Revista Black Market (1994)

Se você ler a review do álbum Portrait of an American Family nesta revista, provavelmente diria que era apenas uma questão de "quando eles virão para a cidade?", se vamos ou não entrevistá-los. Falando em questão de show, eles são a banda de abertura para o Nine Inch Nails e essa é a primeira vez em West Coast, mas posso dizer pela entrevista com o Mr. Manson que eles realmente arrebentam! As vezes você pode dizer se a banda é boa ou não ao vivo só de olhar, entende? É difícil de explicar, mas tem alguns quesitos, como a aparência: quando você entrevista um cara realmente magro, alto, com cabelo super longo, com pele tão branca quanto um fantasma, com os dois braços cobertos por tatuagens e que gosta de falar sobre como as coisas pegam fogo (se é inflamável, é considerável. Incluindo pessoas!). Bem, eu não sei, mas algo aponta um grande show ao vivo. Não sei exatamente o que é, mas está ali! Nós o entrevistamos antes do show em San Diego:

Nos fale um pouco a respeito da banda, de como você começou.

Tudo começou em 1990, quando eu estava escrevendo. Eu não chamaria aquilo propriamente de letras, eu estava apenas escrevendo algumas ideias que tinha. Eu não tinha nenhuma ambição de formar uma banda porque nunca pensei que seria o ideal para mim. E o nome Marilyn Manson foi algo que surgiu de um casal de opostos. Eles (Marilyn Monroe e Charles Manson) foram as duas celebridades mais memoráveis dos anos 1960. A um nível filosófico, achei interessante juntar dois extremos e colocá-los juntos formando uma área "cinza" que realmente transcendeu as fronteiras do que eu estava escrevendo, do que eu vivia no momento, bem, era o certo para mim. O nome realmente define meu propósito e o que eu quero passar. Conheci nosso guitarrista (Daisy Berkowitz) e ele tinha algumas composições sem letra e como experiência decidimos nos juntar. Acabamos escrevendo músicas como Dogma e My Monkey, que foram as primeiras faixas que escrevemos que estão no álbum. Esse foi o nascimento da banda.

Você já esteve em outra banda antes?

Não.

Pelo conteúdo do seu CD, obviamente você gosta de serial killers e coisas assim, certo?

Até certo ponto, mas não mais do que qualquer outra pessoa. Eu não sou um fanático, mas sou fascinado pelo jeito que as pessoas são. O que eu acho mais interessante é o que deixa as pessas interessadas. Também tem a relação entre estrelas e serial killers, que é muito tênue.

Hollywood Babylon, hein?

Claro. Eu pensei depois de ver Marilyn Monroe e Charles Manson um ao lado do outro, parecia não haver tanta diferença assim, eles não eram opostos extremos como as pessoas pensavam. Aquela diferença começava a cruzar a linha. Eu tendo a procurar coisas que as pessoas consideram feias; achar coisas que a sociedade decide que são bonitas e torná-las não atrativas.

Como a música Cake and Sodomy?

Sim, esse é meio jeito de fazer as coisas. Se alguém diz que não gosta de algo, quero descobrir o porquê. Geralmente, vejo que coisas que eu não gosto são coisas que tenho medo, não gosto de gente fraca porque tenho medo de me tornar fraco. Quero controlar a minha vida, não quero pessoas me dizendo o que pensar ou no que acreditar, e acho que isso deveria servir para todos. As pessoas são como parques de diversão, brincando sabendo dos riscos. Me pergunto porque a sociedade precisa de algo como Marilyn Manson, é uma das minhas perguntas. Fui educado na cultura Americana, sou um produto da América. Então é completamente injustificável as pessoas acharem que estou fazendo algo errado. Sou um sintoma de um problema que eles criaram. Eu vim deles e eles não podem culpar ninguém, a não ser eles mesmos.

Como você entrou na Nothing Records?

Eu e Trent somos amigos há um tempo. Dois anos atrás ele me chamou e me contou que estava vivendo na casa de Sharon Tate e que eu precisava conhecer.

Ouvi dizer que ele transformou num estúdio.

Sim, então eu fui até lá e começamos a conversar. Nós estávamos sendo procurados por outros selos, mas eles estavam com medo de lançar nosso disco.

Por que?

