Quarto Escuro (2007)

Sentado num quarto gelado com as luzes apagadas, camiseta e calças pretas, maquiagem e óculos escuros – surpreendentemente acessível e sincero –, Marilyn Manson responde a perguntas sobre o fim do seu casamento enquanto saboreia um absinto.

 
 
O novo álbum Eat Me, Drink Me é bastante diferente de The Golden Age Of Grotesque.
Deixei de querer fazer música – olhando agora para trás vejo que não percebi que simplesmente tinha deixado de gostar de mim… Estava enfiado num casamento onde era esperado que eu mudasse. Não percebi isso e quase foi tarde demais. Por isso, fazer este disco foi uma espécie de redenção ou salvação – se este disco não existisse, eu não existiria. 
 
Quando percebeu que tinha virado a página?
Bastou uma canção. A primeira, pelo que me lembro, foi Just A Car Crash Away e esse primeiro take é o que está no disco – a primeira vez que a cantei. Foi um período muito difícil da minha vida, mas a música fez-me ver que este é quem sou. De certa forma, estava tentando escapar de mim mesmo ao me envolver em diferentes formas de arte, em vez de simplesmente as combinar. Não reparei que ao não querer fazer discos, não queria ser eu próprio – por isso, neste disco podem me ouvir recuperando as forças.
 
Falou em mudança – quem é que estava esperando que mudasse?
Acho que a minha ex-mulher esperava que mudasse coisas em mim que sempre foram assim – o meu ciclo de sono, por exemplo. Desde que posso me lembrar, deito quando o Sol nasce e me levanto quando o Sol se põe – exceto hoje, porque me fizesse trabalhar. Quando as pessoas esperaram que você mude, por um lado estão te forçando a crescer, a ser responsável, a amadurecer. Não percebi que comecei a questionar o que sou… Só quando voltei a cantar é que vi que gosto disso – e foi como fazê-lo de novo pela primeira vez.
 
Com um título como Eat Me, Drink Me (inspirado no caso de canibalismo que aconteceu na Alemanha há alguns anos) e uma canção chamada Mutilation Is The Most Sincere Form Of Flattery – quanto disso é apenas uma forma de procurar controvérsia?
Acho que sou naturalmente ofensivo ou controverso no dia-a-dia – é o meu sentido de humor. Mutilation is the most sincere form of flattery foi algo que eu disse enquanto estava gozando. De repente vi que nunca ponho a minha personalidade dessa forma na música – as pessoas só me conhecem realmente (seja isso mau, sarcástico, ou o que for) se falarem comigo. Foi isso que fiz nesse disco.

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