Nós do Marilyn Manson Brasil tivemos a honra de conversar com Tyler Bates, atual parceiro de composição, guitarrista da banda e responsável pelos discos The Pale Emperor e Heaven Upside Down, e vários assuntos foram abordados, desde o processo de criação de ambos os discos, passando pelos selists da banda dos shows, até a reconciliação do Manson com Trent Reznor e seus futuros projetos com trilhas sonoras.

Foi um papo muito legal que está transcrito na íntegra abaixo. Confira!

 

Tyler, primeiramente, MUITO obrigada por tirar um tempo e aceitar fazer esta entrevista conosco. Sei que você é um cara bastante ocupado, então isso é muito legal!

Então, minha primeira pergunta é sobre o dia que aquela coisa gigante de aço caiu em cima do Manson. Pelos vídeos que vi, a banda inteira ficou bem preocupada, e principalmente você. O que você pensou no primeiro momento que viu aquilo acontecendo?

Bom, ele é meu amigo, então claro que fiquei preocupado. Mas minha primeira preocupação foi que ele não estivesse seriamente machucado, sabe, alguma coisa na cabeça ou coluna, mas quando você faz shows com o Marilyn Manson qualquer coisa pode acontecer. É uma pena, mas ele está se recuperando muito bem e trabalhando para fazer o show daqui algumas semanas e depois irmos para a Europa.

O show do dia 5 de Novembro vai acontecer?

Sim.

Como está a recuperação do Manson? Ele vai cantar sentado em um trono ou algo assim, igual ao Dave Grohl recentemente? Ou ele está bem o bastante para andar pelo palco?

Não posso divulgar detalhes da próximas performances do Manson, mas te garanto que ele vai incendiar tudo!

Acho que li todas - ou quase todas - as entrevistas que você deu recentemente e em uma delas você diz que não conseguiria tocar em todos os shows da turnê Europeia por causa dos seus compromissos com trilhas sonoras, mas isso foi antes do Manson se machucar. Agora que a turnê precisou dar uma parada e você teve mais de um mês para trabalhar em outras coisas, você vai conseguir tocar nesses shows?

Parece que eu vou conseguir, sim. Gostaria de tocar, é só uma questão de que tenho um projeto significativo para começar e estou no meio da composição do The Exorcist, então quando estou em turnê com o Manson eu tenho um estúdio no meu quarto de hotel e trabalho de lá (risos).

Você pode nos falar sobre o processo de criação do Heaven Upside Down? Li em uma entrevista que não foi diferente do The Pale Emperor porque você e o Manson gravaram tudo em seu estúdio, mas teve a mesma abordagem? Quando e como vocês decidiram gravar esse disco?

Foi criativamente semelhante ao The Pale Emperor; é essencialmente o Manson e eu em meu estúdio conversando e a partir dessas conversas uma música aparece. Eu sabia que quando ele veio até mim para fazer o The Pale Emperor, ele queria explorar o blues, então aquilo foi o que, pelo menos eu, considero a minha impressão do Marilyn Manson no contexto do blues, mas eu não queria fazer outro disco que soasse daquele jeito, então acho que essa foi a hora certa de trazer mais elementos agressivos e emblemáticos da música que eu e ele amávamos quando éramos garotos e também criar um disco que fosse um reflexo do que está acontecendo na sociedade, e além do mais o rock está bem chato na maior parte do tempo, então fizemos algo que queríamos ouvir.

A música do Manson sempre evoluiu de um álbum ao outro e o The Pale Emperor foi uma grande mudança em relação aos trabalhos anteriores, com aquele som de “blues quebrado” - como você já disse em uma entrevista. Era a intenção seguir essa linha mais puxada para o blues? Ou foi algo que veio naturalmente?

Nossa primeira conversa foi sobre isso, então mostrei a ele o que eu estava fazendo nesse contexto e foi algo que fez sentido para ele. Meu objetivo quando comecei a trabalhar com o Manson foi se livrar de tudo que ele tem feito por um bom tempo e essa foi uma oportunidade para a gente explorar uma dimensão diferente dele como pessoa e artista e revelar algo às pessoas que elas ainda não estivessem cientes antes daquele disco.

Foi divertido, gostamos muito de tê-lo feito e o Heaven Upside Down também foi bem divertido, um pouco mais doido e mais cru. Depois o Gil veio e tocou as baterias.

Eu fiquei - e ainda fico, já que não consigo parar de escutar o disco desde quando saiu porque ele está bom demais - bastante impressionada com todas as camadas e texturas no Heaven Upside Down - sou apaixonada pelos riffs da SAY10 - e isso era algo que não estava muito presente, não DESSA forma, nos trabalhos recentes do Manson. Como isso aconteceu? Porque a Tattooed in Reverse, por exemplo, soa como uma parede de sintetizadores, o que é incrível!

Obrigado! Falei para o Manson que queria fazer algo totalmente diferente e ele perguntou o que eu tinha em mente, e então eu comecei a fazer as músicas. A primeira música que gravamos para o disco foi WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE, e eu queria ter uma abordagem mais agressiva porque não tem muitos artistas no rock que conseguem fazer esse tipo de música e eu fico preocupado com a falta de ícones dentro do rock, então eu quis fazer um disco com o Manson que o solidificaria definitivamente. O processo de experimentação é algo que vivo todos os dias, então todos os dias eu tenho que escrever a melhor música que me pedem para fazer, no meu mundo como compositor de trilhas você tem de considerar qual é a história que o diretor está contando, e neste caso é essencialmente o Manson me contando de sua vida e eu escrevo as músicas baseado nessas conversas de imediato no estúdio. Mas no meu mundo, eu não posso apontar para uma trilha que fiz há dez anos, “é, eu fiz 300 e A Madrugada dos Mortos”; ninguém se importa com isso quando me contratam, o que eles se importam é que me chamaram para fazer a melhor música que posso agora. Já quando sou eu e o Manson são amigos fazendo música, não é um trabalho encomendado. Eu trago essa mentalidade para a nossa colaboração e ele sente que a música que estamos fazendo agora é a música mais poderosa da sua vida. Por mais que a gente ame os clássicos dele, ele está em um lugar diferente, ele viveu muita coisa desde The Beautiful People e The Dope Show, então… (risos)

E às vezes alguns fãs não conseguem entender isso. Eles acham que o Manson ainda está nos anos 90 e que tem que cantar quase sem roupa nos shows. E eu fico pensando, “ele vai fazer 50 anos já, fala sério”.

É, é inapropriado, mas o que é apropriado é ser a versão mais forte do que você é agora. A idade é um processo natural da vida. Sabe, se você é fã do Manson de verdade, as experiências de vida dele é o que você deveria querer saber e ouvir. Ele tinha uns 26 ou 27 anos quando o Antichrist Svperstar saiu e ele passou por MUITA coisa desde então e é interessante ouvir isso refletido na música de agora, no entanto que seja boa e inspire, mas se não inspirar eu entendo.

Muitos artistas chegam a um ponto da carreira que não fazem mais música boa, eles param de desafiar a si mesmos. Mas tem bandas como o Muse, por exemplo, eles estão na estrada há tanto tempo quanto o Manson e quando você escuta a música nova deles, você percebe que ainda são apaixonados pelo que fazem, ainda tentam fazer grandes discos. Então cada vez que eles lançam um trabalho novo, as pessoas querem ouvir, e não necessariamente pedem para tocar as músicas de 15, 20 anos atrás (risos).

É legal que o Manson tenha essas músicas, mas é, eu não sei se é bom para ele como artista tocar só o material antigo quando fisicamente, emocionalmente e mentalmente ele está muito mais engajado nesses dois discos que fizemos.

Tem uma coisa que eu, assim como muitos fãs, sempre nos perguntamos, e isso é só se for ok para você responder. Como você sabe, o Twiggy sempre foi o principal compositor da banda, da mesma forma que você é agora. Foi escolha dele não participar dos dois últimos discos? Uma colaboração entre vocês dois seria algo brilhante.

O Twiggy foi um colaborador desde… qual é o nome do disco?

Born Villain?

Holy Wood!

Isso, depois ele saiu.

Depois ele saiu, ficou fora por um tempo, aí o Tim Skold foi esse cara, o Chris Vrenna também ficou envolvido. O Twiggy voltou e se envolveu de novo.

Mas acho que o que aconteceu foi que que eu nem conhecia o Twiggy quando eu e o Manson fizemos o The Pale Emperor. A gente se aproximou só para ver o que sairia dali e criamos um espaço juntos e três meses depois nós fizemos o álbum. E depois veio a hora de dar os toques finais, mas o disco foi gravado quase na mesma época que eu o conheci na festa de aniversário do Manson.

Eu imaginei que foi algo não esperado. Eu não sabia nem que o Manson tinha uma banda naquele ponto, porque muita gente entrou e saiu ao longo dos anos e eu nem estava pensando em fazer parte disso, pra te falar a verdade. A gente fez o disco e o Manson me pediu para virar um membro da banda e eu finalmente aceitei em sair e tocar. Eu costumava sair em turnê um bocado.

