A vida do guitarrista John Lowery é interessante. Durante o dia, é um estudante disciplinado de guitarra. Sua ténica preferida é a chicken-pickin' e recentemente comprou um banjo "matador". Durante a noite, ele se torna John 5, o guitarrista do infame shock-rocker Marilyn Manson, que lançará seu próximo CD (The Golden Age of Grotesque) pela Interscope Records no dia 13 de Maio, e fará uma turnê no Ozzfest no Verão. Seja qual for a personalidade que ele veste, ele tem um amor constante pela guitarra. Nunca para de tocar, praticar ou ter aulas. Com sua guitarra ao lado, John sentou conosco durante um intervalo nos ensaios da banda para falar sobre sua paixão. Ele tocou durante a entrevista inteira.
Quantos anos você tinha quando começou a tocar guitarra?
Quando eu tinha seis anos, vi uma criança tocando banjo no programa de TV Hee Haw. Ele tinha mais ou menos minha idade e era muito bom! Eu não conseguia acreditar. Foi por isso que escolhi a guitarra. Eu tocava em bares quando estava na sétima série. Tocar guitarra é o que eu sempre quis fazer.
Onde você foi criado? Em Los Angeles?
Não, eu vim de Gross Point, Michigan para Los Angeles com 18 anos, em 1988. Não conhecia ninguém. Foi uma época louca. Eu dormia num escritório. Pessoas de bandas como Guns n' Roses e Megadeth estavam por ali, também, era um grande ponto de drogas. Roubaram meu dinheiro no dia em que cheguei lá!
Você começou a trabalhar logo?
Sim, tive sorte em começar a trabalhar rápido. Minha primeira audição profissional foi com Robin Zander, do Cheap Trick. Em seguida, gravei com John Wetton do UK and Asia. Depois foi uma atrás da outra.
Como os artistas descobriram você?
No boca a boca, eu acho. As pessoas me achavam bom e barato. Depois de pequenas audições como Wilson Phillios e Rick Springfield, eu podia fazer qualquer coisa. Fiz música para programas de televizão como Baywath e Flipper, toquei em algumas trilhas sonoras… Qualquer coisa. Depois disso comecei a pegar coisas melhores, como k.d. lang, por exemplo. Trabalho desde os meus 18 anos. Graças a Deus!
Os artistas que você mencionou ter trabalhado são muito diferentes no estilo. Você estuda várias técnicas musicais?
Quando estava crescendo, eu não queria ser um rock star, eu queria ser um guitarrista e sabia que para isso eu precisaria saber tocar qualquer tipo de música. Eu escutava qualquer tipo de música. Ouvia country, rock, R&B, qualquer coisa que eu poderia absorver algo para "treinar" meu ouvido. Eu sabia que como guitarrista, poderia estar numa banda diferente a cada dia, ao invés de apenas uma, e achava isso tão legal!
Mas agora você é um membro permanente…
Sim. Quando uma sessão termina, você basicamente termina junto e precisa procurar por mais trabalho. Depois de fazer muito isso, quis a estabilidade e consistência de estar numa banda. Conheci Ozzy Osbourne e ele me apresentou o baterista Randy Castillo e formamos uma banda chamada Red Square Black, que possuía contrato com Zoo/BMG. Foi muito bom. Depois, formei uma banda chamada Two com Rob Halford (ex vocalista do Judas Priest). Foi uma grande experiência para mim. Trabalhar com Rob foi genial. Ele é muito profissional e um ótimo cantor. Trent Reznor (Nine Inch Nails) produziu nosso CD.
Você tem uma rotina de treino?
Eu nunca parei de fazer aula. Ainda faço. Tudo o que eu quero é aprender e aprender e aprender. Nunca quis estar em uma situação ou audição em que não sabia como tocar algo. Quando estou na estrada e não posso ter aulas com um professor, assisto vídeo-aulas, aprendo por CDs ou livros. Estudo o tempo todo. Esse ano aprendi tantos acordes incríveis… Ainda não usei nenhum deles, mas um dia, irei!
Se você precisar usar esses acordes…
Eu irei saber!
Que tipo de aula você está tendo agora?
Western Swing. Aquele que você toca o baixo e a melodia ao mesmo tempo.
Você lê partitura?
Sim, eu leio. Mas não precisei em nenhum dos trabalhos que fiz. As vezes tive que ler para programas de TV e filmes e li um pouco em k.d. lang, mas no geral, não muito. Isso me lembra que preciso dar mais atenção à isso…
Então é como se você fosse contratado pelo seu próprio som?
Exatamente.
É verdade que você gravou com David Lee Roth?
Quando estava numa pausa com Halford, quis tocar mais, então falei com o empresário do David Lee Roth, sou um grande fã de VH, mandei pra ele oito ou nove músicas. Eles gostaram e pediram para eu mandar mais.
As demos eram só de guitarra?
Guitarra, baixo, bateria.
