coisas a descobrir. Manson não é o tipo de suportar uma conversa ao estilo do Lou Reed, e condenar substâncias que uma vez consumira. Mas seu humor reluzente, com dicas de terapias Californianas substituindo os antigos incitamentos, sugerem que o novo álbum o fez dele um novo homem.
 
"Parei de beber absinto faz umas cinco semanas," ele admite. "Tinha muito açúcar nele. Assisti a um documentário sobre como o açúcar afeta o cérebro humano e absinto tem mais açúcar que vodka, então troquei por vodka. Mas isso não significa que eu esteja sóbrio. Acho que tem mais a ver com o fato de eu ter entrado em um treino de luta, só queria ficar mais... ciente. Suas sinapses cerebrais começam a disparar de forma diferente, e você se encontra com menos necessidade de preenchê-lo com dopamina e adrenalina que as sinapses precisam.  Meus amigos que me conhecem bem não entendem. 'Você está treinando e acordado ao meio dia. Quem porra é você?' Bem, surpresa. Quando você achava que me conhecia, você viu que não."
 
Manson era um grande amigo de Hunter S. Thompson antes do autor de Medo e Delírio, atirar em si mesmo em 2005. Até a lendária constituição e arte de Thompson, sofreu com seu consumo de drogas e bebida. Isso ajuda a explicar o trabalho recente sem foco do Manson? O homem que uma vez viu seus porres como uma gloriosa decadência, admite que já fez sérios esforços para tomar as rédeas, indicando uma visita a reabilitação.
 
"Bem, o que aprendi quando estava entediado, quando fui a um hospital psiquiátrico, a uma reabilitação," Manson responde, "eram as regras simples. Beba quando você estiver de bom humor, não quando estiver de mau humor. E não fume crack, porque crack te deixa pobre. Cocaína também - na verdade te deixa pobre. E com a heroína você morre, e metadona deixa seus dentes terríveis. Nunca fumei metadona ou injetei heroína na vida, porque tive muitos amigos que morreram com essa merda. Isso foi baseado em uma simples observação, não em julgamento."
 
As sinapses agora disparam em todos os cilindros, reabilitação é só uma memória. OThe Pale Emperor foi feito por um Manson afiado e responsável. "Percebi que preciso me focar mais em criar do que destruir," ele diz. "No passado eu ia ao estúdio com receio. Agora você não conseguia me parar. Se tivesse uma parede com mulheres nuas, eu diria: 'Foda-se, vou para o estúdio.' Mas nem teve uma parede de mulheres nuas..."
 
"Vamos ter que cortar aqui," ordena a mulher da gravadora, agora ficando em pé em frente a nós.
 
"Mais uma pergunta?" pergunto suavemente.
 
"Se for bem rápido," ela resmunga.
 
"Se você me der vodka," Manson ri. "Vodka e uma pergunta."
 
Aqui vai. No período em que ele estava lançando aqueles álbuns fracos, que o The Pale Emperor os superou, o homem que uma vez já foi o coração do insulto Americano sente sua potência cultural sumir?
 
"Não acho que as pessoas lembrem de algo que fiz ontem, imagina dez anos atrás," ele diz. "Vamos me comparar a um pau. Potência, coração - sem precisar de viagra. Essa nova música é o meu pagamento ao meu acordo com o demônio, ou qualquer caixa metafórica que eu tenha criado para o passado. Eu vim aqui para foder com tudo. E eu precisava lembrar disso."
 
O barulho do trânsito começa a ser ouvido do lado de fora, mas Marilyn Manson de repente faz parecer que não está indo a lugar nenhum. Ele não soa como o Deus da Foda, mas como um tipo de filho que um veterano da guerra que mora no centro oeste ficaria orgulhoso.
 
"Sou o tipo de pessoa que defende suas morais. Tenho algumas regras. Se alguém tentar foder com o que eu acredito, o que eu amo. Você tem que ter vontade de morrer pelo que você faz. Eu quero morrer? Não. Eu sou fácil de matar? Não. Se você me foder vai se machucar? Provavelmente. Eu protejo o que importa para mim. E isso é um cara que defende sua moral. E essas morais são ditadas por mim, e não por alguma religião fraudulenta, ou alguns egos, ou algumas pessoas que não conheço."

Manson completa hoje 46 anos de idade!

Só podemos desejar o melhor para ele e sua carreira, e que o The Pale Emperor seja um enorme sucesso!

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21.07 @ Metal Hammer Festival
22.07 @ Junge Garde
24.07 @ Metaldays 2017
25.07 @ Rock in Roma
26.07 @ Villafranca Castle
28.07 @ QStock 2017
31.07 @ Stadium Live
02.08 @ Sport Palace
04.08 @ aken Open Air
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