Então, sim, o disco foi feito sem o Twiggy e acho que o motivo de ter acontecido é porque acho que chegou em ponto onde o Manson precisava de uma nova maneira de fazer música. Ao invés de ir para um estúdio comum, ficar em uma cabine com um monte de pessoas assistindo na sala de controle, acho que ele gosta da intimidade com que fazemos música no meu estúdio, que é literalmente um sentado próximo ao outro. A gente conversa e não parece que estamos gravando um disco. Acho que isso tira muito o peso e a pressão de precisar gravar tudo separado e com tempo. Eu faço toda a música na hora, todos os instrumentos, porque por causa do meu trabalho, com o tempo eu consegui ser um músico bem decente em todos os instrumentos, então conseguimos completar uma ideia de música ou conceito em uma sessão.

Então não, não teve uma agenda para excluir alguém, mas acho que a natureza da música que eu e o Manson estávamos trabalhando era específico de sua atitude e o que ele tinha a dizer e isso fica diretamente refletido em nossas conversas e colaborações, então, por exemplo, a música WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE. O segundo verso dela foi algo que eu ele criamos juntos com muito cuidado, então cada nota dela é específica e tem efeito no que ele estava fazendo. E acontece a mesma coisa com KILL4ME.

Amo essa música, ela é muito boa.

Obrigado! Cada nota na linha de baixo tem efeito em como o vocal dele se encaixa na faixa. Então não soa assim se você escutar por escutar, mas se você ouvir com atenção, tem certas notas no baixo que não são as mesmas sempre e isso tem um impacto em sua voz. Então uma vez que temos isso, ele não quer mudar. Ele gosta do jeito que toco baixo, mas eu não quis excluir ninguém, isso foi algo dele, do jeito que ele gosta e se sente confortável fazendo música.

É engraçado quando você diz isso de fazer música com o Manson através de conversas, porque parece que é fácil fazer uma música tão épica como Cupid Carries a Gun. Acho incrível que vocês sejam capazes de fazer isso apenas conversando.

Eu sempre imagino em um contexto cinematográfico porque todos os dias eu estou escrevendo músicas para filmes ou televisão, então agora eu estou terminando de gravar um cue para o The Exorcist e penso visualmente. Como isso vai funcionar visualmente, sabe? E emocionalmente. E acho que tem uma complexidade com o Manson porque ele viveu bastante coisa, então coisas que ele escreveria na época, não aconteceria agora, então como fã eu pensaria, “se eu amo esse artista, eu quero apoiar esse artista continuamente e não apenas ouvir mOBSCENE e The Beautiful People pelo resto da vida.” Ele gosta dessas músicas, mas sua mente e seu coração estão com o material novo e acho que os fãs conseguem sentir isso quando veem ele cantando as músicas novas.

Porque sabe, às vezes você vê bandas que estão na estrada há um tempo que tocam duas músicas do disco novo e nessa hora as pessoas na plateia vão pegar uma cerveja (risos) porque a música não é boa.

Mas essas músicas são bastante apaixonadas, a gente se importa muito com elas. Como eu disse, minha mentalidade sempre é de que eu tenho que sempre fazer a melhor música todos os dias da minha vida e eu quero manter essa mentalidade até morrer porque música é a minha vida, então faz sentido para mim.

Foi interessante você ter dito sobre as músicas novas ao vivo, porque outra coisa que sempre me perguntei foi sobre os setlists. Essa pergunta vai ser um pouco extensa, mas deixe eu explicar antes: Eu sou fã de Manson desde os 13 anos - tenho 26 agora - e sempre que a banda inicia uma nova turnê, eu gosto de saber quais músicas estão sendo tocadas, eu procuro por vídeos no Youtube e tal. E desde o Eat Me, Drink Me, eu sinto que o Manson poderia explorar muito mais o catálogo dele. São basicamente os hits mais famosos, duas ou três músicas do disco novo que ele está divulgando e só talvez uma ou duas músicas que a gente pode considerar como “diferentes”. Há um motivo para isso? Vocês conversam sobre ou é sempre escolha do Manson e não há muito o que fazer? Porque The Devil Beneath My Feet, por exemplo, deveria ter sido tocada durante toda a última turnê.

É interessante porque a banda ensaiou essa música por toda a turnê, tocávamos na passagem de som esperando tocar um dia. Tocamos Slave Only Dreams to Be King uma vez e foi incrível, mas acho que o Manson por algum motivo não se sentiu tão confortável. Tocamos The Mephistopheles of Los Angeles também. Acho que cai muito sobre o que é confortável para ele. Quanto às outras músicas… tirando The Beautiful People e The Dope Show e talvez Tourniquet, eu não conhecia as outras. Você citou mOBSCENE como uma música famosa, eu não me importo porque prefiro tocar Get Your Gunn ou algo assim, sabe?

Conheço essas músicas porque com o tempo ele foi mostrando para mim - ele falava de alguma música para mim e eu respondia, “não, essa eu não conheço”. Mas a gente toca o que for confortável para ele. Eu instigo ele a tocar coisas mais antigas que são interessantes, porque se eu ficar cansado de tocar uma música - e eu nem deveria ficar, porque não conhecia a música antes de tocar (risos). Sabe, eu não conhecia mOBSCENE, ela estava no setlist e eu tinha que tocar.

Mas ele tem uma mente aberta. A gente começou a introduzir cada vez mais músicas que fazia tempo que ele não tocava.

The Reflecting God é um exemplo.

É, tipo Great Big White World. Ele estava falando sobre tocar algo e eu falei, “Pô, cara, essa música é melhor” e estou dizendo isso porque sou objetivo, não tenho a mesma conexão que muitos fãs têm. Quero o melhor para ele. E se eu for estar em turnê com ele, eu tenho que tocar músicas que escrevi, porque senão não faz sentido eu estar ali porque tem muita coisa competindo pelo meu tempo, mas eu quero ver coisas ótimas acontecendo para ele e elas estão acontecendo e fico feliz de ver isso.

Mas no fim das contas é ele quem manda no setlist e eu vou tocar o que estiver ali.

Ainda sobre os shows, recentemente tivemos aqui no Brasil a confirmação de que vocês irão retornar à América do Sul em Maio. Estamos muito felizes com isso, uma vez que o show no Maximus Festival foi incrível! Você tem boas lembranças deste show?

Sim! Nos divertimos muito.

Você lembra quando um pessoal começou a cantar Cupid Carries a Gun e vocês começaram a tocar. Não sei se você ouviu, mas fomos eu e uns amigos que fizemos aquilo (risos)

(Risos) Sim! É muito legal quando isso acontece. Recentemente a gente começou a tocar KILL4ME, nos últimos três shows que fizemos e o público cantou tão alto que eu mal conseguia ouvir a voz do Manson. E foi legal de ouvir. Você tem de entender que isso não tem a ver com dinheiro para ele. Ele não liga pra isso, enquanto ele conseguir sobreviver ele não liga! (Risos). Ele se importa em ser um artista e viver sua vida. E estar apto a criar novas músicas, apresentá-la ao seu público e vê-los cantando é muito bacana para ele. É tipo um soco no estômago quando as pessoas só ficam animadas com o material antigo e notamos isso especialmente com o disco novo.

Estávamos tocando três músicas antes mesmo dele ser lançado na turnê que fizemos pela Europa no verão e o público respondeu muito bem, e isso é um bom sinal porque se você ama esse artista, você quer que ele continue criando e estando nesse propósito ao invés de lançar camisetas! (Risos)

(Risos) Sim! Em outra entrevista recente você disse que se tivessem câmeras em seu estúdio durante a gravação do The Pale Emperor, isso seria o maior reality show de todos os tempos! Você pode compartilhar alguns momentos marcantes das sessões do The Pale Emperor e Heaven Upside Down? Os que você puder falar sobre, claro!

(Risos) Não posso falar nada em específico porque qualquer coisa que aconteça dentro do meu estúdio é sagrado, tipo, você raramente vai ver uma foto minha com alguém. Quero que as pessoas saibam que quando elas vierem até o meu espaço, ele será bastante confortável e eles não vão precisar se preocupar. Eu sou um profissional, sabe? Não preciso catalogar a minha vida com fotos.

Coisas muito doidas aconteceram, mas é sempre divertido. Nada…

Caótico.

É, nada violento ou algo assim. O Manson e eu somos como irmãos, a gente se dá muito, muito bem e na maior parte do tempo estamos rindo. É isso que ele quer; me ver rindo e se divertindo. Mas é isso, aconteceram umas coisas doidas, mas de uma maneira muito engraçada. Mas não seria justo nomear quem estava no estúdio ou o que aconteceu, mas foi bem divertido.

Sempre que as pessoas te perguntam sobre como você e o Manson se conheceram, você diz que foi no Californication e tal - o que é uma ótima história, sem dúvida. Mas além disso, você diz que foi convencido pelo Manson a entrar para a banda e, com isso, você montou a nova formação. Foi ideia sua manter essa mesma formação para o Heaven Upside Down? Porque, não sei se você sabe, mas a última vez que o Manson teve os mesmos caras na banda ao vivo por dois álbuns seguidos foi em 2000, quando o Holy Wood saiu, então isso é algo bem grande.

Eu, o Gil e o Paul já éramos amigos antes do Manson. O Paul eu conheço há muitos anos.

Antes mesmo de eu tocar com a banda, o Manson me ajudou a montar essa formação, então sabe, eu conhecia o Paul e sabia que ele seria um ótimo integrante e o Gil é um baterista incrível e ele já conhecia o repertório do Manson e estava muito animado.

