Manson conversou com o site The Fader e falou sobre seu relacionamento de longa data com a maquiagem, um dos itens principais que compõem seu visual. Leia!

Base branca como a neve, e borrões de lápis de olho roubado foram os primeiros instrumentos de metamorfose de Brian Warner para Marilyn Manson. Um homem de batom não choca mais como nos anos 1990, quando ele horrorizava as mães da América com seus visuais andróginos e ocultos. Mas, aos 46 anos, ele ainda usa maquiagem todos os dias. Aqui, Manson explora sua fascinação persistente com suas mudanças de visual.

MM: Minha mãe costumava colocar suas perucas e batons em mim quando eu era pequeno. Eu tenho uma foto esquisita de mim quando pequeno com um cigarro apagado na minha boca, usando a peruca loira dela e uma fralda, sentado no sofá. Me pergunto como vim parar aqui.

Acho que minha fascinação com maquiagem vem da grande imaginação que tenho, e de não poder contê-la em um pedaço de papel ou em músicas. Quando eu era uma criança, eu costumava fazer as maquiagens do KISS com tintas aquarela. Eu gostava de KISS por que me diziam que eu não podia ouvi-los, nas escolas cristãs. Mas Alice Cooper e [David] Bowie foram mais importantes para mim. KISS usava muito uma máscara; era muito kabuki. Eu queria ser visto, só não queria ser visto do mesmo jeito que eu era. Ziggy Stardust primeiramente foi o que me levou a raspar minhas sobrancelhas. As pessoas olham pra você tentando descobrir o que está faltando ou o que tem de errado, e você pode fazer muito mais com a maquiagem quando não tem sobrancelhas. No começo, eu não estava tentando ser andrógino no sentido que as pessoas pensaram. Eu não estava tentando parecer uma menina; eu estava escondendo algo. Eu tinha um complexo terrível quando adolescente, mas eu não era inseguro: eu tentei parecer ainda pior. Eu gostava de botar a maquiagem nos meus dentes por que as pessoas nunca gostavam de maquiagem em seus dentes.

Nos primeiros shows, eu usei um lápis de olho Maybelline que eu roubava de uma loja de doces bem tarde da noite. Eu tinha um leve tom de cleptomania quando morava na Flórida. Eu roubei uma base Max Factor Pan-Cake, que era tudo-em-um: você molhava uma esponja, e botava, e estava pronto. Então quando as pessoas dizem, ''Marilyn Manson usa maquiagem branca'', tecnicamente era verdade, mas só naqueles dias. Batom veio um pouco depois. Alguém jogou uma garrafa em mim no palco, uma vez. Eu rasguei meu peito com ela e esfreguei o sangue na minha boca.

Acho que a primeira maquiagem que realmente paguei foi em 1995 ou 1996... antes de gravar o Antichrist Svperstar. Eu estava em Nova Iorque havia sete meses, e eu me lembro de ir em uma loja MAC, todo empolgado. Eu comprei essa base que eles não fazem mais, e lápis de boca e batom. Eu venho usando o batom MAC's Diva desde que eles inventaram a cor. Eu não mudei desde então. Meu kit de maquiagem agora é bem pequeno, cerca de cinco itens. Acho que limitações forçam criatividade.

Sete ou oito anos atrás, eu dei de cara com um kit de maquiagem funerário, que tinha esses moldes de cera pra corrigir os rostos de soldados que estavam deformados. Tinha muitos itens estranhos pra misturar e reconstruir as faces das pessoas depois que eles estavam mortas, e narizes de cera, e metades de rostos de cera. Eu adorava assimetria no início. Cada personagem na história ou cinema ou em estórias que tem esse lado esquerdo meio defeituoso; eu me identifico. Eu também tinha um cachorro com um olho branco que morreu quando eu era criança. Quem sabe onde a sua mente inconsciente te levará pra te transformar em algum tipo de monstro.

Eu me mudei pra uma nova casa ano passado, e eu pintei a sala de estar com um vermelho escuro e azul pálido. Eu dei uma olhada pro passado, e vi que muitas das maquiagens que eu fiz e tinha bastante vermelho escuro e azul claro, as cores do sangue e das veias dentro de sua pele. Tem uma harmonia em cores incongruentes que é a mesma de acordes dissonantes. Certas cores se destacam pra mim, e causam uma reação.

Eu fiz várias sessões de fotos diferentes e vídeos nos últimos meses, e cada um deles era diferente. The Pale Emperor, o título de meu novo disco, era o apelido de um menino que era imperador, Heliogabalus. Ele negou Deus, usou maquiagem e matava os camponeses no meio da rua e fazia suas famílias beber vinho misturado com o sangue das vítimas. Ele era bem decadente e andrógino. Pra algumas das sessões de fotos, eu usei uma tinta Tempera em meu rosto, pra que 'rachasse', ficando como uma pintura antiga. O ator rachado (NT: Referência à música Cracked Actor, do David Bowie): bonito com todas estas rachaduras e defeitos, e talvez por debaixo há outra pintura que já foi sobreposta por outra pintura.

