O Vampiro de Hollywood Hills (Rolling Stone) (2015)

O Vampiro de Hollywood Hills

Bem vindo à meia idade do Marilyn Manson: Mais academia, menos absinto – e seu melhor disco em anos.

 

Quando Marilyn Manson vai dormir, geralmente a manhã já começou, e quando ele acorda, uma completa escuridão não está muito longe. Nesse quesito, como em quase todos os outros, ele faz o que quer. Se ele quer lençois pretos em sua cama e com a temperatura sempre chegando nos gelados 18ºC, ele consegue. Outro exemplo: Vamos dizer que ele quer fazer amor com sua namorada, a fotógrafa Lindsay Usich, que é tão fina quanto a vassoura de uma bruxa e tem os cabelos pretos como um corvo, nestes lençois, nenhuma luz deve estar acesa. "Sou bem tímido, apesar do que você imagina," ele diz. Segundo, nenhuma cueca deve estar abaixada além dos tornozelos. "Tenho uma fobia de que a casa vai pegar fogo e eu não quero estar pelado," ele diz. E finalmente, cinco é o número absoluto mínimo de "congresso sexual", como ele gosta de chamar, que deve ter por dia, com dez sendo o máximo mais recente. E isso, aos 45 anos – "a idade de um pequeno recorde," ele diz, com sagacidade típica – embora dificilmente pareça possível.

Então novamente, o que exatamente sobre o Manson é possível? Dentre outros feitos, seu novo álbum, The Pale Emperor, é quase igual ao Antichrist Svperstar, o disco de 1996 que o elevou do terreno baldio pós-grunge de Fort Lauderdale ao shock-rock no topo, muito ao horror da Cristã direita, que em 1999 tentou culpá-lo pelos horrores do massacre em Columbine. Mas enquanto o Svperstar era todo sinistro e industrial, o The Pale Emperor tem uma pegada blues, com sintetizadores pesados, acessível e cheio de grunhidos e tormentos, incluindo os sons agudos dos coiotes roendo em uma matança. Muitas de suas músicas, entre elas a recente Third Day of a Seven Day Binge, foram gravadas em uma única tomada, com todos os esforços subsequentes para limpá-las sendo ignorados. "É sujo", diz Manson de forma feliz. "Como a sujeira embaixo das minhas unhas, como alguém que tenha cavado uma sepultura."

Agora, a única coisa que ele está cavando é um refrigerante Sunkist de uva de sua geladeira em sua casa com estilo gótico em Hollywood Hills. Ele abre a lata, coloca um pouco em um copo, o abaixa e nunca mais toca nele. Então ele dá um passeio pelo lugar, mostrando seus pertences mais importantes. Há uma pilha de livros infantis (This Little Piggy, Winnie the Pooh Meets Gopher). Uma caixa de Zyklon B sem uso, o gás venenoso que Hitler usou para exterminar os Judeus. Uma pistola e um rifle em uma mesa de café. Um premiado quadro de palhaço feito pelo estuprador e assassino em série John Wayne Gacy. Basicamente, são todas coisa que você deve esperar de um cara como ele.

Na parte de cima, atrás da porta de um quarto fechado, está Usich. Manson diz que ela não descerá esta noite. Talvez eles devem ter tido alguns problemas de relacionamento. Talvez ela não entenda que quando ele escreve uma música para seu novo disco como a The Devil Beneath My Feet, com letras do tipo, "Don't bring your black heart to bed/When I wake up you best be gone, or you better be dead" (NT: "Não traga seu coração preto para a cama/Quando eu acordar, é melhor você ter ido embora, ou é melhor estar morta") ele não está, necessariamente referindo-se a ela, embora o trecho tenha vindo de um texto enviado para ela.