No The Pale Emperor, o Gil tocou todas as partes dele em um dia, o que é marcante, especialmente se for considerar que há muitos shuffles e essa é uma das levadas mais difíceis de serem tocadas depois de um tempo, tem que ter um groove para manter, é incrível.

Então, por todos serem amigos, ficou muito mais fácil para mim entrar e sair da formação, porque o Manson pediu para eu estar na banda o máximo que conseguir, mas ele também entende que eu estava fazendo o Guardiões da Galáxia e isso é muito importante e a gente tenta trabalhar isso e os caras são ótimos, somos próximos e acho que isso faz com que a turnê fique melhor, a performance fique melhor e todo mundo se diverte, sabe? Definitivamente é uma coisa muito mais próxima do que estava no passado no sentido de como a banda toca e como a relação de todos se desenvolve.

Todos sabemos que você é um músico de sucesso quando o assunto são trilhas sonoras. Há uma grande diferença na forma que você enxerga uma trilha ou uma música que escreve com o Manson? Eu li que você gosta de criar a música na sua cabeça e depois passar para os instrumentos. Você tem uma visão cinematográfica para ambos? Como isso funciona?

Acho que é mais uma sensibilidade. Não visualizo o filme que estamos fazendo enquanto escrevemos músicas juntos, porque trabalho com diretores e produtores e baseio meu trabalho em roteiros e aplico essa sensibilidade provavelmente no meu subconsciente para o Manson porque geralmente as músicas começam pelo que aconteceu em seu dia ou sei lá (risos), então a música começa a se formar na minha cabeça, daí começamos a tocar alguma coisa ou programar uma batida, passamos para o microfone e começamos a trabalhar nisso. Tocamos músicas juntos e uma música se forma a partir daí. Não é com ele vindo até o meu estúdio e a gente já tem a música. Uma vez que estou com ele, começo a trabalhar nos detalhes, é mais interativo com os vocais dele do que os vocais dele estando por cima de tudo.

Uma coisa que achei bem engraçada quando li foi quando você disse ao Manson que os vídeos para o The Pale Emperor eram inaceitáveis. E achei engraçado porque eu concordo com você, mesmo que não considere o vídeo para The Mephistopheles of Los Angeles tão ruim assim.

E também, você disse que o vídeo para WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE era para ser diferente, mas o Manson acabou fazendo com outra abordagem. Qual foi a primeira ideia que você e o Manson conversaram sobre ele?

Eu ia dirigir uma van, na verdade. Seria uma versão mais caseira na minha perspectiva. Mas foi legal que pelo menos esse foi um vídeo de verdade. E SAY10 ainda é bastante superior, na minha opinião.

Mas sabe, no disco anterior você tem de entender: eu trabalho com os melhores diretores e cineastas (risos) da indústria do cinema, então foi bem difícil para mim explicar o porquê daqueles vídeos serem uma merda! E o Manson foi uma grande influência para os videoclipes por muitos anos, ele tem alguns dos melhores videoclipes, então foi bem difícil para mim ver aquelas músicas que trabalhamos duro não serem bem representadas nos vídeos.

Mas discutimos sobre isso nesse disco e ele levou a sério e acho que está acontecendo, ele está trabalhando nesses detalhes e as coisas estão indo bem, então está legal, estamos muito pelo agora e ficamos felizes de ver as coisas indo em uma direção positiva, tirando o problema que ele teve na perna, mas ele está se cuidando e está melhorando.

Você usa o mesmo equipamento para suas composições com o Manson e o trabalho com trilhas sonoras?

Geralmente eu uso equipamento e software semelhantes, embora trilhas para filmes e seriados seja um set completamente diferente, então a abordagem não é muito parecida. Por mais que eu aborde o processo de composição com qualquer artista que eu colabore de uma perspectiva de “contar histórias”, não estou trabalhando com um roteiro e mídia visual como uma referência específica para o meu trabalho, que é o que faço com os filmes e seriados.

Quanto aos equipamentos, eu uso o Pro Tools como meu DAW (digital audio workstation) principal. Gosto do Pro Tools para composição e gravação em particular. Também uso o Logic como uma das minhas plataformas de sample. O sampler EXS24 do Logic tem uma interface intuitiva que gosto muito. Tenho criado centenas, se não milhares de sons personalizados para o EXS24, então não vou abandonar o Logic tão cedo. Também uso o Cubase e VSL para a composição de orquestras, que tem sido um aspecto principal da música que o Manson e eu criamos até agora, mas tudo é possível indo adiante.

Você tem a mesma liberdade criativa quando está em estúdio com o Manson da mesma forma que tem criando uma trilha? Quais são as principais diferenças?

O Manson e eu criamos a música que queremos ouvir e tocar ao vivo. Temos a licença para criar o que desejamos, sem a influência de outras pessoas. Quando estamos no meu estúdio, eu geralmente escrevo a música na minha cabeça baseado em qualquer tópico que estejamos conversando na hora.

Considero o desenvolvimento das músicas e discos como um processo de curadoria, onde a composição de uma trilha sonora começa com o aconselhamento do diretor, e continua a mudança até sua forma final baseado em ajustes estruturais, desenvolvimentos visuais, dados derivados de teste de exibição - e tudo continua até o final do processo de criação do filme, e isso exige música para responder de acordo à essas permutações, do início ao fim. Musicalmente falando, é como pintar um mural ao lado de um trem bala em velocidade!

Além dos discos que você gravou com o Manson, você disse que não conhecia todo o catálogo dele antes de tocar algumas músicas ao vivo. Você já teve a chance de ouvir aos outros discos? Qual o seu favorito e por quê?

Do trabalho anterior do Manson, acho que gosto mais do Antichrist Svperstar. Não porque seja o seu melhor disco da época, mas é porque pareceu vir do nada em uma época que o rock sentia falta de uma identidade distinta após o falecimento do Kurt Cobain. The Beautiful People levou o conceito de videoclipe a outro nível - basicamente dizimando a galera sem graça do shoegaze que não tinha certeza da onde ir com sua música depois que o Nirvana acabou. Também acho que inspirou as bandas que prosperaram nos anos 90 depois do ACS.

O que você tem ouvido recentemente? Alguma banda ou artista em especial? SAY10 tem batidas de trap. Você gosta de rap/trap?

Na maior parte do tempo eu estou compondo, então não tenho tempo para ouvir muita música. Adoro todos os gêneros, mas geralmente ouço música que meus amigos estão fazendo. Manson me mostra muita coisa que do caso contrário eu não estaria ouvindo, o que é também uma parte divertida de trabalharmos juntos. Não me entenda mal, eu ouço música o suficiente para saber o que está acontecendo, e vou a vários shows, mas quando não estou em turnê, estou no estúdio gravando.

Você e o Manson já pensaram em gravar um disco (o próximo talvez) como uma banda completa, com o Paul, Twiggy e Gil em estúdio em tempo integral? Fiquei pensando sobre isso porque você disse a ele sobre gravar um vídeo com a banda.

Parte do motivo de que eu e o Manson trabalhamos tão bem juntos é porque o processo de gravação é íntimo e espontâneo, e não exige ninguém além de nós dois para criarmos o que quisermos. O Gil tocou nos dois discos, e a banda tem um grande impacto na forma como as músicas novas são apresentadas ao vivo, o que é muito importante. Acho que seria divertido gravar algumas coisas como uma banda ao vivo.

Por fim, estamos criando a música do Marilyn Manson, então o processo que for mais confortável e inspirador para ele é o mais importante. 

Uma coisa que achei bem legal e bonita vindo de você foi quando disse que você e o Manson tem uma colaboração bastante apaixonada. Fale mais sobre o que você sente sobre ele, pessoalmente e como artista.

O Manson e eu nos ligamos através da música, que de várias maneiras é como viajar com alguém. Você conhece de verdade uma pessoa quando viaja com ela. Acho que a química que compartilhamos nos inspira a fazer o que amamos fazer, e também traz o melhor de nós dois. Através da experiência que compartilhamos ao longo dos anos desenvolvemos uma ligação que é pautada em confiança, respeito mútuo e apreciação pelo outro como artistas, que é o núcleo do que somos como pessoas.

Você tem algum processo específico para começar uma trilha sonora? Ou depende do filme que você vai trabalhar? Como por exemplo assistir os primeiros minutos para sentir como ele é e então começar a trabalhar nas músicas.

Cada trilha para filme ou televisão começa com a leitura do roteiro e discussão da história com o diretor em grandes detalhes, então eu ganho um esclarecimento mais profundo das sensibilidades únicas do diretor, o que me ajuda a apoiar de forma mais precisa a sua história com a música apropriada, e isso é totalmente relacionado ao processo de emoção e de como a história é contada. Eu tento começar o processo o quanto antes porque aí posso escrever a música que o diretor vai usar na filmagem. Isso nos autoriza a experimentar com ideias antes do processo se tornar exponencialmente urgente no processo de pós-produção. Várias sequências dos dois filmes do Guardiões da Galáxia foram filmados à música original que escrevi a partir do roteiro ou sequências pré-animadas que foram desenvolvidas para coreografar com várias cenas dos filmes. No geral, cada filme tem seu processo.