Eu uso maquiagem porque gosto do meu visual assim. Bem como porque uma mulher usa maquiagem: não em termos de parecer feminina, mas pra ter um visual específico. Talvez "atraente" seja a palavra certa; talvez não seja. É diferente todos os dias para mim. Maquiagem me dá a habilidade de me transformar facilmente.

Ao redor da mesa, eu sou, geralmente, a pessoa que diz as coisas mais nada a ver com o assunto, meio que quebrando o gelo. Eu posso dizer coisas que outras pessoas se dariam mal dizendo, por que uso maquiagem. Confunde bastante as pessoas, e eu acho que confuso é um bom jeito de ser. Em Spirits of the Dead, Terence Stamp é bem como um dândi, elegante, com um pedaço do cabelo loiro bem branqueado, e uma maquiagem de panqueca, mas ele ainda tem aquela barbixa de bode, e funciona bem pra ele. Ele fala de uma forma incrível no filme: "Masculino o suficiente para homens, feminino o suficiente para mulheres." Isso realmente define onde estou.

Antes da turnê pela Austrália que aconteceu entre o final de Fevereiro e começo de Março, Manson foi entrevistado pelo site Beat. Confira:

marilyn manson
/mar-eh-lin man-sun/

substantivo

1. Um ser humano psicótico, o auto proclamado 'Deus da Foda' e 'Anticristo'.

sinônimos: perturbado, desiquilibrado, demente.


Sem dúvida, Marilyn Manson (Brian Warner) é a definição de uma espécime desconcertada. Exemplo: Três de seus objetos mais adorados em casa são um tubo de Zyklon B (o gás usado para exterminar os Judeus usado por Hitler durante o Holocausto), um estranho quadro de um palhaço do serial killer e estuprador John Wayne Gacy Jr, e uma antiga cadeira usada em abortos (coberta por um tapete de castor que foi dado a ele por Angelina Jolie e Brad Pitt). Uma vez ele disse à Rolling Stone que foi um lugar "onde fiz sexo com certos indivíduos que podem ou não ter resultado em meu divórcio." E então há seus contos excêntricos, como a história da groupie surda em que ele e seus parceiros de banda urinaram em cima, coberta por pés de porco, sua inclinação a pegar ossos de cadáveres 'como morangos' então ele poderia fumá-los como metanfetamina, ou seu peito que reflete uma hashtag de cicatrizes de seguidos anos de auto mutilação no palco.

"Muitas pessoas não percebem, mas com o tanto de histórias que há sobre mim, há ainda muita merda que eu fiz que elas não sabem, o que é muito pior. Principalmente porque a maioria é legal e não deveria ser dita," ele ri ironicamente. Manson está falando de uma forma calma, mas com um semi tom animado. Uma hora antes da nossa ligação, ele estava no palco no Fillmore Auditorium para 5 mil pessoas em Denver.

"Não acho que levo uma vida completamente insensata. Eu gosto de repetição até um certo ponto, enquanto sou caótico e espontâneo às vezes. Eu não procuro por problemas especificamente, mas eles parecem me encontrar. Sou um ímã para mulheres despedaçadas, pessoas más e relacionamentos malucos. Algumas pessoas acham que é por causa das drogas. Às vezes é. Às vezes é só a minha própria estupidez. É como o meu cérebro trabalha."

Mês passado, para seu 46º aniversário, o pai do Manson deu a ele um boletim que ele manteve desde a época da escola. Lia que "Brian mostra um entusiasmo pela Bíblia e considera muito seus colegas de classe." É também notado que ele era "um rapaz muito gentil, sensível e sério."

Que porra aconteceu?

"Eu comecei a mudar em 1984 quando o mundo não acabou como era dito na escola Cristã em que estudava. Foi quando eu percebi que era tudo besteira," ele detalha. "Eu queria encontrar mais respostas. A Bíblia é basicamente um filme de terror, mesmo. Se você olha com cuidado, você verá que tem todos os filmes de terror ali dentro, de ponta a ponta. Você tem o diabo, você tem deus, você tem os demônios, anjos, fantasmas, gigantes assassinos etc. Está tudo lá."

Pode vir como um choque para muitos que Manson sempre manteve uma relação muito amável e estável com seu pai, o que é, de alguma forma, irônico, considerando a quantidade de pais que o culparam por causar a rebelião em seus filhos. "Meu pai me disse recentemente que uma vez ele ia virar padre, e eu não sabia. Mas então ao invés disso ele foi para o Vietnã e atirou em um monte de gente," ele ri. "Aprendi muito sobre o meu pai após minha mãe falecer no ano passado. Ele está em turnê comigo atualmente, o que é algo que nunca havia acontecido antes. Eu na verdade o trouxe até o palco outro dia. Criamos muito mais vínculos este ano. Acho que ele está se sentindo um pouco como eu atualmente, como uma criança novamente. Talvez seja por isso que ele me deu meu boletim."