Hoje ele está usando uma camisa preta, colete preto, casaco preto, calça preta e bota preta com meias vermelho-sangue, óculos de sol cobrindo seus olhos em uma sala que é tão escura que seu cabelo preto, cortado curto e assimétrico, quase não aparece. Ele se movimenta com graça, dedos agitados como um pássaro enquanto ele aponta o que é uma antiga cadeira de aborto que uma vez cobrira com um tapete de castor dado a ele por Brad Pitt e Angelina Jolie. "Eu o chamei de Montanha Beaver," ele diz, "e é onde eu fiz sexo com certos indivíduos que talvez tenha ou não resultado em meu divórcio." Rapidamente, ele pensa sobre isso e você consegue ver o próximo comentário formulando-se em seu cérebro. Espere. Espere. Aqui vai. "Não tenha medo do castor" (NT: A frase original é "don't fear the beaver". Em essência, "beaver" é castor, mas também uma gíria para vagina/boceta. É provável que o Manson tenha feito um trocadilho, mas como não temos certeza, deixamos a tradução original mesmo).

E então passos são ouvidos.

"Desculpe," ele diz, "mas parece que seremos interrompidos agora."

É Usich, usando um vestido colado aveludado com uma fenda peek a boo perto dos seios. Ela está indo para algum lugar chique?

"Não," ela diz. E então ela dá o fora passando pelos olhos observadores do palhaço de John Wayne Gacy e volta para o quarto.

É um momento desconfortável e fica sem explicação. Manson pega sua gata, uma idosa devon rex chamada Lilly White que tem uma delicada mancha do batom vermelho de Usich em sua cabeça, e observa ela ir embora. Ele teve muitas namoradas ao longo dos anos (atrizes Rose McGowan, 1997-2001 e Evan Rachel Wood, 2006-2010, bem como as atrizes pornô Stoya e Jenna Jameson) e uma esposa (a rainha burlesca Dita Von Teese, 2005-2006, vítima da Montanha Beaver), mas que com muita loucura envolvida, nenhum deles terminou bem. "Eu sou um imã para mulheres danificadas," ele diz mais tarde, sem especificar nenhuma.

E então é hora de ir para o Chateau Marmont para uma pequena diversão apenas para rapazes. "Vamos beber algumas coisas," ele diz. "Criaremos palavras próprias. Vamos tocar rap se quisermos." E, claro, iremos ver se vamos nos meter em alguma encrenca. "Eu sou o caos. Eu sempre fui o caos, meu ponto na Terra é o caos," ele diz, ficando agitado, "Sou o terceiro ato de todo filme que você já viu. Sou a parte onde chove e a parte onde a pessoa que você não quer que morra, morre. Estou aqui para foder tudo." O que significa que hoje pode ser um bacanal, cheio de coisas terríveis e maravilhosas. Espero.

De volta à virada do século, ele era conhecido como o causador da discórdia, maníaco e ofensivo. Em 1994, ele virou o ministro na Igreja de Satã e criou um grande negócio disso. No mesmo ano, auto proclamou-se o Deus da Foda, e dois anos depois, o Anticristo. Ele usava lentes de contato que não combinavam, uma castanho escuro e outra azul céu, que o fazia parecer desconcertado. Ele aterrorizava os religiosos de direita ao ponto de quererem seus shows banidos, eles colocavam como fato que qualquer menina virgem que fosse ao show, iria presenciar atos homossexuais no palco, uso de drogas, estupro e bestialidades, o sacrifício de virgens e animais. Os rumores aumentaram. Foi dito que ele havia removido suas costelas para realizar sexo oral em si mesmo. Todo tipo de escândalo não era só possível, como provável – incluindo cobrir uma groupie surda de carne e molhá-la com urina, o que, de fato, aconteceu. E então ele iria a talkshows tipo Bill O'Reilly para filosofar sobre os horrores da religião, a estupidez universal dos políticos e da primazia específica do indivíduo, mesmo se o indivíduo, assim como ele disse uma vez dele mesmo, é "um babaca intencional".

E mesmo pessoalmente, ninguém pode parecer mais galanteador ou suave que ele. Ele senta suavemente. Ele raramente fala obscenidades e fala com um agradável sotaque sulista. Ele é pesado sobre suas roupas; sua camisa está abotoada até o pescoço, cobrindo totalmente as milhares de cicatrizes que marcam seu peito. Ele está constantemente trabalhando em maneiras de melhorar; agora ele está na missão de apagar a palavra "tipo" como um hábito em seu vocabulário. E olhando para trás, ele diz isso na maior parte do tempo. "O aspecto P.T. Barnum (NT: P.T. Barnum foi um showman e empresário do ramo do entretenimento norte-americano) do Marilyn Manson meio que evaporou," ele diz, a prova de que no qual pode ser muito vista no contexto do The Pale Emperor.