Recentemente Manson disse que ele e o Trent Reznor fizeram as pazes, o que é ótimo. Mas na primeira entrevista que li sobre isso, o Manson diz que isso aconteceu através de você. Você falou com o Trent antes deles conversarem?

É, eu encontrei com o Trent em um evento que estávamos e ele perguntou como estavam as coisas com o Manson e eu falei, “Ei, cara, por que vocês não conversam?”. Ele mandou uma mensagem para o Manson do meu telefone.

Fazia muitos anos que eles não se falavam e eu também falei para o Manson. “Olha, ele é uma parte importante da sua vida, você deveria dar uma olhada de novo no trabalho que fizeram juntos e se sentir bem com isso. Tem um vão entre vocês, por que não conversam? Tenho certeza que em 30 segundos vocês vão se sentir diferentes sobre tudo, vão ficar bem e seguirem suas vidas” e eles fizeram isso. E eles se sentiram muito melhores.

Isso é algo que acontece quando você está em alguma banda que gosta muito ou trabalhando com alguém criativamente. Às vezes as coisas podem desandar um pouco, e uma conversa depois de um tempo pode deixar as coisas mais tranquilas, então acho que agora eles estão se sentido muito melhor quanto à amizade.

Falando no Trent, ele também é ótimo com trilhas sonoras. Você gosta do trabalho dele com o Atticus Ross? Já pensou em colaborar com os dois?

Eles têm uma colaboração própria, sabe? O Atticus tem coisas que apoiam a relação dos dois. É coisa deles, não quero atrapalhar a relação criativa das pessoas. Se eu fosse convidado a fazer parte de algo, eu consideraria, mas sinceramente eu tenho minhas próprias coisas acontecendo e felizmente tudo está indo muito bem. Eu não mexo com as outras pessoas! (Risos)

Você vai trabalhar no John Wick 3? As duas trilhas anteriores são sensacionais!

Obrigado! Eu fiz a trilha sonora dos dois primeiros filmes com o meu grande amigo Joel J. Richard, e tivemos ótimas experiências com o diretor Chad Stahelski. Não tenho a liberdade de comentar sobre futuros projetos, mas a oportunidade de trabalhar com o Chad é sempre bem vinda. Ele é a personificação da palavra “fodão”!

O que podemos esperar de você para os próximos trabalhos com trilha sonora? Vi que você estava fazendo a trilha para o seriado The Exorcist - e quero assistir o mais rápido possível.

O The Exorcist é muito divertido. Estou trabalhando nele agora. É assustador e divertido. As pessoas envolvidas são maravilhosas de se trabalhar então fico muito grato pela oportunidade. Estou animado para o lançamento do The Punisher no mês que vem. O Steve Lightfoot e toda sua equipe fizeram com que esse seriado fosse uma grande experiência também.

2018 parece um ano bastante ocupado para mim, então não tenho do que reclamar!

Twiggy Ramirez, o integrante mais influente depois do Manson, não faz mais parte da banda.

Recentemente, Jessicka Addams, integrante da banda Jack Off Jill, publicou em seu Facebook um longo relato sobre os abusos físicos e psicológicos, além de um estupro, que sofreu quando namorava com o Twiggy no início dos anos 1990.

 A história veio à tona na mídia e Manson manifestou-se duas vezes. Da primeira, ele disse o seguinte:

Sei que a Jessicka e o Twiggy tiveram um relacionamento há muitos anos e considerava e ainda a considero uma amiga. Não sabia dessas alegações até recentemente, e fico triste pela óbvia angústia dela.

E agora, Manson publicou oficialmente uma nota nas redes sociais comunicando a saída do Twiggy da banda.

Decidi seguir caminhos diferentes com o Jeordie White enquanto integrante do Marilyn Manson. Ele será substituído para a próxima turnê. Desejo a ele tudo de bom.

Twiggy se pronunciou no Twitter dizendo:

Vou tirar uma licença do Marilyn Manson e lamentavelmente não estarei na próxima turnê. Quero passar esse tempo com a minha família e focar em manter minha sobriedade que já dura anos.

Twiggy deixa a banda após nove anos de seu retorno, em 2008. Desde então foram cinco turnês e dois discos gravados com a banda, The High End of Low de 2009 e Born Villain, lançado em 2012.

Seu substituto ainda não foi anunciado.

Tyler Bates, o homem por trás do The Pale Emperor e agora o Heaven Upside Down concedeu uma ótima entrevista para o site Goldo Sync Report e falou bastante sobre o novo álbum da banda, o processo de gravação e sua relação com o Manson. Leia a tradução abaixo!

 

Em honra ao altamente esperado lançamento de Heaven Upside Down do Marilyn Manson, estamos revelando a parte dois da nossa aprofundada entrevista com o primeiro e único Tyler Bates. Para os que não sabem, Tyler é a mente por trás das trilhas sonoras de Atomic Blonde, Guardiões da Galáxia, John Wick, Killer Joe e outros vários sucessos do cinema. Em nossa conversa imersa de sabedoria, Tyler oferece uma perspectiva dos bastidores da mensagem e identidade artística do Heaven Upside Down e compartilha seu mapa filosófico para o sucesso em seu meio.

 

Você fez a trilha sonora de enormes sucessos no cinema, filmes independentes, grandes seriados e jogos de vídeo-games populares. Trabalhou com os melhores da área e também é considerado um. Desde o início, qual foi a mentalidade que você teve de adotar para chegar a este nível de sucesso?

Se você olhar para a vida da perspectiva do que você tem e onde você está indo, você vai progredir. É importante mudar o foco do que você não tem, como você tem errado e o que você deseja que fosse diferente. Você tem de deixar as coisas não pesarem nos ombros e não ficar pensando em negatividade.

Para ter sucesso você tem de sair e conhecer gente. Eu tive um problema com timidez crônica, mas tive que encontrar uma maneira de superar isso e conseguir me apresentar para um trabalho. Me comprometi a mudar isso porque eu não tinha outras habilidades para ganhar dinheiro a não ser pintar casas, que já fiz um bocado de vezes.

Já fiz muita coisa, mas ainda sinto que estou no início de tudo. Não fiz nada e acho isso ótimo, não sinto como se tivesse feito ou sei lá. Tenho muito a fazer antes de pensar isso. O fato de eu receber telefonemas para fazer qualquer coisa é incrível e fico lisonjeado. Passei por muitas adversidades na minha vida, mas ao mesmo tempo eu estive rodeado de boas pessoas ao longo do percurso. Por causa dessas experiências eu não posso só achar que tenho mais valor ou que sou melhor que outras pessoas. Fico constantemente agradecido pelas oportunidades que tive. Nada disso se perde em mim.

Quais foram suas principais influências, seus mentores e colaboradores ao longo de sua jornada? Como eles moldaram seu desenvolvimento musical?

É difícil dizer. Se estivermos falando especificamente sobre trilhas sonoras, trabalhar com o Stephen Kay no The Last Time I Committed Suicide e depois em Get Carter criou uma enorme impressão em mim. O Stephen ainda é um amigo querido, mas ele definitivamente me fez sentir capaz de fazer este trabalho.

Minha mãe era uma grande entusiasta de música e ela é minha maior inspiração ou influência em amar música e fazer disso o meu ganha pão. Ela faleceu quando eu era adolescente, mas ela me encorajou. Ela nunca insistiu para que eu tivesse uma outra opção. Em geral, não acho que as pessoas devessem ter um plano B porque acredito que você irá usá-lo. Esse conselho tem ficado um pouco confuso para as pessoas quando pedem para que eu seja um convidado a palestrar em alguma Universidade.

Eu defendo que as pessoas invistam na educação, então elas podem ser efetivas no que fazem. É importante entender os diferentes parâmetros dos negócios. Como artista, você tem que aprender a criar oportunidade para si mesmo e monetizar seu talento. Se você tiver um plano B, você irá usar porque para a maioria das pessoas é difícil demais liquidar isso no nível mais básico. Qualquer trabalho de trilha sonora é difícil de conseguir, mesmo os de orçamento menor. Você tem de ter uma paixão tremenda pelo que faz e ter a capacidade de verdadeiramente entender as pessoas.

Quanto a minha jornada, eu não tive um único mentor. Por exemplo, eu tive aulas de guitarra aos 17 anos com um cara que ainda tenho contato em Chicago. Após trabalharmos juntos por três meses, ele disse, “Quer saber? Esqueça tudo que conversamos. Você tem um estilo próprio e não quero estragar isso porque ele é incrível. Você deveria fazer algo próprio.” Até hoje ele ainda me manda CDs e acho isso muito legal. Houve muitas pessoas influentes na minha vida.

Você produziu o The Pale Emperor, que é um trabalho triunfante e significou uma potente mudança artística para o Marilyn Manson. Quando e como o caminho de vocês se cruzaram? Como a colaboração começou?

Manson e eu nos conhecemos através do Californication. É interessante porque nós nunca estivemos no programa simultaneamente. Acredito que foi na sexta temporada quando ele foi convidado. No último episódio da temporada teve um show no Greek Theatre e um casamento que aconteceu no palco. Tom, o criador da série, teve a ideia de virar o evento em um show de verdade porque o Tim Minchin estava fazendo o papel do Atticus Fetch, o rockstar fictício da temporada. Um personagem meio Elton John louco.