Manson começou 2015 com o lançamento de seu nono álbum de estúdio, The Pale Emperor, no qual o título refere-se a Constâncio Cloro, o primeiro imperador romano a negar deus. Uma saída de seu heavy metal influenciado pela música eletrônica e rock industrial, o disco desenha influência do blues e hard rock. Entretanto, liricamente, o disco destaca a malevolência do Manson em sua melhor forma, com suas descrições pecadoras da religião, violência e mortalidade pintando seu disco mais macabro desde o Mechanical Animals de 1998.

"A música sempre teve o mal nela. Havia o mal quando Mozart veio com o trítono," ele anota, referindo-se ao infame quarto aumentado (ou quinto reduzido) conhecido como o "acorde do mal" que foi banido da música de igreja no Renascimento. "Há de ter algo na música que nos para de pensar em coisas estúpidas, como se houvesse um deus que nos criou e nos coloca em um loop eterno de sandice, como a porra de uma cobra comendo seu próprio rabo."

"Em Hollywood as pessoas te reconhecem porque você é famoso," ele diz sobre seu desprezo a aventuras diurnas. "Especialmente quando você é como eu - e eu sou assim intencionalmente. Acho que comecei a parecer mais masculino este ano. Comecei a usar um terno com um canivete de ouro pendurado na parte de fora do bolso. Então agora as pessoas não me olham só porque tenho 1,85m de altura e uso maquiagem; agora eles olham para mim e sabem que não querem começar uma conversa comigo. Porque agora eles sabem que há uma chance de eu trazer o canivete, o que aconteceu.

Eu estava num bar uma noite e esse cara disse algo para mim - que, ironicamente, também era Australiano, e isso não é culpa da Austrália
," ele ri. "Eu estava com dois amigos, um diretor e um produtor, só tomando uma cerveja. Um cara esbarrou com um monte de acompanhantes de luxo e disse, "Sai da minha frente, caralho," de um jeito machão. Eu nem estava perto dele. Eu falei, "Temos algum problema? Está procurando por um problema?" Ele resmungou de volta, "O que você disse?"

"Eu disse, temos algum problema?"

Você está procurando por um problema?

'Olhe para baixo
.'

Ele saiu do bar."

"Sou muito ruim para festas, e sou muito ruim ao redor de pessoas que não conheço," ele ri. "É um fenômeno que fico apto a estar no palco em frente a milhares de estranhos e fazer o que faço. É um perde-e-ganha. Um dom, uma maldição? Eu não sei. As pessoas me perguntam, "Qual a diferença entre você no palco e fora dele?" É muito fácil de explicar. Fora do palco, estou rodeado de pessoas que conheço, no palco, estou em frente a pessoas que nunca conheci.

Merda
", ele exclama pouco antes de acabarmos nossa ligação. "Tenho algo muito importante para te falar. Por favor, esteja certo de que seus leitores saibam que o mais novo solteiro Marilyn Manson estará indo para a Austrália."

Ontem (01) a banda fez seu último show na Austrália, mais uma vez em Sydney, desta vez como parte do festival Soundwave. Agora a turnê dá uma pausa e volta no dia 25, com show em Portland.

Manson juntou-se mais uma vez ao Smashing Pumpkins e cantou a música Ava Dore. Confira o vídeo abaixo!

1. Intro
2. Deep Six
3. Disposable Teens
4. mOBSCENE
5. Third Day of a Seven Day Binge
6. Personal Jesus
7. This is the New Shit
8. Sweet Dreams (Are Made of This)
9. The Dope Show
10. Rock Is Dead
11. The Beautiful People
12. Irresponsible Hate Anthem

The Beautiful People

Ava Dore

Hoje (28) o Manson tocou novamente em Brisbane, mas, desta vez, como parte do festival Soundwave.

1. Intro
2. Deep Six
3. Disposable Teens
4. mOBSCENE
5. Third Day of a Seven Day Binge
6. Personal Jesus
7. This is the New Shit
8. Sweet Dreams (Are Made of This)
9. The Dope Show
10. Rock Is Dead
11. The Beautiful People
12. Irresponsible Hate Anthem

Ainda sem vídeos.

Ontem (27) a banda tocou em Brisbane, em apresentação solo. O setlist não foi divulgado, mas é provável que tenha sido o mesmo tocado em Sydney no dia 25. A surpresa fica com a participação de Johnny Depp na música The Beautiful People! Ainda não há vídeo completo, apenas um trecho.

Disposable Teens

The Beautiful People (trecho)

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14.11 @ Annexet
15.11 @ Hal 14
16.11 @ Sporthalle
18.11 @ Zenith
19.11 @ Tip Sport Arena
20.11 @ Gasometer
22.11 @ Pala Alpitour
23.11 @ Samsung Hall
25.11 @ Velodrom - UFO
29.11 @ Mitsubishi Electric Halle
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