Longe de sua música há tempos, claro, está o frontman Trent Reznor do Nine Inch Nails, que descobriu o Manson em 1992, co-produziu seus primeiros discos e então o chamou de "palhaço dopado" que, em seu desespero em ter sucesso como rockstar, iria fingir estar fodido e drogado mesmo quando não estava. Longe mais recentemente, pelo menos neste último disco, estão os membros de sua banda, incluindo Twiggy Ramirez, que costumava ser seu principal parceiro tanto no crime, quanto na música. Ao invés disso, Manson fez o The Pale Emperor apenas em colaboração com Tyler Bates, mais conhecido como compositor de trilhas sonoras para filmes como Guardiões da Galáxia e seriados como o Californication, que foi onde ele e Manson, que fez uma participação em 2013, se conheceram. Inicialmente foi só um 'oi', ao menos até certo ponto. Bates viu Manson bebendo alguma coisa verde e perguntou o que era. Manson disse que era absinto, oferecendo um pouco e ele aceitou. "Então eu fui para a cama naquela noite," Bates diz, "e de repente meus olhos saltaram da minha cabeça. Tenho esposa e filhos, nunca tive uma doença. Então alguns dias depois eu perguntei para ele, "Hey, preciso te perguntar uma coisa. Você não tem herpes, né?" e ele começou a rir: "Eu nunca tive nada, embora tenha pegado chato quando perdi minha virgindade." A bala esquivou-se, eles começaram a trabalhar juntos, com Bates trazendo todo um novo rigor ao processo de gravação do Manson e esperando ressuscitar uma carreira musical que Manson diz que "foi totalmente jogada na terra" após ele ter sido culpado por Columbine. Isso foi por volta de 15 anos atrás. Nesse meio tempo, ele lançou outros discos, entre eles o Eat Me, Drink Me e The High End of Low, e foram garimpados pela maioria dos fãs e críticas, e em 2009 ele saiu da Interscope, que tinha sido sua gravadora desde o início. Para mantê-lo ocupado, ele começou a pintar, atuar em mais programas de TV (mais recentemente, como um supremacista branco convicto em Sons of Anarchy), e perdeu-se em garrafas e mais garrafas de absinto. Ele ganhou uma boa quantidade de peso, ao ponto onde ele poderia ser chamado de atarracado, mas agora ele tem ido frequentemente à academia. ("Esteira; 10 minutos; pernas e braços em aparelhos, sem pesos livres.")

Atualmente, ele também passa bastante tempo saindo com o Johnny Depp, ao ponto de se hospedar na casa dele em Hollywood. Eles aparentemente se entendem como poucos. Literalmente, eles balbuciam coisas que descobriram que não precisam de palavras para se comunicarem. "Balbuciamos como se estivéssemos cantarolando um refrão, e terminamos as frases com gestos com as mãos," diz Manson. Em um nível mais profundo, eles compartilham fascinações e predileções. Em certo ponto, eles tentaram comprar a arma com qual Hitler se matou. E nenhum dos dois conseguem dormir se a TV não estiver ligada, com a preferência do Manson sendo por "coisas realmente altas e violentas."

Eles também têm tatuagens combinando: No pulso, a frase "NO REASON" e nas costas, "o esqueleto gigante das flores do mal de Charles Baudelaire" Manson disse uma vez, "É um tipo de segredo. As pessoas dizem para a gente, "Por que vocês fizeram essa?" e nós respondemos, "não há motivo."" E hoje ele diz, "Johnny é uma das únicas pessoas com quem consigo conversar. Não consigo explicar, a não ser que não precisamos dizer nada, mas realmente não podemos dizer para mais ninguém." O que quer dizer qualquer coisa, já que é o caso do Manson. E talvez ele terá mais a dizer sobre isso mais tarde. Mas por agora, ele tomou um double shot de vodka para voltar ao terraço do Chateau Marmont. Vodka é outra coisa nova. Os dias de absinto estão acabados, ele diz, principalmente porque "te deixa pobre e louco, e eu não quero terminar pobre e louco," e também não haverá mais uísque, principalmente porque, "foi assim que consegui as cicatrizes em meu peito. Me faz um traste. E teimoso."