Manson queria cantar e então o Steve Jones do The Sex Pistols, que também estava na série, o acompanhou. Eles convidaram 2,500 figurantes. Manson e eu nos conhecemos no dia do ensaio para o show. Passamos mais tempo juntos no show em si e então fizemos uma outra festa alguns dias depois da gravação daquele episódio. Ele me perguntou se eu consideraria fazer música com ele. Mais tarde, ficamos nos conhecendo por quase um ano antes de decidirmos começar a colaborar.

Após outro evento do Californication, ele chegou em mim e estava tipo, “Bora fazer isso”. Eu fiquei tipo, “Ok, mas só se você estiver muito sério sobre querer se reinventar”. Ele tem sido um ótimo colaborador. As pessoas tem suas ideias e opiniões sobre como uma pessoa realmente é, mas minha experiência com ele, enquanto tem sido uma insanidade total, também tem sido incrivelmente positiva. Muitas boas pessoas apareceram na minha vida através da experiência de trabalhar com ele.

Qual o aspecto mais significativo de sua colaboração musical com o Marilyn Manson?

Nós temos uma conexão criativa natural que é alinhada de forma inata na música que criamos juntos. Não costumamos discutir a sintaxe das nossas ideias porque estamos quase sempre na mesma direção. A gente faz o que tem vontade, então é bem gratificante aproveitar essa liberdade criativa. Esse novo disco tem o fogo. Não é nada igual já ouvimos, então é legal. Acho que no rock atualmente há uma falta de riffs memoráveis e a intenção de juntar estilos. Liricamente, Manson escreve sobre caos, romance, isolamento e a violência que está assolando o mundo como um resultado de tudo isso. O rock está em falta de ícones perigosos. Isso é exatamente o que o Manson é. E ele vai foder tudo de propósito, e sem pedir desculpas. Eu adoro isso!

Eu também saio e vou tocar e eu amo tocar guitarra mais que quase qualquer coisa. É impossível descrever o quão intenso e divertido é tocar as músicas que criamos para milhares de pessoas em lugares que eu provavelmente não visitaria em outra situação. É demais!

Sua identidade musical evoluiu ou mudou desde o The Pale Emperor? Quais novos temas, musicalmente ou nas narrativas, foram introduzidas desta vez?

O Heaven Upside Down foi criado após o Manson e eu fazermos 50 shows juntos, então eu peguei o show e todo o relacionamento físico da música em um cenário ao vivo e trouxe para o disco. Nós dois amamos o The Pale Emperor. É uma exploração ao blues quebrado - musical e liricamente. Dissemos o que queríamos dizer com aquele disco.

Partindo para o Heaven Upside Down a gente se conhecia e já tínhamos compartilhados muitas experiências. Eu quis que o álbum fosse uma plataforma para o Manson retornar ao jornalismo e escrever sobre as coisas que conversamos sobre, que é a doença e passividade que permeia os anais da sociedade. Terrorismo, tiroteios em massa, relutância em mudar, abandono, dogma, apatia, julgamento - tudo isso é disseminado no formato da nossa experiência de vida diária. A música está imbuída com frustração, tristeza e raiva sobre tudo isso, e para explorar esse cenário efetivamente, os sons e riffs precisaram ser mais talhados e abrasivos que no The Pale Emperor. O Heaven Upside Down está incorporado da música que amamos. Gótico e industrial. Riffs grandiosos. Sexo. Partes iguais de “foda-se” e humor afiado. O segundo ato.

Você pode descrever a composição e o processo de produção de uma faixa de destaque do Heaven Upside Down?

Para mim todas as faixas são de destaque! Haha. Sério, Manson e eu criamos música com intenção - não para preencher espaço. O processo de criação de cada música no álbum é semelhante a uma conversa acontecendo entre nós dois em meu estúdio. Por exemplo, uma vez que finalizamos a faixa Heaven Upside Down, sabíamos que seria a faixa título do disco, mas ainda havia outra dimensão que queríamos explorar que completaria o disco como um trabalho. O Manson tem falado sobre o conceito de Saturnalia, que me incentivou a desenvolver uma paisagem sonora como o pano de fundo para a história do Manson sobre duas pessoas em um estado de consciência de alucinação sob os efeitos de Saturnalia.

A música e letra alimentam uma a outra. Com cada letra, outro detalhe musical aparece e com cada detalhe musical, o Manson é constantemente inspirado a escrever mais coisas. Ele sempre coloca um efeito vocal apenas para sentir a faixa de uma forma visceral enquanto considera a totalidade do que ele quer dizer liricamente. É tipicamente nós dois com headphones enquanto gravamos. Algumas performances são gravadas simultaneamente - vocal e baixo, guitarra ou uma linha de teclado - e que é um inferno para lidar com isso na mixagem, mas vale a pena por preservar a vibe. Assim que ficamos satisfeitos com a faixa, o Gil Sharone vem e toca as bateristas, que, dinamicamente, leva a música a outro nível. Manson e eu nos alimentamos das performances da bateria, que inspira o detalhe final do trabalho que vai em uma faixa antes de partir para o modo “full mix”. É mais um processo de cuidado. Todas as músicas estão disponíveis para novas performances e ideias até que sejam masterizadas para o lançamento.

Seu trabalho com as guitarras e tons que criou para a música do Marilyn Manson são especialmente únicos e poderosos. Você pode nos falar mais sobre seu equipamento de gravação para o próximo disco?

Isso pode te surpreender, mas eu uso a mesma guitarra e amplificador quase o tempo todo, especialmente para o meu trabalho com o Manson. Eu uso ou minha Gibson ES347, que tenho há uns 15 anos e ganhei de um amigo, Michael Cirvalo, que foi o presidente da Schecter guitars. Ele fez o modelo Corsair após a minha ES347. Com o Manson, eu toquei com a Corsair porque o Michael ficou tipo, “Jamais você vai levar aquela Gibson pra estrada com ele porque ele provavelmente vai jogar um pedestal nela.” Foi uma coisa boa porque eu quebrei várias guitarras.

Toco com as Schechters ao vivo e no estúdio. Às vezes eu toco um pouco com a Gibson e a ES347. Pode soar meio doido, mas eu também uso um como Peavey Classic 410 quase sempre.

Os vocais podem ser gravados em qualquer lugar, mas eu pessoalmente gosto de gravá-los com os vocalistas bem próximos a mim. Eu tenho uma cabine de vocal que não uso. Estamos de headphones e é bem conversacional, bem rápido. Você pode pegar um fluxo bem legal porque você finaliza as ideias rapidamente, repetindo 10 ou 20 vezes para conseguir uma cadência ou solidificar a melodia.

Às vezes, Manson e eu gravamos simultaneamente, então tem essa guitarra sangrando com os vocais. Ele senta com o microfone próximo a mim enquanto eu gravo as faixas de guitarra. Ele fica brincando com os pedais e colocamos esse material no disco.

O Heaven Upside Down definitivamente tem uma pegada muito mais intensa, que parece que te pega pela garganta. Reintroduz e reinventa os aspectos industriais da música do Manson. Por exemplo, algo como a SAY10 é algo totalmente diferente do que já ouvi. Tem essa sonoridade meio punk rock, com grandes riffs, mas daí entram batidas de trap. Estamos muito animados para lançar esse disco e tocá-lo para as pessoas.

Qual seu conselho para ter talento nos campos de composição e produção?

Sempre seja positivo e otimista na maneira de lidar consigo mesmo. Tenha ciência da sua energia ao redor de outras pessoas. Seja sempre honesto. Seja original e trabalhe para tornar-se alguém que é reconhecível na mesma maneira que suas influências musicais.

Eu pessoalmente sempre batalhei para desenvolver uma sonoridade própria. Não sei como as pessoas percebem meu material, mas qualquer um que já me ouviu tocando guitarra tem um sentimento sobre o que eu faço, pelo melhor ou pior, e amplamente pelo pior ao longo dos anos. De qualquer forma, é importante. Eu iria preferir ser eu mesmo do que soar com todo o resto mesmo se isso fizesse com que eu tivesse mais sucesso.

Tenho mais interesse em falhar enquanto tento criar algo que vire o que é considerado “comercial” do que apenas emular o que já é comercial. Enquanto trabalhar em alguns filmes, eu consegui avançar um pouco, mas em partes é porque os diretores me deram a oportunidade de introduzir novas ideias em certos gêneros. Não acho que o mundo precise de mais jovens iguais ao John Williams porque o John Williams é perfeito, assim com o o Thomas Newman é perfeito. Você nunca vai compor um piano ambiente e emocional melhor do que ele. Ele criou a arte perfeita disso, então você tem que encontrar a si mesmo e sua música, e então se comprometer a isso e autorizar-se a ter o tempo de se desenvolver e ficar bastante confiante em ser você mesmo.

A pior coisa a acontecer na sua vida é descobrir que você não sabe quem você é, especialmente quando está recebendo muita atenção, seja positiva ou negativa. Você vê o efeito disso em algumas celebridades. Eu sinto pelas pessoas que passam por momentos difíceis quando há um grande foco em cima delas. Há muitas coisas que acontecem na vida da pessoa e é muito fácil sair julgando, mas nunca é uma boa coisa ter esse hábito. Se você é você mesmo e tem integridade, ninguém pode tirar isso de você. Se você é a pedra no sapato de alguém, você pode facilmente se perder no processo.

