10 anos de “The Golden Age of Grotesque”!

Pois é, o tempo passa… No dia 13 de Maio de 2003 era lançado oficialmente o quinto álbum de estúdio do Manson, intitulado The Golden Age of Grotesque!

Abaixo, uma síntese sobre o disco. Texto por Gilberto Zany:
 
Bem-vindos ao renascimento da Era Dourada do Grotesco!
 
Nesta data, há 10 anos, era lançado o The Golden Age of Grotesque, primeiro disco sem a presença ilustre de Twiggy Ramirez, sendo substituído por Tim Skold, cuja presença na banda teve certa influência na sonoridade. O primeiro single foi mOBSCENE, seguido por This is the New Shit e um polêmico vídeo para a música (s)AINT, que foi lançado apenas em 2004 na compilação Lest We Forget, além de um DVD intitulado Doppelherz, um curta-metragem surrealista que reflete algumas imagens e conceitos que inspiraram o disco.
 
Repleto de arranjos eletrônicos e flertando com o rap, o disco marca o início de uma nova era, em que o Manson emerge como um ditador personificado na figura do Arch Dandy, uma clara referência ao dandismo do século XIX. Inspirado por paralelos históricos de diferentes épocas e lugares, Manson concebeu uma temática que combina diversos elementos artísticos, teatrais, musicais e culturais da Alemanha de Weimar e da Hollywood dos anos 30, em que arte e performance são evocativas: Partindo do Nazismo, Vaudeville com todo o aparato musical e coreografias Busby Berkeley, a sensualidade do burlesco e do cabaret, arte degenerada, Disney Americana, erotismo das pin-ups,  e passando por influências de artistas como Oscar Wilde e a sua ideia de deformação da beleza, Salvador Dalí e o Surrealismo, Marquês de Sade e a depravação. Há também importantes colaborações de Gottfried Helwein na direção artística tomada pela banda. Ainda sobre isso, perguntado sobre todos os movimentos artísticos e como chegou a eles, Manson responde:

“O disco reflete a parte mais sombria da nossa imaginação. Não necessariamente a mais malvada, mas aquela que sempre quer ser reprimida. Esse é meu espetáculo pessoal. Eu li muitos livros e assisti a muitos filmes. Estou realmente cativado pelos anos 20 e 30 porque foi quando o expressionismo no cinema começou a ganhar forma em muitos caminhos interessantes. Vaudeville e cabaré são o que eu sempre tenho feito e o porquê de eu não me encaixar em nenhum padrão de rock ‘n’ roll  — porque eu faço coisas mais como um artista que como um músico, mas música é o núcleo do que eu faço. Então eu tenho encontrado e lido sobre as pessoas e a maneiras que elas viviam, a versão que eu tinha em minha cabeça de como as pessoas eram, suas atitudes e como eram durante épocas de transtorno político e medo, e todas diziam respeito de que não havia amanhã, e parece que eles levaram aquilo e misturaram dentro da maias genial e excelente arte.”

Evocando sua arte degenerada e entrelaçando extremos presentes em todos os aspectos referentes ao álbum, performance e persona, como o Expressionismo, enquanto forma de retratar sua visão interior como artista, e Fascismo, que é a repressão da liberdade de imaginação e pensamento, Manson pega todas as coisas que existem e cria novas formas ou as destrói, como uma celebração ao Dadaísmo e Surrealismo. Dessa forma, romântico/belo/artístico e grotesco/depressivo/depravado correspondem a uma só realidade, e é propondo uma era onde sua obra é a expressão do inconsciente coletivo da sociedade, assim como da sua posição na cultura popular em uma época em que a decadência da arte na América chegou a um nível absurdo, que Manson fez de The Golden Age of Grotesque um grande espetáculo visual e musical, extraindo o grotesco e o obscuro da sociedade e representando-os de maneira ousada e inflexível a fim de tirar as pessoas da realidade, dando-lhes o verdadeiro entretenimento. Celebremos o Reich da profanação!
 
Em algumas edições do disco, a música Tainted Love – originalmente gravada por Gloria Jones, mas com o cover inspirado na versão do Soft Cell, vem como faixa bônus. Ela foi lançada em 2001, como parte da trilha sonora do filme Não é Mais um Besteirol Americano.
 
Caso queiram se aprofundar nos assuntos abordados no disco, os links abaixo são do site Nachtkabarett e contêm ótimos artigos, todos com tradução em Português!
 
Arte &  The Golden Age of Grotesque (14 artigos. Ao clicar em algum, é só escolher a opção pt no topo da página)
 
Arte Degenerada & Fascismo
 
Vícios Literários (tem a parte direcionada ao The Golden Age of Grotesque)
 
Doppelherz
 
Filmes & Celulóide (a maioria dos filmes citados aqui tiveram influência no disco)
 
Algumas curiosidades sobre o álbum
 

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