É tarde agora, quase na hora de fechar, e se houver alguma treta, é melhor que seja rápido. No lado promissor, a situação está ficando menos sóbria e mulhers estão envolvidas. Uma garota Italiana chamada Titti, que é bem conhecida como uma das maiores fãs e já assistiu a mais de 1,500 shows, aparece, se convida a sentar e começar a olhar seu amado, dizendo coisas como, "Eu o amo" e "Ele é lindo". Após isso, um cara meio nerd de óculos aparece – Manson depois o chama de "Lasiks" – para pedir conselho sobre como segurar "a onça" que ele conseguiu. "Qual é o jogo?" ele pergunta para o Manson e o Manson responde, "Você deveria perder sua virgindade com ela e esfaqueá-la depois." O cara acena e diz, "Deixarei você sabendo como vai o esfaqueamento."

Então o companheiro e músico Shooter Jennings aparece das sombras e ele e Manson começam a conversar sobre como eles deveriam escrever uma música juntos. Manson vem com trechos bem evocativos, "I love you/Am I pretty?/Hold me/I'm going to kill myself," (NT: "Eu te amo/Eu sou bonito?/Me segure/Eu vou me matar") ele diz. "Vamos escrever a música amanhã!" "Fechou!" diz Shooter.

Um momento mais tarde, a atenção de Manson se volta à onça de Lasiks. "Você acha que ela tem cocaína?" ele pergunta, após ver Lasiks deixando o local para ir ao banheiro, autorizando-o a se aproximar da mulher. Rapidamente desenvolveu que eles passaram três horas juntos no bar do hotel Metropolitan em Londres. Há 12 anos. "Você está ainda mais linda do que antes," diz Manson. Ela diz, "Obrigada, querido. Estou feliz em vê-lo." Vai e volta nisso, sem levar a nenhum lugar em particular, até ele voltar ao Shooter. Após ele ir embora, quando perguntado se eles já tinham ficado, ela diz, "Não. Eu estava casada na época. Mas não vou esquecer a conversa que tivemos naquela noite. Ele foi um cavalheiro. Não houve nada dele estar tipo, "Venha" e eu tendo que dizer, "Tenho que ir embora." Ele estava me observando. Foi interessante. Ele é um homem especial."

De volta à sua mesa, Manson, o homem especial, está sendo formal e dizendo coisas sábias, tais como, "Eu lavo minhas mãos antes de fazer xixi porque sei onde meu pau esteve, mas não sei onde minhas mãos estiveram." O que poderia ser algo parecido com o que ele disse mais cedo: "Tenho um bloqueador de luz em casa, que irá mostrar se o esperma ficou em algum lugar, e Lindsay usou na minha cueca para ver se fiz algo sujo enquanto estive fora. Eu disse, 'Te enganei. Eu posso ter trocado de cueca. Como você sabe que eu não troquei?" Ela diz, "Porque você não troca sua cueca." Eu disse, "Verdade. Boa resposta, boa resposta." Tatti está rindo. E Manson está pedindo mais double vodkas.

Em breve estará na hora de ir. E ainda não aconteceu nada caótico, sem carne ou urina. É meio que uma decepção. Se o ponto do Manson é foder com tudo, então a noite não teve sentido. Ou talvez não. Manson tem um novo ponto em ser o Manson. E talvez ainda está para ser descoberto, por ele ou qualquer pessoa.

Quinze horas depois, está escurecendo na casa do Manson, onde ele, já provavelmente tendo engajado seus cinco ou mais "congressos sexuais" com sua namorada, está novamente acordando. O quarto é escuro e ficará assim. A temperatura é de 18ºC, como sempre. Ele aparece agora e escova seus dentes (se quiser saber, ele usa Aquafresh), enquanto senta no banheiro e faz xixi ("Minha mira é terrível"). Após tudo que ele fez no último dia, você pensaria que a próxima coisa seria um banho, mas não, não é o que ele faz. "Não sou muito de tomar banho," ele diz. "Costumo me enxaguar, mas ainda não fiz isso hoje, então se você está planejando me chupar, precisa esperar até mais tarde." A seguir, ele coloca suas roupas, todas pretas, logo antes da companhia chegar, ele passa lápis em seus olhos, Smolder Kohl da MAC, seu favorito "porque ele mancha, então fico com aquela aparência de 'acabei de acordar, acabei de foder'".