Você tem que pensar sobre o que quer que sua vida seja fora da sua carreira. Da forma como as coisas estão no mundo atualmente, não há separação. Tudo tem impacto na sua vida, então você tem que considerar que tipo de pessoas você quer por perto. Quando o tipo certo de pessoas começam a entrar na sua vida, então as oportunidades estão melhor colocadas para você começar a apresentá-las. As mesmas regras se aplicam a seus amigos e parceiro. Todas essas escolhas são incrivelmente importantes e cada um informa o próximo. 

Algumas pessoas saem da faculdade e começam logo a trabalhar para serem pessoas de sucesso, mas você tem que ter alguma experiência na vida para seu trabalho ter alguma substância. Aos 24 anos é difícil se relacionar com o diretor de 45 que perdeu amigos, passou por tragédias, se divorciou, superou a pobreza, se apaixonou e não foi correspondido ou viajou pelo mundo se você não passou por nada disso. Você tem de desenvolver a vida que você quer com o passar dos anos, passar pelas experiências de altos e baixos e nunca parar. 

No dia 30 de Setembro, Manson fazia um show em Nova Iorque quando, durante Sweet Dreams (Are Made of This), um suporte de aço com duas pistolas que ficava no palco caiu sobre ele. O show foi cancelado na mesma hora e Manson teve de sair de maca do local direto para o hospital.

Agora, 13 dias depois, o Yahoo publicou uma matéria com o Manson onde ele fala sobre o acidente e como está seu estado de saúde atualmente.

 

Só agora que vi o vídeo,” diz Manson, 11 dias após o acidente, deitado em um sofá de sua sala com a perna engessada. “Consigo ver como parecia assustador. Foi assustador para mim porque o suporte não estava preso corretamente.

O que parecia Manson tentando escalar o suporte, na verdade era ele tentando desesperadamente segurá-lo para não cair. “Eu não estava tentando escalar,” ele diz. “Começou a cair e eu tentei empurrar e não consegui escapar a tempo. Não tenho certeza do que bateu na minha cabeça, mas caiu na minha perna e quebrou a fíbula em duas partes. A dor era absurda.

Manson foi imediatamente colocado em uma maca e levado a um hospital para tirar raio-x e ser examinado. Os médicos colocaram uma placa e 10 pinos no osso, e mais um pino em seu tornozelo e então engessaram sua perna. De acordo com a Healthline, as pessoas demoram de 12 a 16 semanas para se recuperar (3 a 4 meses).

Considerando o peso do suporte que caiu, Manson tem sorte de não ter se ferido ainda mais. “Definitivamente poderia ter atingido minha cabeça e as costelas,” Manson diz. “Tenho alguns pequenos machucados nessas partes, mas seis caras tiveram que tirar aquilo de mim. Era tipo um monstro gigante de aço.

Assim que se recuperar, Manson diz que irá continuar a turnê em suporte ao seu novo álbum, Heaven Upside Down, lançado no dia 6 de Outubro.

Acho que foi possivelmente a natureza, Deus, o que quer que seja - alguém estava tentando parar as coisas. Se você acredita em algo, você tem de acreditar no outro poder,” ele brinca. “Não sei se foi minha animação e desprezo por estar seguro no sentido convencional - como nunca estive antes. Você me coloca no palco e eu fico muito animado.

O maior desgosto do Manson sobre o acidente é que ele tinha acabado de começar a turnê, e estava para lançar seu novo álbum, quando os poderes lhe armaram uma cilada. “O que me deixa mais puto é que não estou no palco, porque é onde eu deveria estar,” ele diz. “E com um gesso na minha perna é difícil falar sobre a animação da turnê. Mas estarei de volta em breve e vai ser tão bom quanto no início.

Por mais que estivesse brincando sobre Deus ter “parado as coisas”, Manson sinceramente acredita em destino e que certos acidentes acontecem por um propósito. “Pelo momento em que aconteceu, isso provavelmente faz parte de algum plano maior que era para acontecer, e tive que fazer esse sacrifício para as coisas se encaixarem.

 

Apesar da recuperação ser estimada entre 3 e 4 meses, Manson acabou de anunciar que estará de volta aos palcos no dia 5 de Novembro no Ozzfest e que as datas anteriores foram remarcadas para Janeiro de 2018.

 

Marilyn Manson deu uma extensa entrevista ao site Consequence of Sound e falou sobre o Heaven Upside Down, o livro do Holy Wood, sua relação com o rapper Lil Uzi Vert e o problema com Justin Bieber.

Confira abaixo a tradução na íntegra!

 

Marilyn Manson acabou de fazer xixi na pia. Essa não é a primeira coisa que ele faz após se apresentar, mas é bem perto. Estamos em um andar anônimo do Hotel Hollywood Roosevelt, em um quarto modesto, no fim do corredor. Uma placa com “NÃO PERTURBE” está pendurada na porta, que quando aberta revela uma área cinza, com cortinas blackout, mesmo com o sol já à vista. Manson parece solto, espirituoso e talvez intoxicado. É difícil dizer se isso é uma celebração de seu concluído e feroz novo álbum, Heaven Upside Down, ou simplesmente um alívio para a dor de um recente retoque em sua tatuagem que pega toda as costas, e que Johnny Depp possui uma igual. “Quer ver?” Ele pergunta, com metade da camisa já tirada.

Fomos até o quarto, onde Manson me oferece vodca e seu assistente nos acomoda. Sentando na cama a um braço de distância, Manson, vestido todo de preto com a maquiagem um pouco borrada, deixa a entrevista durar uma hora. Em alguns momentos é difícil imaginar passar menos tempo que isso com o ícone de 48 anos, já que ele é generoso com histórias e incrivelmente prolixo. E ainda usa o nosso tempo para compartilhar uma prévia do videoclipe de seu novo single - já lançado - WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE.

Pessoalmente, Manson é ponderado, animado, articulado e humilde. ele não é mais o garoto propaganda do medo da América conservadora, com sua mistura de humor grosseiro e intelecto afiado parecendo um menino inteligente demais. Frequentemente parece que Manson está simplesmente interessado em ver o quanto ele consegue se safar. ˜Acabei de comprar isso˜, ele diz segurando uma camiseta "Straight Outta Compton" alterada com uma referência a carcosa. "Você comprou essa no Hollywood Blvd.?" perguntei. "Amazon Prime" ele responde.

Na última decada, foi revelado um pouco mais sobre Brian Warner. Entretanto, fica claro nesta conversa que não importa quantos segredos forem revelados, a toca do coelho que é Marilyn Manson ainda vai longe demais. 

 

Quer ver meu vídeo novo?

Claro, eu adoraria.

Eu mostrei a uma moça que conheço há uns sete ou oito anos, que me conhece muito bem, e, depois de ver o vídeo, ela ficou com uma cara bastante preocupante. Eu falei, “O que você acha?” E ela disse, “Fiquei preocupada que alguém te mate, e todas as mulheres no mundo queiram transar contigo”, então acho que fiz o meu dever.

Quem foi o diretor?

O vídeo na verdade não foi concebido por mim, e sim por um cara chamado Bill Yukich; ele trabalhou no Lemonade da Beyoncé. Mas mais importante do que isso, ele foi o cara que editou o vídeo da The Dope Show. Então, a foto onde estou em uma mesa me fez ser quem eu sou hoje; ele foi o responsável por aquilo na edição. Foi ali que nos conhecemos. Então eu o convidei para a turnê, e estávamos em um hotel em Poughkeepsie, acredito eu, e naquela época o hotel estava cheio de times de futebol sub-15 ou 16. Meninos e meninas correndo pelos corredores. Talvez por minha causa na época, o Bill encheu a cara de Jack Daniels ou alguma outra coisa e ficou convencido de que poderia brigar com todos eles e nós, na maior parte do tempo juntos, de acordo com a polícia, ateamos fogo em um dos quartos.

Tem uma placa lá comemorando os 28 mil dólares de prejuízo que dei pro hotel, que nunca mais pude entrar. Tive que livrar o Bill de ser preso porque ele arrancou sua camiseta e falou que queria brigar com todo mundo. Então, quando foi para fazer esse vídeo e ele disse que iria usar uma bazuca e explodir uma minivan em uma situação de invasão domiciliar envolvendo freiras, eu sabia que suas habilidades de pirotecnia estavam sólidas.

Que maravilha. Amizade é isso.

Ele ficou comigo durante toda a turnê. Acho que nós - ele e o Perou, um fotógrafo que fez a arte para o meu novo disco e também esteve envolvido nisso - estávamos em Chicago e estávamos todos, bem, posso dizer que pelo menos eu estava, chapado e mordendo minha camisa, e assistindo ao vivo Columbine acontecer. E eu falei, “Nossa, eu vou levar a culpa por isso. Já tô vendo.”

Então, anos depois, ter as mesmas duas pessoas que estavam comigo e criar algo bem pior no espectro de ser eu tentando envolver armas ou qualquer coisa dessa natureza, me faz sorrir um pouco. Quando você olha para isso vs. o que passa na TV, não parece muito chocante. Por isso que fiquei chocado com o comentário que recebi de uma pessoa que conheço intimamente por oito anos. Porque me diverte que eu posso fazer algo que uma pessoa que conheço tão de perto tema pela minha vida e talvez por sua segurança relacionada ao meu pau.

