Guitar Center (Ginger Fish) (2000)

Ginger Fish é o baterista da banda Marilyn Manson desde 1995 e, nesse tempo, exaustivamente participou das turnês e das gravações. Ele falou com o Guitar Center sobre seu set e sobre as aventuras na estrada com Manson.

GC: Por que você escolheu as baterias da Premier?

Fish: A primeira bateria que minha mãe comprou foi uma Premier. Eu estava tentando usar bateria eletrônica, porque não achei que poderia comprar um conjunto inteiro da acústica. Fui à uma venda de garagem e um cara me perguntou se eu  gostaria de comprar uma bateria. Ele me mostrou e era uma Premier Resonator! Acabei comprando aquele set e, desde então, só toco em Premier e nunca tive nenhum motivo para mudar! São baterias muito boas! Não tocaria nelas, caso não fossem.

GC: Conte-nos sobre seu kit atual.

Fish: Não estamos mais na estrada, então não estou tocando no kit da turnê. O da turnê foi feito, principalmente, para ser visto! Na turnê passada não havia fotos minhas, eu estava por trás daquele enorme kit preto. Estava completamente coberto e ninguém pode dizer nem se eu realmente estava lá! Então coloquei os bumbos de 8 polegadas, pude colocar os tons na frente deles e ser visto nesta turnê. Funcionou muito bem. Todos conseguiam me ver, havia muito mais fotos e imprensa por causa disso.

GC: Ouvi dizer que você toca com 3 pedais. Isto está certo?

Fish: Os 3 pedais são apenas para a aparência. Os dois bumbos da minha esquerda são os que uso. Devido aos tons estarem à minha frente, o bumbo tem que ser colocado na esquerda. Estou usando extensões DW. DW fez para mim um pedal especial que se estende até o bumbo. Porém, os dois bumbos muito à esquerda fizeram com que a bateria parecesse um pouco desequilibrada, por isso coloquei o terceiro. Apenas por aparência.

GC: Qual foi a melhor aquisição recente à sua bateria?

Fish: A melhor coisa que comprei recentemente foi meu Akai S5000, que só encontrei na Guitar Center. Ele tem 256mb de RAM e posso carregar todo o meu conjunto de sons de bateria e coisas assim. Já usei o MPC3000, ainda o uso, e muitos outros equipamentos que uma vez upados os sons, estava feito. Com o S5000 eu posso upar sem limites e posso sobrepor. Posso colocar 3 sets diferentes, colocar 3 canais MIDI diferentes e encorpar meus pedais, chimbal, caixa ou qualquer outra coisa que eu quiser.

GC: Você pode nos contar um pouco sobre o uso de elementos eletrônicos?


Fish:
Ao vivo eu uso um "cérebro" Ddrum 3. Que eu uso principalmente para o meu assento. O banco tem um agitador na parte inferior, então posso sentir um soco sem ter esse enorme sistema PA atrás de mim. Os agitadores batem no seu traseiro quando toco o bumbo. Para ter o som mais limpo, eu uso o trigger* do Ddrum no bumbo no meu banco. Na frente é tipo um mix 70/30; 70% de microfones e 30% de eletrônicos. A maioria dos eletrônicos são usados para o meu banco e meu sistema de monitores. Também um MPC3000 que uso um track-out e loops, coisinhas  distorcidas que vão em algumas músicas. E eu também uso dois Tascam DA88, que são gravadores digitais de oito faixas. Eles são sincronizados com  uma unidade de controle remoto RC848. Não lido com pads ao vivo, pela falta de realidade. Não fico esperando que os pads quebrem em uma noite. Uso o MPC3000 e é muito mais seguro que um pad e eu tenho um pedal de início/término no meu chimbal e eu começo o loop quando acho melhor ou paro também quando acho que devo. Muito disso é só metrônomo para manter as músicas em ordem, porque o Pogo, nosso tecladista, toca um monte de loops e quando ele toca uma batida com o teclado, o loop deve estar em oito barras. Eu tenho que estar exatamente em 92 bpm ou então o loop não estará no mesmo tempo da música. Então eu tenho que tocar com o metrônomo no meu ouvido, assim, quando ele toca uma, fica no tempo. Nem sempre consigo escutá-lo e tudo é tão caótico ao vivo que isso é a coisa mais lógica a se fazer para manter tudo em ordem.

*"Trigger" é um dispositivo eletrônico que liga diretamente ao bumbo. É usado para mandar um sinal MIDI ao som quando a bateria é tocada.