Eles não estavam dispostos a apoiar o que eu tinha a dizer. Nem todos vão concordar com a minha opinião e eu não ligo, mas muitas gravadoras não estão dispostas a correr riscos para apoiar uma opinião que eles não concordam. Mas ele (Trent) concordou e queria gravar, lançar e ele estaria ali. Trabalhando comigo no estúdio, ele não tentou colocar nenhum tipo de influência no som para soar como ele queria. Ele sabia como era a nossa música e fez soar o melhor que pode.

Então o som da banda Marilyn Manson é totalmente vocês. Eu estava um pouco curioso se ele tinha influenciado na produção de alguma forma, foi legal ele não ter feito. Então que tipo de coisas você pode dizer que gosta? Ouvindo seu CD parece que você gosta de muitas coisas diferentes.

Eu estou nos extremos. Não importa se é a extrema gentileza ou extrema violência.

O sample daquele programa de TV antigo, Lidsville, foi bastante extremo, a risada daquele Chapeleiro Maluco. Foi muito legal! Fiquei louco quando ouvi a primeira vez! Onde você conseguiu pegar?

É muito nostálgico e isso representa uma grande parte do que fazemos. Só porque as coisas são novas não significa que são necessariamente melhores e, muitas vezes, tem coisas como Lidsville que te transportam para outra época da sua vida. Como na nossa música Lunchbox, é como uma autobiografia da minha infância. Há 5 anos encontrei minha lancheira do Kiss e lembrei do tempo em que estudei na escola Cristã e que eu era proibido de levá-la. Eles achavam que era satânica e nessa mesma época as crianças me batiam na escola pública, porque eu era um maricas que veio da escola particular. E finalmente fui expulso da escola Cristã por roubar dinheiro das garotas durante a oração.

Que menino mau…

Eu achava meio poético, mas não concordaram comigo. Isso me lembrou esse fato e todas as pessoas que foderam comigo. Eu sempre soube que um dia teria minha revanche e essa é a minha maneira. Porque agora eles provavalmente estão na meia idade vivendo com sua família num trailer. E eu estou aqui. Fodam-se.

Você assiste muitos talkshows, certo?

Não tenho muito tempo durante a turnê, mas assisto toda hora. Acho realmente interessante o jeito que a plateia e o apresentador se tornam hipócritas e eles reclamariam de alguém como eu, que estaria lá, e acusariam a pessoa de glorificar assassinos em massa ou de explorar as vítimas. "Marilyn Manson" são só duas palavras, mas se você quer tornar em algo que não é, você pode. É qualquer coisa que você queira. É a América que torna Marilyn Manson palavras sujas. Seja lá o que eles queiram fazer, você tem que tomar responsabilidade por suas ações. Não quero ouvir nenhum policial surgindo de alguém e tentando culpar um álbum. Porque você é oprimido, não tem direito de oprimir outros. Porque você é vítima, não tem o direito de vitimizar outros.

Mas e se eles realmente não souberem que está errado. Quero dizer, e se eles não perceberem o que é errado ou certo?

Certo, bem, isso faz parte de outra coisa que eu acredito. Uma seleção natural no Darwinismo Social e é um processo de eliminação, você pega o forte, você pega o fraco – é a lei da selva. Acho que eles deveriam remover a lei das armas e das drogas e descobrir quem quer viver. Quem quiser morrer por causa das drogas, vai morrer, e quem quiser atirar nos outros, vai atirar. A América está sempre tentando te proteger de você mesmo, mas acho que as pessoas sabem como se proteger, é um instinto animal. Sabe, animais tem sempre dado diretos às pessoas, mas como assim as pessoas não deram direitos aos animais?

Isso seria fantástico, mas nunca vai acontecer.

Você nunca sabe o que vai acontecer. Acho que o que seria legal também, e eu sou capitalista – não me entenda mal, é tornar o dinheiro ilegal e as pessoas serem medidas pelo valor do que elas realmente podem fazer. Quero dizer, há uma porção de pessoas que não fazem dinheiro algum e elas realmente trabalham muito e também há pessoas super ricas que não conhecem nada. E tem aquelas pessoas que sugam todo seu dinheiro por estarem bem. Não é minha responsabilidade tomar conta de pessoas que não conseguem fazer isso. As pessoas vem até mim na rua e me pedem dinheiro – Sabe, "vá trabalhar!" Eu tenho uma porra de um trabalho, por que você não pode ter? – Não vou te dar meu dinheiro porque você não merece. Dê um tiro na cabeça deles e façam eles pararem de desperdiçar o tempo e o dinheiro das pessoas.