Mesmo que não seja chocante, é muita coisa para processar.

Acho que é bom causar confusão. E não falar sobre política - é chato. Estou cansado de ouvir sobre isso; eu estava cansado de ouvir durante a época do Bush e de todo presidente que veio depois. Mas a única coisa que tenho de falar sobre a coisa que todos querem me perguntar é sobre eu ter colocado uma arma na boca do editor da Spin, eu me escondi em um hotel, e era a Trump Towers. Então essa é a única coisa que tenho a dizer sobre o Trump. Me escondi na Trump Towers após cometer um ato criminoso.

Bem, claramente você tem algumas opiniões sobre o nosso presidente. Você lançou aquele vídeo decapitando uma versão dele no dia da eleição.

Não sei do que você está falando. Tinha um vídeo meu, e por algum motivo não está mais online. Saiu no dia da eleição e ninguém era o presidente até aquele ponto, então não era ninguém, a não ser que você queira. Era um cara de terno e gravata vermelha. E mais importante, eu fiz chover páginas da Bíblia naquele vídeo, e a letra da música SAY10 diz, “Dinheiro é a moeda de um homem pobre”.

O interessante é que quando eu estava olhando umas coisas da minha infância e encontrei eu caderno do terceiro ano do ensino médio, estava escrito “Brian Warner, Glen Oak High School” e eu abri na primeira página e estava escrito em rosa “SAY10”. Então é esse tanto de tempo que isso estava incorporado na minha mente. E acho inteligente, mas ao mesmo tempo não acho que definisse o disco, então decidi esperar. E se não tivesse esperado, eu não teria as três músicas que definem o disco: Revelation #12, Saturnalia e Heaven Upside Down. E pensei que Heaven Upside Down realmente descrevesse o disco como um todo, como um título. Então acho que, definitivamente, tudo acontece por um motivo.

Você mencionou Revelation #12, que eu concordo que é uma pedra fundamental no disco, já que proclama a vinda do fim dos tempos, você acha que estamos vivendo isso?

Agora parece um pouco apocalíptico, mas o mundo tem acabado desde que a Bíblia foi escrita. Deve ser notado que é Revelation #12 e não Revelations, é uma pequena referência ao Beatles com Revolution #9, mas é também uma referência a pegar de volta a hashtag.  É o cardinal no seu telefone, e isso nunca vai mudar. Não é uma hashtag. No livro do Apocalipse tem um S, então é uma combinação entre Revelations e Revolution (Nota do editor: Manson errou aqui. Na bíblia o livro chama apenas Revelation).

Você é um notório fã de Beatles e falou muito sobre eles na época do Holy Wood.

O Holy Wood foi inspirado pelos Beatles em muitos aspectos. John Lennon teve um grande impacto na minha vida, mesmo que eu fosse muito jovem para saber disso. O The White Album era um dos discos favoritos da minha mãe, e tinham oito músicas que ela tocava. Mas, por algum motivo, ela perdeu o segundo lado do vinil, então eu só ouvia o primeiro. Até eu gravar esse novo disco, o Holy Wood foi o meu trabalho mais preciso e bem pensado, tirando o fato de que sobrevivi a uma dieta de basicamente cocaína e gelatina na época.

Por que gelatina?

(Risos) não sei. Realmente não consigo responder essa pergunta. Digo, a dieta do Bowie era pimenta, leite e cocaína. Sempre tem uma pirâmide alimentar; eu só não tive a terceira parte. Talvez a terceira parte fosse absinto, mas essa é uma combinação ruim demais para sua saúde. Mas eu sobrevivi. Muitos danos cerebrais poderiam ter acontecido.

No Antichrist Svperstar, Mechanical Animals e Holy Wood você criou personagens adicionais além da persona Marilyn Manson para expressar os conceitos que estava tentando endereçar. Agora que você saiu dessa, esse vazio está sendo preenchido com mais do Brian Warner?

Acho que houve um ponto antes do The Pale Emperor em que eu tive de dizer, “Não estou tão bom ou forte quando quero,” então eu preciso voltar. Isso é um pau bem grande de ser chupado ou uma pílula grande de ser engolida. Metaforicamente, porque não houve felação, mas pílulas podem ter sigo engolidas. Eu queria a minha confiança de volta. E com esse disco, eu quis representar honestidade e efetividade. Esse disco não tem uma persona ou personagem, mas vive dentro de mim com o mesmo entusiasmo, fogo e intenção que os primeiros álbuns, onde a gravadora diz, “Faça uma versão limpa do disco,” e eu respondo, “Faz duas semanas que não tomo banho, você quer uma versão limpa do disco? Vai se foder.” Se alguns jovens quiserem comprar um disco no Walmart e o que tem lá é a versão editada, seu dinheiro não é bem vindo aqui, filho. Vá comprar uma arma e consiga-o da maneira antiga. Não me importo com o que vai fazer.

Não sei se você percebeu, mas você virou um acessório recentemente. Justin Bieber está colocando o nome dele nas suas camisetas, o Lil Uzi Vert está literalmente te usando em uma corrente…

Há uma grande diferença entre os dois. Eu conheci o Justin Bieber e foi quando ele estava usando a minha camiseta com o nome dele. E ele me disse, “eu te tornei relevante de novo.” Foi um erro ter dito isso pra mim. No dia seguinte eu disse a ele que estaria na passagem de som no Staples Center para tocar The Beautiful People; ele me disse que foi ideia dele e acreditou que eu apareceria porque ele é estúpido desse tanto, e naquele mesmo dia eu resolvi tudo sobre as camisetas. Eles nem brigaram; eles estavam tipo, “é, a gente sabe que errou, pegue aqui o dinheiro.” Mas ele foi um merdinha por ter tido a arrogância de dizer aquilo. E ele é daqueles caras que ficam te cutucando enquanto falam, tipo, “e aí, mano!”. E eu fico tipo, “dá uma acalmada porque você bate na altura do meu pinto, tá? Beleza? Então fica de boa aí.”

Já o Lil Uzi Vert nós viramos amigos, e sua atitude me lembra de quando eu comecei. E gostei muito do disco novo dele. SAY10 foi a música que ele mais gostou do meu.

Ouvi dizer que ele deve fazer um disco de rock depois. Você vai trabalhar nisso com ele?

Sim. Eu e o Tyler Bates vamos fazer isso com ele. Acho que se eu fosse escolher com qual vertente o Lil Uzi Vert deveria estar dentro do rock, seria algo como o início do Bad Brains ou Faith No More, mas como um elemento mais grudento. Acho que ele tem uma coisa meio punk rock nele. Ele é um maluquinho filho da puta e inteligente pra porra, e ele realmente tem a atitude que eu tinha. Gosto disso nele. 

Vocês vão gravar só uma música ou o disco inteiro?

Ainda não sei; isso vai ser determinado. Ele quer gravar um disco de rock e eu adoraria ver isso acontecendo porque acho que ele poderia fazer uma coisa nova. Não uma coisa meio rock/rap. Algo especial e novo que acho que precisa ser criado só pra foder mais com o mundo.

Você tem bastante affair com o rap. Você pode falar um pouco do que gosta? Qual é a playlist do Manson?

Gosto dos mais pesados. Estranhamente, se você me perguntar quais discos influenciaram bastante o meu novo, e isso não pode ser levado literalmente, é o último álbum da Rihanna. Aquela música Love on the Brain me pegou muito porque a vi tocando ao vivo e ela mandou muito bem. Acho que talvez isso seja o que os rappers gostam em mim - eles veem como sendo algo sincero e real. Acho que isso faz tanto parte da cultura do rap como do punk rock ou o que quer que você queira chamar. Não tem a ver com quantas tatuagens você tem ou se você diz “fuck” o suficiente em uma música. É mais a maneira como você diz e como vive sua vida.

Olha, deixa eu te perguntar rapidinho algumas coisas porque sinto que alguém vai me cortar aqui a qualquer momento.

Não, não se preocupe. Não vão cortar seu pinto.

Ok, bom saber. Para os mais fanáticos e por que citamos o Holy Wood, a quantas anda o livro? Você o anunciou há quase 20 anos e ainda não saiu.

É estranho que tenha tocado nesse assunto. Há uns dois dias eu o abri pela primeira vez em anos porque foi uma experiência bem amarga na minha vida. Eu escrevi um filme para o Holy Wood, na verdade, porque a New Line queria fazer a minha versão do The Wall. Uma pessoa lá disse, “Por que você não faz algo como o Hard to Hold?” E eu falei, “Você está falando do filme do Rick Springfield?” (Risos) Não me senti insultado. Fiquei entretido com aquilo. Mas então eu mudei o roteiro para um livro, e reli pela primeira vez em anos e disse, “preciso trabalhar nisso imediatamente”. E é por isso que estou neste hotel, porque vou finalizá-lo hoje. Só falta uma coisa, só finalizar o capítulo 13.

É a história da trilogia Antichrist Svperstar/Mechanical Animals/Holy Wood?

Originalmente o roteiro era mais guiado nisso, porque era o aspecto The Wall do filme que a empresa queria. Então, era mais uma coisa relacionada à música que juntaram esses três discos. Mas, colocando isso em um livro e lendo novamente, soa mais relevante agora. É proeminentemente interessado no presidente, sua filha, sua esposa e esse garoto que quer matá-los. O garoto está crescendo como um proletário e quer se juntar a esta cultura de Celebritarians - uma palavra que criei e patenteei - e a filha querendo ser o contrário do que foi criada para ser.