GC: Mas o equipamento dele não está sincronizado com o seu?

Fish: Não. Eu e ele somos totalmente auto-suficientes.

GC: Você fica ocupado o show inteiro.

Fish: Sim, eu faço o show ao vivo. Praticamente de música à música. Fico tentando ler a mente do Manson e tentando descobrir o que ele vai falar e quando ele quer que a música comece! Eu começo e paro a cada música. Tenho que escutar a tonalidade de sua voz. Quando ele pronuncia com certo timbre ou grito, eu sei que é pra música começar. Às vezes não consigo captar isso e começo quando ele não quer que comece. Se ele ainda queria falar alguma coisa, se vira, joga água em mim ou coisas do tipo. É um trabalho de ler e adivinhar sua mente.

GC: Parece difícil! Mas ele não muda a ordem das músicas, muda?

Fish: Sim! Conheço muitas pessoas que começam e terminam da mesma maneira. Eles geralmente apertam o play do aparelho, ou coisa do tipo, e o show acontecerá dessa maneira do início ao fim. Manson não é assim. Ele, no meio da noite, pula uma música ou quer ir para outra diferente. Ou então irá até o baixista e dirá em seu ouvido qual música é para ser tocada e eu fico sem saber o que tocar até ouví-lo tocar! Então é intuitivo estar no palco com o Manson. Não há muita organização. Ou melhor, é muito organizado, mas de uma forma caótica. Quer dizer, você só tem que saber o que vai acontecer. Como eu disse, já fui atingido na cabeça, minha bateria já foi destruída. Eles acabam o show antes e você simplesmente não sabe o que vai acontecer. Toda vez que subo no palco, repito na minha mente "este é o último show que faço com esses caras!"

GC: É uma situação interessante! A pergunta óbvia é: porque você continua fazendo isso, então?

Fish: É o que eu sei fazer, sabe? Não me vejo indo tocar com os Backstreet Boys, N´Sync ou GooGoo Dolls, entende? Se for pra subir no palco, tocar apenas algumas músicas, o público aplaudir e eu sair, eu ficaria entediado. Chegou num ponto que se não tiver essa loucura toda, seria chato!

GC: Talvez Whitney Houston esteja disposta a jogar alguns pedestais na sua cabeça.

Fish: Sim, exatamente!

GC: Você toca diferente em estúdio e ao vivo?

Fish: Sim, definitivamente. Quando estamos tocando ao vivo, tento ser visto e me preocupo com a aparência da bateria. Quando se toca 1 hora, 1h15min ou algo assim, você tem que ter equipamento o suficiente para tocar bem todas as músicas. Eu não carrego uma tonelada de equipamentos só para ficar ali. Tudo que tenho, eu uso, ou então não levo. Às vezes Manson quer deixar de tocar alguma música do set, ou vamos deixar de tocar alguma por uns dias, então eu tiro o tom de 10 polegadas, se não vou usá-lo. Se ele decide que esta noite quer tocar a música, coloco de novo no meu set o tom de 10 polegadas por hoje. Basicamente, não coloco todo o tipo de coisas, porque se torna uma coisa intuitiva. Você começa a pensar em todos esses equipamentos e em como vai acertar todas essas coisas, sabe? Tudo que uso ao vivo, uso porque tenho que usar durante a 1 hora de show. Eu faço um kit bonito para tocar ao vivo, então ele pode não ser o mais fácil, nem o mais cômodo, nem o mais confortável e coisas assim, mas ele tem uma ótima aparência! Em estúdio eu não 
monto o kit inteiro. O que eu monto no estúdio, é o mínimo. Se eu tenho que usar o bumbo, chimbal e pratos e não preciso dos tons, não monto os tons. Se eu preciso do básico, monto o básico.

GC: Você leva para o estúdio muitas partes da bateria a fim de ter opções e variedade?

Fish: Tento levar tudo que posso. Mas o último produtor que trabalhou conosco alugou todos os sets de bateria da cidade. Ele foi a mais ou menos 3 empresas! Ele foi na Drum Paradise, Drum Doctors, todas as lojas! Primeiro, alugou todos os sets que você pode imaginar. Depois, montou cada bateria em uma sala e ouviu uma por uma, com um microfone em cada canto, para só aí decidir qual seria usada.

GC: Isso fez diferença, na sua opinião?