Ele desce as escadas, onde também está escuro e sempre estará, forçando seu assistente Ryan a usar uma lanterna. As armas não estão mais na mesa de café, mas o assassino ainda está na parede. Manson senta em um sofá e dobra suas mãos. No crepúsculo, ele é fascinante, a forma com que sua testa inclina, sua falta de queixo, a brancura de sua pele, e a total falta de sinais da idade em seu rosto, sem rugas, sem curvas, sem indicações da vida dura que leva.

"Bem, acho que ainda sou meio que adolescente," ele diz. "Digo, tive uma namorada que esteve em filmes pornográficos antes de namorá-la, e ela terminou comigo e disse que eu queria sexo toda hora. Ela disse, "Você parece um moleque de 14 anos, não aguento."

Ele diz que não sabe porque ele é assim, mas que provavelmente tem algo a ver com sua infância, crescendo como Brian Warner em Canton, Ohio, onde seu pai era um vendedor e sua mãe uma enfermeira que tinha a tendência de pairar. Podia parecer normal, mas era qualquer coisa, menos isso. Uma experiência em particular diz tudo: Aos 13 anos, Brian costumava espiar o porão de seu avô e observar o velho ficar perto de um trem elétrico e se masturbar com pornô de bestialidades, com barulhos grotescos emanando do buraco deixado em sua garganta por conta de uma traqueostomia. O garoto não ficou aterrorizado, fascinado ou mesmo hipnotizado, assim pavimentando o caminho, após a família mudar-se para a Flórida, para ele virar gótico-glam-metal-industrial, pegar o nome Marilyn Manson (como uma forma de casar os extremos de Marilyn Monroe e Charles Manson), formar uma banda de mesmo nome e eventualmente vender mais de 50 milhões de discos, no processo de virar a face do mal mais conhecida da nação.

Mas se tudo isso está no passado P.T. Barnum, seu presente parece ainda estar no processo de chegada, no qual talvez explique por que a noite passada no Chateau, nada foi fodido. Novamente, uma vez um vampiro, sempre um vampiro, e há muitas formas para um homem como ele evoluir.

Ele começa a falar sobre sua amizade com o Depp novamente. "Gostamos de nos considerar garotos da oitava série, os caras com mais experiência que os da quinta série, aqueles que as garotas querem dar. Digo, tempo e idade são realmente irrelevantes para mim. Com o Johnny é a mesma coisa. Ás vezes acho que estou preso na idade que comecei tudo. Estou preso nos 23 anos." Ou 14, claro, dependendo da companhia. Tudo no qual ajudaria a explicar muita coisa, incluindo sua necessidade ocasional de furtar coisas, com a mais recente sendo um par de óculos escuros da loja John Varvatos, que mais tarde ele contou a eles, "então tecnicamente não é furto," e uma caixa de chiclete de menta de um CVS, que ele diz que "jogou fora e nem comeu."

Ele parece estar tentando chegar em algum lugar com essas pequenas revelações e ele não para.

"Sou louco em todas as formas," ele continua, "no qual eu penso ser uma das minhas qualidades mais charmosas. Não é diagnosticável, porque envolve comorbidades, que é quando você tem várias desordens, então eles não conseguem descobrir o que é." Ele pausa por um momento, e então continua, talvez de algum outro lugar de sua cabeça, talvez até mesmo de alguma outra época. "Eu não gosto muito de ser íntimo com as pessoas. Acho que talvez duas vezes na vida eu tomei banho com uma garota e foi no escuro. Sou muito tímido. E também tenho um medo enorme de banheiras, talvez porque minha mãe costumava me dar banho em banheiras quando criança e eu tenho memórias fraturadas de não gostar."