Tudo isso baseado e ao redor de uma versão exagerada de Holy Wood, Hollywood, fachada de filmes, camarins e o Vale da Morte, que poderia ser uma metáfora para tudo. Mas o resto do mundo não está nem incluso nisso. É inspirado por coisas como o Admirável Mundo Novo, 1984 e livros assim. Mas foi estranho você ter perguntado porque eu o abri há dois dias e pensei, “Porra, preciso finalizar isso.”

Você citou “Celebritarian”. O que é isso? Sei que é relacionado à cruz da capa do seu novo disco, e você a usou no passado.

É inspirado pela Cruz de Lorraine, que foi usada por várias coisas diferentes - a Cruz Vermelha, as cruzadas, fascistas. Só pensei que representava a ideia de que houve dois Cristos anteriores. Teve Jesus e John F. Kennedy, e toda a ideia no Holy Wood foi essa de que eles estavam esperando pelo terceiro e último salvador, e é isso o que o presidente diz que vai ser. Presidente White. E quando eu leio de novo agora, soa muito de momento, mais do que quando eu escrevi em 1998 e 1999.

Houve muita referência ao “branco” no seu trabalho antigamente: Coma White, Great Big White World…

Muita gente achava que era uma coisa de raça, mas era mais a ideia de que o branco é a composição de todas as cores. O preto não é nem uma cor, então quando você pensa em raça, ou no passado quando as pessoas se referiam aos outros como “de cor”, isso é um oxímoro bem inapropriado porque preto não é uma cor. Na época não era para ser uma coisa política ou uma declaração além do fato de ser eu só sendo eu. Sou só uma criança curiosa que fica cutucando as coisas, às vezes pisa em lagartas e às vezes cuida delas, às vezes come o caramujo como escargot e às vezes coloca sal neles e os tortura. Da maneira que você preferir olhar, é só eu ficando interessado em como a cultura funciona e vendo o que posso cutucar e olhar e revelar e compartilhar. 

Você acha que é louco que toda essa coisa de cutucar te atingiu no TRL?

O que foi mais estranho que isso - e não sei se já contei essa história - mas teve um daqueles Year in Rock que eu fui. E o engraçado é que o Carson Daly, que agora parece um zumbi com AIDS - não falando mal, só estou, como artista visual, descrevendo-o, me disse que a minha música favorita dele quando nos nos conhecemos pela primeira vez era The Reflecting God, e eu tinha acabado de ler na Teen People que ele gostava de ir à igreja com a Jennifer Love Hewitt, que tem três nomes… temos de tomar cuidado com todos que têm três nomes. Lee Harvey Oswald, Jennifer Jason Leigh… Even Rachel Wood… (risos)

Então, da primeira vez que nos conhecemos ele me disse isso e achei que ele estivesse forçando um pouco, porque eu literalmente li sobre ele indo à igreja, daí ele vem e me fala aquilo. Parecia que ele queria me impressionar ou sei lá. E depois, quando eu fui uma outra vez até o programa para tocar, eu estava no carro do Kennedy, o carro do assassinato, promovendo o Holy Wood, e aparentemente eu falei alguma coisa da vez que eu estive no Year in Rock sobre como o Puffy Daddy poderia ter potencialmente machucado a música por samplear Led Zeppelin. Os jovens talvez cresçam sem pensar no Led Zeppelin quando escutarem aquela música, Come With Me, ou sei lá. E depois daquilo parece que o Puffy Daddy queria me matar.

E não dá nem pra dizer que eu não estava pedindo por isso, porque estou no carro do assassinado do Kennedy na Times Square e aquelas 4 SUVs arrancam logo quando a MTV está tipo, “ok, você vai pro ar em cinco minutos”. Essas SUVs cercam a gente e o Puff Daddy sai e começa a gritar comigo, mas eu não consigo ouvir nada porque estou com fones de ouvido. Felizmente o meu segurança conhecia o segurança dele, mas eram vários caras que pareciam que queriam me matar.

Eu o encontrei desde então e está tudo bem. Foi naquele Vote or Die e fiquei pensando, “É, isso é estranho, porque daquela vez eu quase morri.” E eu tenho eu tive que falar com o Carson Daly depois, sentei do lado dele e falei, “Cara, não…” - e eu falei “cara” porque ele é o tipo de pessoa que responderia, “Cara, não mencione o que aconteceu com o Puffy Daddy.” Eu fiquei tipo, “vou te bater se você fizer isso” Temi de verdade pela minha vida daquela vez porque eu estava vulnerável - não conseguia ouvir nada, estou no carro do assassinato do Kennedy rodeado por SUVs pretas e um monte de cara gritando comigo com um deles sendo o Puffy Daddy. Acho que ele ficou bem puto comigo na época.

Sinto que é como você gostaria morrer. Morto no carro do Kennedy. Ou, como você gostaria de morrer?

Bem, eu decidi - de verdade - que se alguém disser que eu me suicidei e não tiver mais pessoas mortas ao meu redor, então estão mentindo. Coloquei que quero ser carregado com explosivos, dessa forma se alguém aparecer no meu velório, elas vão explodir. E também coloquei que meu corpo deve ser colocado no quintal do meu empresário, não importa onde ele more e uma chama eterna tem de ser acesa todos os dias, ou então ele não consegue ter parte do meu dinheiro. Não que eu esteja dizendo que ele tenha de sobreviver a mim.

Isso é ótimo, mas não é como você quer morrer.

Eu gostaria de morrer com alguém que eu amo. Gostaria que fosse da forma mais romântica, em um tiroteio ou algo assim. Quero morrer de uma forma dramática se fosse pra escolher. Não quero morrer sozinho. Eu não atiraria em mim mesmo, não me enforcaria, não cortaria meus pulsos, não pularia de uma ponte.

Não quero dizer se matar. Quis dizer se você já considerou isso já que você parece ter um fascínio com a morte.

Obviamente eu tenho um fascínio com a morte. Acho que iria preferir fazer de uma forma elaborada. Não é algo que me surpreende.

E o fim de mundo ou uma explosão nuclear?

Bom, não se a Coreia explodisse. Mas se o mundo todo morresse ao mesmo tempo, então seria ok para mim. Não haveria ninguém para falar sobre a minha morte ou usar a manchete “Marilyn Manson morreu hoje”. Eu provavelmente iria querer morrer em uma situação onde se fosse possível, falando de forma hipotética, onde eu virasse um zumbi. Por isso que coloquei que não quero doar meus órgãos para a ciência (risos). Eles não são úteis para mim; por que seriam para outra pessoa? Exceto pelo meu cérebro, mas eu preciso deles caso aconteça um apocalipse zumbi. Eu gostaria de morrer, mas tendo uma ereção, e virando um zumbi, aí eu poderia ter uma transa zumbi, eu acho.

Zumbis transam?

Bem, poderiam, daí teria como espalhar a doença zumbi através do sêmen.

Não acho que zumbis tenham sêmen.

Vamos ligar para o pessoal do The Walking Dead e descobrir.

Falando em zumbis na televisão, você assiste Game of Thrones?

Assisti a primeira temporada, mas tive um relacionamento com a garota que morreu, a ruiva; ela chupou o anão e morreu. Ela também quebrou o meu Jaguar. Então é por isso que não assisto. Não gosto de quem quebra meus carros. Só tive um carro; não tenho mais. Não tenho nem carteira de motorista.

Por que você não twitta com mais frequência?

Gosto mais do Instagram que do Twitter, mas você não pode subestimar o poder dele considerando que poderia ser responsável pela atual situação política. Uso o Twitter como uma metáfora quando entro em um debate. Eu digo, “Finja que a vida é o Twitter.” Você quer usar todos os 140 caracteres para debater? Ou dizer algo legal? Sabe, eu prefiro não brigar. Se tiver um problema, eu gosto de resolver e não criar um novo. Brigas não levam a nada. E geralmente eu ganho, as pessoas gostando ou não, porque sim.

Ok, última pergunta. Não podemos pular essa. É importante.

Tamanho 43. Ah, pensei que fosse perguntar quanto eu calço.

Existe muita curiosidade em volta de você enquanto ser humano. Sim, você é o Brian Warner. Mas você também é esse enorme personagem Marilyn Manson, e acho que as pessoas ficam curiosas sobre a pessoa comum que tem por trás disso tudo. Então eu tenho certeza que as pessoas querem e merecem saber: Quais são os emojis que você mais usa?

Bem, primeiro, isso sou eu sendo real. Eu sou genuinamente assim. Mas eu gosto da pergunta, vejamos… Não tenham pra pinto.

E a berinjela?

É estranho, não gosto. Não quero ter um pinto vegetal, parece vegano demais. Ok, aqui vai: caixão, piscadinha, batom, 100%, abóbora, cocô, anjo, policial negro, fantasma, dormindo, diabo, mão fazendo chifrinho, raio, fogo, coração, coração preto, carocha, morcego, cenoura, dedo com os outros dedos, então parece que estão transando. Estou tentando olhar os que eu usaria com as pessoas que converso sempre, porque às vezes eu faço corrente deles, ou às vezes eu mando todos de uma vez.

Por quê?

Só pelo caos.

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