A Universal Music nos mandou um scan do Jornal O Globo falando sobre o The High End of Low. A matéria é muito boa! Confira a transcrição e o scans abaixo:

 

Por fora, bela guitarra; por dentro, um pãozinho bolorento dos diabos

Marilyn Manson suaviza o som, mas não as letras, em mais um bom CD

Por: Bernardo Araujo

O conceito sempre foi a espinha dorsal da música de Marilyn Manson, eventualmente em detrimento das próprias canções. Em vários de seus discos, principalmente na década de 1990, época de seu estouro, o cantor anteriormente conhecido como Brian Hugh Warner caprichava na maquiagem, no figurino, nas letras – em que se caracterizava como o Anticristo Superstar – e, apesar de algumas boas ideias, as músicas raramente refletiam a competência do artista. Não à toa, a versão para “Sweet Dreams”, do Eurythmics, foi o maior sucesso do MM por mais de uma década.

Separação motivou o sombrio disco anterior
Mas agora tudo mudou: Manson deixou de lado o pseudônimo perverso, usa jeans e camiseta e gravou um disco acústico. Mentira, claro. Para a sorte dos bons apreciadores de um bom shock-rock, ele, aos 40 anos, continua esquisitíssimo, mas seu som de fato está diferente em “The High End of Low” (Universal), mais orgânico, mais suave, mais (ele certamente vomitaria sangue preto ao ler isso) humano, mais pop. A parcial guinada pode se dever a vários fatores, como a volta do velho parceiro Twiggy (que, este sim, deixou de ser Ramirez, ficando apenas com o nome empresatado da modelo, e não mais com o do serial killer), no baixo, guitarra e produção, e a simples ausência de uma tragédia como a separação de Manson da pin-up Dita Von Teese, que o levou a uma profunda depressão, exorcizada no bom disco “Eat Me, Drink Me” de 2007. Twiggy volta para o lugar do sueco Tim Skold (que voltou a gravar com Sascha Konietzko, seu companheiro no grupo KMFDM), fiel escudeiro do Manson na maior parte dos anos 2000. No disco, a banda é completada por Chris Vrenna (teclados e coprodução) e pelo baterista velho de guerra Ginger Fish, que ainda gravou o piano de “Into the Fire”.
Apesar de ter a assinatura de Manson em todas as músicas, “The High End of Low” é, possivelmente, o disco mais pop na carreira do cantor: seu apreço pelo rock gótico dos anos 1980 aprecem em músicas dançantes como “We’re from America” e “Blank and White”, além da balada “Running to the Edge of the World”. Apesar de usar e abusar das programações e outros efeitos digitais (a voz, por exemplo, continua , processadaça), o disco soa de fato mais humano, o que é no mínimo irônico em se tratando de um cantor que se fez passar por um alienígina na capa de um de seus discos mais bem-sucedidos, “Mechanical Animals”, de 1998 – algumas críticas no exterior, aliás, saúdam “The High End of Low” como um retorno àquela fase.
Se tudo parece mais harmonioso na parte musical (em se tratando de Manson, que fique claro, é bom não esperar Damien Rice) as letras são o mesmo inferno de sempre: “Four Rusted Horses”, mais uma lenta e macabra, descreve um enterro: “Todos virão/todos virão ao meu enterro/para ter certeza de que permaneço morto”, canta o cramulhão Manson. Duas canções criticam o modo de vida americano: “We’re from America” (que lembra na temática e no refrão, “Amerika” do grupo alemão Rammstein) ironiza a onipotência do país, dizendo “Somos da América, somos da América/Onde comemos nossos jovens/(...) Onde Jesus nasceu/Somos da América/E falamos americano”; "Blank and White" critica as adolescentes americanas: “Quero comemorar/Quero vender-lhes ódio/Hoje é o dia em que vocês vão morrer/Seus demônios querem dar um adeus apropriado”.

“Minha dor não tem vergonha de se repetir”
Inteligente, talentoso, calculadamente ousado, faltava a Marilyn Manson – que já se aventurou por mídias como a literatura e os filmes – equilibrar os elementos na arte que exerce melhor. Desde “Eat Me, Drink Me”, ele vem dando mostras de que menos agressividade na produção e nos arranjos pode resultar em música de melhor qualidade, o que transmite melhor suas ideias. Como ele mesmo canta em “Devour”, que abre o disco: “Minha dor não tem vergonha de se repetir”. Cantando muitas vezes cada refrão, aumentando a intensidade da emoção na voz a cada passagem, ele atinge seu auge.