O nome da sua mãe era Barbara e ela morreu em Maio, aos 68 anos, após uma longa batalha contra a demência, no qual ela não conseguia reconhecer seu filho. "Enquanto criança, estive muito no hospital," ele continua. "Tive anemia e pneumonia umas seis vezes." Foi dito a ele que ele sofreu de alergias estranhas, a coisas como ovos e amaciante. Ele também tinha lóbulos estranhamente grandes. Ele não se importava muito, mas sua mãe sim, e uma das primeiras coisas que ele fez após virar um rockstar com dinheiro, foi fazer uma plástica: "As pessoas nunca acreditam que eu fiz, mas veja, eu queria mantê-las. Mas isso era a minha mãe sendo do jeito dela. Foi sua sugestão."

E então, após pensar um pouco, ele explica o jeito dela. Ele sofreu de síndrome de Munchausen por procuração, ele diz, uma forma de abuso infantil onde a mãe induz sintomas reais, ou aparentemente reais, de doenças em uma criança. Ele falou sobre isso em público apenas uma vez, por volta de 15 anos atrás, e não foi nem mencionado em sua autobiografia lançada em 1998, The Long Hard Road Out of Hell, e até hoje, ele mantém as coisas breves.

Entretanto, basta dizer, que, de forma alguma, ele é alérgico a ovos e amaciante, com o lógico corolário sendo que qualquer doença que ele teve quando criança foi provavelmente causada por sua mãe e que fazer a cirurgia nos lóbulos veio diretamente de uma ordem dela que não poderia ser desobedecida, muito como as ordens que estão no lugar em sua própria casa, que as luzes continuem baixas, a temperatura permanece em 18ºC e os lençois são sempre pretos.

"Eu não tinha descoberto sobre a síndrome até depois de muito tempo, e não tenho certeza sobre há quanto tempo ela sabia," ele diz. "O que eu posso dizer é que aquela doença mental arruinou a família."

No qual, claro, é uma forma de explicar o Manson, que ele é mentalmente doente, por conta de todo o seu comportamento. E talvez seja verdade. Mas é também uma forma angustiante de se olhar para isso, não apenas por conta do futuro sombrio que prevê, mas também porque, de alguma forma, é muito errado pensar nele dessa maneira, reduzindo-o a uma série de desordens psicológicas. E é tão errado também para o Manson pensar isso, já que ele parece estar fazendo, como é para os seus muitos críticos terem voz, onde eles frequentemente falam, "Manson é Manson, ok?" diz Tyler Bates, e é tipo isso. Ele é muito glorioso para qualquer outra coisa, singular demais, por aí demais, um enorme brilho que ainda brilha um exemplo do que significa ser individual.

Mas chega disso. É hora de ir e deixar o Manson ser. Usich desceria do quarto para dizer tchau, mas ela não está vestida para isso. "Estou de pijamas," ela fala de trás da porta.

"Eles são abertos?" pergunta o garoto de 14 anos que mora dentro do homem de 45 anos. E então ele diz, "Qualquer coisa pode ser aberta se você carrega uma faca. E de qualquer forma, só queremos confirmar as cinco vezes."

Usich pausa. "Ah, sim," ela diz. "Tem sido mais que cinco vezes, mas sim."

Manson não terminou com ela. "Então," ele diz. "Imagino que você provavelmente esteja passando gelo em suas partes íntimas?!"

Outra pausa. "Ah, sim," ela diz. "Não consigo nem andar direito."

Quem pode imaginar como é a vida deles juntos. Mas, no final, não importa o que mais ele faça, ou onde ele vá, ou o que ele vê, ou quantas vezes ele transa, ou se ele furta coisas, ou qual o conselho terrível que ele dá, só podemos esperar que ele se divirta fazendo isso. Então, divirta-se esta noite, Manson.

"Não me diga o que fazer," ele diz, parando na porta. "Mas eu irei."

Discussão

0

Regras

  • Respeite as pessoas. Sem insultos ou ataques pessoais.
  • Não publique spam ou propaganda repetitiva.
  • Não publique ameaças ou discurso de ódio.
  • Mantenha a conversa no assunto da publicação.

Comentários passam por aprovação antes de aparecer. Seu e-mail não será publicado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

← Voltar às entrevistas