Fish: Aos olhos dele, sim, eu acho. A bateria tinha um ótimo som, então ele, definitivamente, fez um bom trabalho! Nunca tive esse tempo todo para passar fazendo isso e sempre quis ter. Normalmente abandonamos as da turnê com as peles e bumbo quebrados. Abandonamos e fizemos o "Smells Like Children" em três dias. Eu escuto esse álbum agora e a bateria está ótima! Mas quando estávamos gravando, na época eu pensei "Queria ter passado mais tempo nessa bateria." Mas ainda soa bem da sua maneira. Elas soam totalmente diferentes. 
Sabe, tudo tem seu tempo, eu acho! Com o último álbum fizemos uma bateria densa, com som clássico. Mas no "Smells Like Children" foi bem punk. Abandone e faça o serviço. Fica bom. Fizemos "I Put a Spell On You" para a trilha sonora do Lost Highway, a bateria era bem seca e fizemos com o mesmo set. Nós a jogamos fora muito rápido. Mas fazemos as coisas muito rápido, então não faz tanta diferença. Nós abandonamos os pratos e eles acabaram quebrados, então jogamos outro jogo fora e eles acabaram sendo quebrados.

GC: Você está envolvido nas composições?

Fish: Só na parte da bateria, principalmente. Nós começamos compondo os programas de loops da bateria, tocamos algo na passagem de som. Eu venho com a batida, o baixista com o riff do baixo, o guitarrista vai começar a tocar e é basicamente isso. Quer dizer, eu não toco guitarra, então não sou apto a escrever Rock para uma banda de Rock. No passado eu programei algumas coisas. Nada que Manson use, ou que eu espero que ele use, mas estou bem com este fato. Eu tento ser o melhor baterista que posso e não quero ofuscar argumentando quem escreveu mais material nas músicas, sabe? Uma música é executada, e então duas, e antes que você perceba, vai acabar tendo 6 ou 7 músicas. É um processo lento.  Fiz um pouco dos teclados do novo álbum, mas Manson também fez, Twiggy também, todos fizeram! Então é assim, quem está por ali começa a tocar algo e tudo se habitua. Toquei um pouco no álbum que acabou de sair da Powerman 5000. Eles são amigos e disseram "Porque você não aparece por aqui e toca teclado?". Então fui e improvisei com eles em uma música, eles gravaram e acabou indo pro CD. Eu achei que iríamos ensaiar por um dia e então gravar. Mas nós simplesmente improvisamos e gravamos e estava pronto! Foi uma improvisação total.

GC: Você tem estúdio em casa?

Fish: A banda possui um estúdio de gravação completo e eu constantemente compro mais equipamentos e eles me reembolsam. Quando nosso antigo engenheiro nos deixou para trabalhar em outros projetos em Los Angeles, o estúdio ficou parado e ninguém o usava, então comecei a tomar conta. Comecei a aprender a usar ProTools e Studio Vision. Liguei os racks e levamos eles pra turnê. Eu costumava configurá-los no hotel, durante a turnê. Desde que voltamos para a cidade, sou quem leva eles pra lá e pra cá e que os monta em estúdio. O estúdio está lá para eu usá-lo 24 horas por dia, quando eu quiser. O considero um estúdio caseiro porque posso usá-lo a hora que quiser, mesmo que não seja somente meu, e sim da banda. Nós usamos Logic e Studio Vision e temos um sistema ProTools. Temos toda a linha TC Eletronics. Temos um pouco de tudo. Uns Finalizers, uns Fireworx. Temos tudo que a TC faz. Temos também o velho Eventides, Drwmer Compressores, todos os pedais que você conseguir imaginar. Temos três DA88. Uso dois ao vivo e, quando não estamos ao vivo, os levo de volta ao estúdio e posso sincronizá-los no computador. Nossos consoles de mixagem são todos Mackie. Tenho um SR32o4, acho que é isso, e dois 1604. Tenho microfones Shure muito bons. Além deles, tenho SM57 e 58, mas todos eles são Shure.

GC: Então, se eu tivesse começado a tocar bateria e não tivesse muito dinheiro para gastar, o que você sugeriria?

Fish: Um casal de amigos meus me ligou querendo saber qual kit eles deveriam comprar. Eu sempre sugiro o kit Cabria, que é um Premier. É praticamente a mesma coisa dos Projector antigos. Eu tocava um desses. Eles tem um som incrível e o Cabria é basicamente a mesma coisa. Um ótimo custo-benefício. Uns caras da minha banda pretendem montar sets de bateria em suas casas, e são as dessa linha que eu pretendo dar a eles.

GC: Qual conselho você daria aos bateristas mais novos?