Manson postou um boletim no MySpace da banda e também adicionou algumas fotos. Ambos podem ser vistos abaixo:


Morte:

Estou muito ocupado, mas não inapto da comédia daqueles jornalistas, etc. etc. etc. Quero fazer uma oferta humana, para vocês, que são tão corajosos em dizer o que pensam. Seus endereços são mais baratos que seus salários, e vocês não são "críticos". Vocês são ocupantes tolos da sepultura. Marquem minhas palavras. Vocês querem torcer o meu rosto, minhas respostas, meu amor, mais do que deveriam estar preparados para encarar o mundo que eu vou defender... um mundo de... crianças que só querem atirar em escolas. Esse é o seu medo? E antes que eu sugia, aquilo deveria ser você... Então... ou entretanto, ou etc. etc, etc...

 

Sua vida é sem significado, tanto quanto somos.

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Alguns vídeos do Download Festival:

Intro/Four Rusted Horses (Opening Titles Version) (trecho)

Disposable Teens

Sweet Dreams (Are Made of This)

Manson e Slayer foram entrevistados na última edição da revista Revolver. Eles irão encabeçar o Mayhem Festival, que começa dia 10 de Julho nos Estados Unidos.

 

Créditos ao usuário Mechanical Worm - do MansonUsa - por fornecer os scans.

 

   

   

 

 

Essa não é a primeira vez que Marilyn Manson e Slayer vão para a estrada juntos. Vocês também encabeçaram a turnê em 2007. Já que vocês já tocaram juntos, é seguro assumir que a experiência foi boa?

Manson:  Foi ótimo. Tão ótimo que Kerry acabou tocando guitarra em alguns dos meus shows (em 2008), o que foi maravilhoso. Então por tudo, não haveria razão em não fazer de novo. Quero dizer, o que mais você vai fazer nesse verão? Gostaria de escutar uma sugestão: O que é melhor do que ver Manson e Slayer? Responda isso e eu te bato. E quando digo isso, eu digo que eles vão te bater (para o King). Ele é o músculo.

Kerry King: Ou pelo menos a circunferência. Não sei se é músculo.

Foi possível dizer de sua perspectiva se ambos públicos ficaram juntos na primeira parte dos shows do Manson/Slayer?

Manson: Não lembro, cara.

King: Porra, eu lembro. Havia fãs do Slayer, havia fãs do Manson e havia os fãs “Até que gostamos de ambos”. Nunca teve guerra, por qualquer motivo.

Manson: Não teve nada que estivéssemos preocupados por um segundo.

Tom Araya: Nunca teve nada em que estivéssemos ficado com medo, o que foi uma grande coisa.

Manson: As pessoas que estavam com medo eram mariquinhas e eles não estão em bandas, por isso estavam com medo. Nós fizemos o que fazemos melhor, e agora vamos fazer de novo. E dessa vez vai ser melhor ainda porque agora nos conhecemos e temos músicas novas, que vai ser um chute no saco de todos.

Manson, que papel o The High End of Low terá nas suas performances no Mayhem?

Manson: A maior diferença entre essa turnê e a outra é que eu e o Twiggy estamos juntos de novo. Ele é a pessoa que me introduziu ao Slayer, então é tipo um sonho de infância tornando-se realidade.

King: Quando eu toquei com vocês ano passado, com o Twiggy na banda, pareceu uma identidade diferente. É como o antigo Manson: Ficou muito mais perigoso do que da primeira vez que entramos em turnê.

Manson: Certo, e é onde estamos agora. Esse álbum foi tão fácil quanto voltar com o meu melhor amigo e apenas fazer música. Não é sobre algo que é legal, obscuro, pesado, não-comercial ou qualquer coisa contra o mainstream; isso não existe mais. É apenas sobre pessoas que querem aproveitar a vida e entender que o mundo está fodido. Nós fazemos música para esse tipo de pessoa, porque nós somos esse tipo de pessoa.

