Sobre “inventar” o termo grunge, “Sons of Anarchy” e por quê ele é um Furby (Esquire) (2015)

Nos anos 1990, o surgimento provocador do rock industrial de Marilyn Manson na cena causou alguma histeria nas partes mais conservadoras da América. Seus shows epônimos traçaram ameaças de bombas dos militantes Cristãos antes de o colocarem como bode expiatório para o massacre de Columbine em 1999; o clamor puritano forçou muitos adolescentes a esconderem suas cópias do disco Antichrist Svperstar de 1996. O novo milênio provou-se esburacado para o auto proclamado "Mefisto de Los Angeles," tanto pessoal como criativamente. Mas falando em um telefone em um hotel em West Hollywood o cantor de 46 anos soou otimista, falante e até absoluto borbulhante (bem, borbulhante para seus padrões, pelo menos). Esse já tem sido um bom ano para a carreira de Marilyn Manson. Algumas reviews do The Pale Emperor, seu primeiro disco em três anos, o classifica como o melhor trabalho desde os anos 1990. Falamos com homem cujo o RG lê Brian Warner sobre todas as coisas de Marilyn Manson e descobrimos que, enquanto ele não é mais tão controverso como antes, ele ainda é bem estranho. Louve Satã por isso.

Para o The Pale Emperor, você colaborou com Tyler Bates, que é mais conhecido por fazer a trilha sonora para o filme Guardiões da Galáxia e outros. O quão diferente foi o processo de gravação em comparação à experiências anteriores?

Normalmente era um saco para todos que trabalhavam comigo me arrastarem até o estúdio por volta das três da manhã para gravar os meus vocais. Para esse disco, eu acordava e ia correr, não da polícia ou de alguma mulher, só correndo como um exercício e iria cantar depois, normalmente, quando o sol estava nascendo. Tyler sentava na minha frente com sua guitarra e amplificador. Nós não conversávamos sobre quais músicas seriam. Eu diria, "Apenas toque, me dê o microfone, vai." Claro que depois nós elaboraríamos, mas para a maior parte, as tomadas de guitarra e vocal são as originais, tipo, as primeiras. Se eu errasse ou ele errasse, começaríamos novamente e faríamos juntos.

Seus trabalhos mais recentes como ator tem sido menos você fazendo você mesmo e mais você fazendo, bem, alguém que não seja você. Isso é um indicativo de um maior interesse em atuar?

Bem, a única parte real foi, basicamente, Sons of Anarchy. Isso começou comigo ficando amigo do Shooter Jennings. Eu era fã da música dele, sem saber que ele era fã da minha, e eu o conheci. Essencialmente, eu só queria ter uma música no seriado. É o seriado favorito do meu pai. Eu estava literalmente na casa do meu pai após minha mãe falecer, e a ligação chegou enquanto eu estava sentado à mesa conversando com meu pai e ele estava muito doente na época. Ele teve um tipo de infecção e as pernas dele ficaram parecendo como se ele tivesse no The Walking Dead. Eles definitivamente o matariam em dois episódios. Estava ruim nesse nível. Então eu recebi uma ligação dizendo, "Você está no Sons of Anarchy," e falei para o meu pai e isso o deixou feliz pra caralho. E meu pai, na noite do meu aniversário, ficou completamente chapado de maconha com, potencialmente, alguns dos atores. Não quero incriminar nenhum deles. No primeiro dia eu apareci e o diretor, Paris [Barclay], ele é negro, e eu tive que dizer algumas coisas muito racistas no primeiro episódio. A coisa que mais aprendi foi que eu tendia a falar muito com as minhas mãos, e eu tinha que sentar bem calmo. A direção de Paris era, "Apenas faça ser tudo relacionado aos momentos entre o que você diz, e está tudo no seu rosto." Eu perguntei ao Charlie [Hunnam], porque a maioria das minhas cenas eram com ele, havia uma parte que eu tinha que dizer, "Sinto falta dos meus cachorros," e eu não conseguia descobrir como eu queria entregar isso. Ele disse, "Por que você não faz como se você fosse louco, mas não sabe disso, como na vida real?"

Temos que perguntar: Como você e a Courtney fizeram as pazes?

Nós nunca tivemos um desentendimento. Sempre fomos estranhos um com o outro porque ela dormiu basicamente com todos os meus amigos, supostamente. Mas não comigo. Ela, uma vez, me disse que estava brava comigo porque eu não quis transar com ela e eu era mais inteligente que ela. Eu disse, "Bem, você meio que provou seu próprio ponto ali." Mas foi legal. Não trabalhamos em nenhuma cena juntos [em SOA], mas eu a vi no tapete vermelho. O vestido dela rasgou e eu disse, "Você está bem? Sua boceta não ficou aparecendo, ficou?" e ela disse, "Não," e eu falei, "Graças a Deus! Teria sido horrível!" Essa foi a única vez que zoei com ela. Fora isso, estou de boa com a Courtney. Foi engraçado porque eu fui até o Billy [Corgan] e muita gente pensou que houvesse um tipo de desentendimento. Foi porque ele escreveu uma carta enorme sobre como a Rose McGowan iria arruinar minha vida e minha carreira se eu continuasse com ela, o que foi um bom conselho, e ele escreveu isso como uma carta, o que foi bem educado. Há um tipo de código de caras que eu cumpro onde ele ofereceu totalmente seu conselho, e ele estava genuinamente querendo o meu bem. Eu não o via há 15 anos. Tinha esquecido o quão próximos nós éramos. Ele que me ensinou a tocar guitarra, se é uma merda ou se é bom, a culpa é dele.

Várias manchetes na internet colocaram que você inventou o termo "grunge" enquanto escrevia uma review do Nirvana. Me pergunto se talvez o intuito fosse ser um trocadilho?!

Sim, deixa eu explicar. Eu não disse que inventei a palavra. Disse que cunhei, que popularizei. Acho que na verdade escrevi "grungy." Mas foi bem legal que tenha virado uma manchete. Sou tipo o Furby. Você pode me apertar, e então seu som sai, e então você tem a manchete. Então, para deixar claro, eu meramente disse que popularizei a palavra, o que não é muito certo, considerando a distribuição do periódio que eu escrevia. Mas eu gosto de auto expandir.

Como você acha que deveria ser a manchete deste artigo?

"Marilyn Manson merece ter seu pau chupado por criar a palavra 'grunge', e também por deixar o rock n' roll cool novamente, porque ele é um hooligan."

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