E o que aconteceu?
Eu nem tinha falado com ele ainda e ele já tinha letra para as músicas. Ele quis gravar um CD, então gravamos.
Ótimo!
Sim, fizemos todo o CD, voz e tudo o mais, em duas semanas. Foi muito louco. Eu estava indo para a Europa com Halford, então tivemos que fazer rápido. O baterista e eu nunca tinhamos tocado juntos antes da gravação começar. Lembro do Dave dizendo "se você não consegue fazer isso de primeira, então não consegue fazer isso". Eu estava suando! Estava muito animado!
As gravações foram lançadas?
Dave lançou como da banda DLR. Vendeu cerca de 60 mil cópias.
Por que você parou de tocar com ele?
Na verdade, continuo escrevendo para ele o tempo todo. Temos um bom número de músicas, mas deixei a DLR para entrar na Marilyn Manson.
Como começou a tocar com o Manson?
Terminei minha turnê com Halford e meu telefone tocou. Era o empresário do Manson. Ele ouviu dizer que eu estava interessado. Marilyn e eu nos encontramos no Gaucho Grill em Hollywood, ele me batizou John 5 e foi assim. Tudo aconteceu muito de repente.
Por que você estava tão interessado assim em tocar com ele?
Porque eu sabia que ele era bom. Ele é muito inteligente e interessante. É um verdadeiro artista. É realmente louco tocar com ele. É tudo muito doido, mas a música e a turnê compensam. Eu amo estar nessa banda.
Quando você entrou na banda oficialmente?
Entrei em 1998 durante a gravação do Mechanical Animals. Minha foto está no encarte do CD, mas eu não toquei nele. A primeira gravação que fiz com ele foi um álbum ao vivo chamado The Last Tour on Earth (lançado dia 16 de novembro de 1999). Fiquei orgulhoso. Não há um overdub* sequer.
*Overdub é uma técnica de gravação que consiste em adicionar sons em uma gravação já feita.
Como é o processo de composição?
Nós (a banda) mostramos ideias e ele decide no que trabalhar. Ele é um cara difícil de agradar, então sempre há muitas ideias. Ele se envolve muito, em cada melodia, em cada som.
O envolvimento dele é sufocante para você, como guitarrista?
Não, é de grande ajuda. Compor e gravar é uma situação de aprendizado. Há muito trabalho no estúdio. Como produtor, ele tem grandes ideias. Nunca soube que ele tinha essa habilidade antes de entrar na banda. Por exemplo, ele pode não saber o nome específico do acorde, mas ele vai sugeri-lo e realmente vai ficar bom.
Você cresceu como guitarrista tocando com o Manson?
Em termos de sonoridade e feeling, 100%.
O que você quer dizer com "sonoridade"?
Nosso objetivo é criar sons diferentes. Não queremos que a guitarra pareça distorcida por um amplificador comum. Temos uma piada que dizemos "isto está soando muito Guitar Center". A sonoridade desse álbum é tão única; fizemos muitas experiências. Então a experiência ajuda quando faço uma audição com outra pessoa e eles me pedem para tocar com originalidade, tenho um leque de opções enorme. Aprendi tudo isso com o Manson.
Quais tipos de efeitos você usa ao vivo?
Não posso deixar escapar todos os meus segredos! Uso todo o básico – distorções wahs, etc. Uso muita coisa de Electro-harmonix, e muitas coisas antigas. Tenho um pedal antigo de Fuzz/wah feito por Fox que é incrível! Também tenho pedais estranhos que alguém fez num fundo de quintal. São ótimos, mas se quebrarem você está ferrado. Ibanez fez pra mim um pedal Lo-Fi que tem o mesmo som de um velho rádio transmissor… é inacreditável.
E os amplificadores?
Eu amo gravar com os Fender… São ótimos. Mas em turnê eu uso Laney VH100R Custom Chrome.
Por que são diferentes?
Ao vivo os Laney aguentam mais o tranco. Não trago meus amplificadores para a turnê porque acabariam quebrados por pedestais voadores.
E guitarras?
Eu toco todos os tipos. Tenho usado bastante Ibanez. Eles fazem ótimas guitarras. Tenho muitas, Les Paus, baritones, de 7 cordas, telecasters, Taylor acústicas. Tenho orgulho em dizer que a Fender vai lançar uma guitarra que ajudei a desenvolver.
Fale-nos sobre essa guitarra.
É um corpo de telecaster, captadores Seymour Ducan Hotrail, preta com escudo espelhado. E a mão foi trocada e tem um design único.
A Fender trocou?
Sim! Eles não trocam desde os anos 1950. Estou muito honrado.
Quais são seus pontos fortes como guitarrista?
Tento dar o máximo da minha habilidade. Vou trabalhar em cima de algo até ficar certo. Sou perfeccionista.
Alguma consideração final?
Eu não sei o que faria se não tocasse guitarra. É a minha vida!
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