Parece que você tem lido muita filosofia

Não muito.

Você parece bem articulado

Aprendo muito conversando com as pessoas. Gosto muito de Nietzsche, costumava ler muito. Gosto muito do Anton LaVey também. Essas são as duas pessoas que eu mais respeito. Eles são realistas. Você pode ser um idealizador e você pode ser politicamente correto e você pode falar a merda que quiser, coloque seu distintivo de bom garoto e diga, "Vou defender o direito dos animais, não vou comer carne" ou sei lá. Quero dizer, você realmente acredita nisso ou só está tentando encontrar algum tipo de valor na sua vida? Isso é o que as pessoas precisam se questionar.
As pessoas são seletivas com o modo que elas julgam as coisas, elas fazem o que funcionam para elas e isso não é um grande negócio, é apenas andar por aí com uma auto-ilusão e achar que são honestos porque apoiam isso e são contra aquilo – besteira.
Digo sem problema algum: Sou um hipócrita. Se você admite que é hipócrita, então você pode ir além e você pode ser mais verdadeiro que o resto das pessoas. Eu digo o tempo todo paras as pessoas que tudo que eu digo é uma mentira, você descobre o que acreditar. Tudo é uma mentira, porque a verdade só é relativa a quem está acreditando, então você escolhe a mentira que mais funciona, enquanto você souber que é uma mentira e não tentar se iludir – você não consegue perder. Não há nada que falem de mim que me faça ficar puto, porque eu não importo. Se as pessoas querem criticar a nossa música eu não me importo. Se você não gosta, você não gosta.

E sobre todas as mortes associadas a Marilyn Manson, a medida que essa coisa de serial killer anda?

Bem, eu não estou envolvido em nenhuma matança e também não quero morrer. Minha coisa com suicídio é se uma criança ouvir nosso CD e decidir se matar. Porque você é um idiota, teus pais te criaram como idiota, um tolo. Acredito que tenha muitas pessoas no mundo, se você se matar, tudo bem, sobra mais espaço para mim. Não ligo. Na verdade, leve mais uns dois com você.

Ok, então sua visão sobre suicídio mostra que se uma pessoa vai fazer algo, essa pessoa vai fazer de qualquer maneira?

É responsabilidade dela, não minha. Sou responsável pelas minhas ações, então os outros deveriam ser responsáveis por suas próprias. É como penso. É culpa dos pais.

Estávamos falando de Dope Hat, em que você usou o sample de Lidsville. Que tipo de programa você assistia quando criança?

Eu assistia muito Scooby Doo. Sempre tive uma queda pela Daphne. Minha primeira ereção foi por causa dela.

Como aconteceu?

Bem, eu estava assistindo Scooby Doo um dia [ele olhou para seu pênis] e eu fiquei tipo "O que é isso?"

Isso é diferente… Ficar excitado por uma personagem de desenho animado. Você fez a arte do encarte do Portrait of an American Family?

Sim, montei aquelas bonecas enquanto estava em estúdio. Eu coleciono aquelas coisas.

Alguma história memorável durante a turnê?

Eu tenho colocado fogo nas coisas frequentemente. Estávamos em Seattle em uma after party, eu estava bêbado e um cara estava sendo um idiota. Então eu ateei fogo na pista de dança.

Você fez o quê?!

Ateei fogo na pista de dança.

Como você fez isso?

Com fluido de isqueiro e um fósforo. Fiz uma entervista em Nova York e o cara perguntava coisas muito idiotas, então coloquei fogo nele.

Eu devo estar fazendo um bom trabalho, então.

Estou me comportando essa semana.

Discussão

0

Regras

  • Respeite as pessoas. Sem insultos ou ataques pessoais.
  • Não publique spam ou propaganda repetitiva.
  • Não publique ameaças ou discurso de ódio.
  • Mantenha a conversa no assunto da publicação.

Comentários passam por aprovação antes de aparecer. Seu e-mail não será publicado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

← Voltar às entrevistas