Fish: Você, definitivamente, tem que aprender a tocar com metrônomo! Tem que praticar com o equipamento. Você não irá muito longe se não conseguir entrar num estúdio e tocar com metrônomo, porque hoje em dia tudo é rodado em computadores. Você será substituído. O último baterista do Manson não conseguia tocar com metrônomo. Ele não conseguia fazer isso nem no estúdio, nem ao vivo. Eles me contrataram porque eu consigo. Quando você chega a um certo nível e sua banda quer usar metrônomo no estúdio, você será demitido se não conseguir!

GC: Você se aquece antes dos shows?

Fish: Eu costumava me aquecer na turnê do Antichrist Superstar. Eu tocava por uma hora, mais ou menos. Montava um set de treino no backstage e tocava durante a banda de abertura. Depois percebi que muitas vezes é mais fácil apenas subir no palco e tocar, dependendo do setlist. Se é uma música difícil primeiro ou se é um setlist com músicas simples primeiro, que lhe dão tempo para se aquecer antes de chegar no meio do show. Na última turnê, eu gastava 5 minutos aquecendo minhas mãos, mas gastava 20 me alongando. Na minha idade, preciso alongar meus músculos; eu estava levantando muito peso e meus músculos estavam doendo, você pode ficar com as mãos geladas e coisas assim, então é uma coisa muito importante a se fazer. Quando você é jovem, talvez você se safe e não faça, mas quando fica mais velho, é obrigado a fazer. Passo 20 minutos me alongando, não mais que isso, porque já me alonguei demais antes. Me alonguei demais e fui tocar; foi mais difícil tocar o show inteiro desse jeito do que se não tivesse me alongado. Então eu tento limitar o tempo de alongamento antes de tocar. Me alongo de noite antes de dormir e de manhã, quando acordo. Você tem que esticar seus músculos antes e relaxar. Se você começar a ficar tenso e forçar demais seus músculos, suas mãos não funcionarão corretamente. Você deixará a baqueta cair e suas mãos ficarão geladas. Você tem que relaxar. Têm muito stress mental que você tem que simplesmente esquecer quando está tocando.

GC: Você pratica?

Fish: Estou tentando praticar o máximo que posso, no momento. Eu tenho mais ou menos cinco baterias montadas na minha sala. Toco na bateria destra e canhota. Estou focado agora na destra, que é obviamente muito diferente, porque meu pé direito não quer fazer as mesmas coisas do meu pé esquerdo. Meu pé esquerdo é bem swingado e rápido, meu pé direito é mais orientado para o rock, muito simples e direto ao ponto. Várias coisas que eu toco com a destra soam muito boas. Na canhota, eu toco muito swing. Muitas músicas do Manson são swingadas e as pessoas não percebem. Há muito swing e blues. The Beautiful People e The Dope Show são swingadas na batida, tem riffs de blues e coisas assim. Eu pratico uma 
hora em cada kit (canhoto e destro). Quando estamos gravando, vou para o estúdio ao meio-dia e vou embora quando o Manson cansa. Que é mais ou menos 2 horas da madrugada. Então, o treino não pode ser regido nesse ponto de tempo, eu trabalho o dia inteiro. Eu realmente quero ler mais e talvez contratar um professor de novo enquanto estamos na cidade esse ano, ter aulas de novo. Eu tive aulas com um baterista da Yamaha chamado Les Miller, na Flórida. Também falei algumas vezes com Chuck Silverman, que agora está lecionando em Miami. Ele é muito bom em ritmos latinos e coisas do tipo, então talvez eu o chame e tente ter aulas com ele por um tempo. Eu sei que tem uma clínica na Guitar Center, vou tentar entrar. Eu só estou tentando ser um baterista. Tentando aprender o máximo de coisas que conseguir. A competição de bateria da Guitar Center foi terça-feira passada e será
toda terça-feira nos próximos 2 meses. Vou tentar entrar e ver os bateristas mais novos, você aprende muito escutando!

GC: Você compra na Guitar Center?

Fish:
Eu praticamente moro lá! Estou lá diariamente. Amo a parte das baterias. Poderia viver ali! Quero apenas me divertir, discutir sobre bateria, falar e ver gente. Então eu saio para curtir ali e compro diariamente coisas que meu patrocinador não dá. Todos os meus aparelhos de teclado vieram da Guitar Center: efeitos, patches, cabos e qualquer tipo de bibliografia. Comprei mais cases e racks para o estúdio. Twiggy vai lá sempre e compra milhares de baixos, guitarras e equipamentos!

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