The High End of Low tem uma energia confrontacional ao seu ultimo álbum, Eat Me, Drink Me, de 2007

Manson: Tivemos uma escolha, que foi a mesma escolha ao longo da minha carreira quando todas essas bandas compraram pedais de distorção e guitarras de sete cordas: Você quer fazer um álbum pesado ou um álbum duro? Compare-o com o seu pau: Você quer ter um pau pesado ou duro? Com o pau duro você pode fazer coisas, um pesado é apenas opressivo. Então música pesada é sem criatividade, considerando que duro é o que o punk trouxe, o que o Slayer começou e o que eu quero fazer. Acho que duro é o ponto da música; pesado é apenas um tom. Todo mundo pode soar realmente pesado. Há apenas um peso que você pode ter:  há tantas opções de configuração que você pode ligar em uma guitarra... É o que você faz com isso, o que você diz em cima disso – e esse é realmente o lugar onde nos encontramos concordando na última vez em que entramos em turnê.

Kerry e Tom, vocês tiveram que se confrontar com a dicotomia pesada-dura ao longo dos anos?

King: Acho que não. (risos) Acho que apenas fazemos.

Tom: Apenas fazemos, cara. Quando fizemos nosso primeiro single, seguimos para sermos os mais rápidos e os mais pesados, e de certo modo colamos isso na nossa história.

Manson: Bem, eles inventaram, e eu tenho que viver na sombra disso.

King: Não estamos repensando! (risos)

Manson: Tenho que criar dentro da sombra do apocalipse que eles criaram. A segunda vinda de Cristo precisará de Viagra quando vier ao Marilyn Manson e Slayer.

Falando em fim dos tempos, a crise econômica atual é boa para o metal? Ou isso leva as pessoas para músicas mais felizes e tranquilas?

Tom: Depende da pessoa. Metal pode ser uma coisa boa, ou pode ser o gatilho. Se as coisas continuarem do jeito que estavam  - se as pessoas continuarem ficando chateadas por não estarem aptas a irem até a loja e comprar comida – talvez ficarão agitadas com isso.

Manson:  Se você estiver procurando por uma declaração inflamatória, vou fazer: Meu single chama-se “Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon” e na música eu digo, “Fuck the goddamn TV and the radio/I’m taking credit for the death toll” Quando vem de qualquer um na música que já foi culpado por pessoas serem assassinadas – ao lado dos Beatles que foram culpados primeiro por “Helter Skelter” – acho que nesse caso, temos os maiores hits da Billboard. Se eles querem me culpar pelo preço da morte, eu pegarei o Grammy. Mas esse não é o ponto.

Qual é?

Manson: O ponto é que os artistas estão pegando o lugar dos políticos quando eles gaguejam. Quando você vai para a cama à noite, sobre o quê você pensa? Música ou o que um político falou? Você pensa sobre música. Eu penso isso agora, em um tempo onde as pessoas não sabem em que acreditar, música é a coisa mais importante.

Araya: As pessoas dizem que nossa música tem as ajudado através de situações. O que é meio estranho, mas legal.

Manson: O que sempre acontece comigo quando alguém diz, “As pessoas escutam a sua música e são violentas” se isso é poderoso o suficiente para fazer algo ruim, então imagine o que o bom poderia fazer.

Com bondade na mente, essa é a última pergunta: Vocês podem nomear o que esse encontro entre Manson/Slayer irá melhorar diante do último?

King: Fogo.

Manson: Tenho sombrancelhas.

O site GettyImages publicou várias fotos do show de ontem, que aconteceu no Download Festival. Veja as fotos clicando aqui.

1. Intro
2. Four Rusted Houses (Opening Titles Version)
3. Pretty as a Swastika
4. Disposable Teens
5. Irresponsible Hate Anthem
6. The Love Song
7. Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon
8. Leave a Scar
9. Great Big White World
10. The Dope Show
11. WOW
12. Sweet Dreams (Are Made of This)/Rock n' Roll Nigger
13. The Beautiful People

Fotos:

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10.01 @ Van Buren
12.01 @ House of Blues
13.01 @ House of Blues
16.01 @ Fox Theatre
19.01 @ The Complex
20.01 @ Fillmore
23.01 @ Aztec Theatre
24.01 @ House of Blues
26.01 @ Shrine Mosque
27.01 @ Brady Theatre
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KILL4MESAY10We Know Where You Fucking LiveMarilyn Manson - Prêmio de Ícone pela Alternative Press (2016) Third Day of a Seven Day BingeThe Mephistopheles of Los Angeles


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