Entrevista com fã: Melanie (Twiggy) (1995)

Oi, você está bem? (Ele chegou fungando e espirrando)

Desculpe, estou um pouco doente.  Tendo devaneios.

É, você não parece muito bem. Você aproveitou seu dia de folga?

Sim. Ficamos acordados até tarde e bebemos bastante. Então também estou com um pouco de ressaca.

Ahhh… Agora a verdade aparece…

(Risos)

Você quer que Marilyn Manson seja uma influência significante na vida dos outros?

Bem, acho que somos.

É isso que você quer?

Queremos criar os filhos que os pais não estão criando, se isso fizer sentido.

Como vocês se sentem com as pessoas que parecem passar por uma metamorfose quando eles vão a um show; aqueles que usam maquiagem e acessórios apenas para os shows?

Acho que queremos pressionar individualidade nas pessoas, embora isso não signifique necessariamente ser como nós. Mas não significa que se você se vestir como nós, você não está sendo você mesmo. Se você quiser fazer isso, tudo bem. Nos nossos shows é como se fosse uma festa de Halloween, o que não é algo ruim. Gostaria de ver mais disso, na verdade.

Havia um post no AOL recentemente atacando a originalidade de vocês, por fazerem covers, dizendo que vocês são um plágio do Alice Cooper. O que você diria a essas pessoas se pudesse conversar com elas cara a cara?

Não me importo, pra dizer a verdade. Quero dizer, gravamos discos para nós mesmos, e fizemos essas músicas porque quisemos, e se você não gosta, ok. Eu espero. Eu espero que você não goste. Não estamos ali para entreter ninguém; a esse ponto estamos nisso para nós mesmos. Somos bem egoístas com isso. Quando digo isso, não é sobre fazer dinheiro, porque isso é a última coisa. É sobre entreter a nós mesmos, e é apenas o próximo passo em direção ao nosso próximo disco, que é basicamente o fim do Marilyn Manson. Ou o fim de tudo, basicamente.

Sério? Então, você quer dizer que em cinco anos você não vê o mundo aqui, talvez de um ponto de vista apocalíptico?

Se você estiver em nosso mundo, não terá nada. Mas nosso mundo é diferente.

Diferente? Como?

É apenas diferente. Quero dizer, nossa versão da realidade é diferente.

Vocês estão em seu próprio mundinho?

Bem, não é “nosso mundinho”. É o mundo. Mas o mundo das outras pessoas é um pouco diferente.

Ok. Quando você diz que não se importa se as outras pessoas gostam… E seus fãs? Conheço pessoas que viajam de Maryland até Charlotte, que deram ao Manson uma escultura bem detalhada dele e hoje será o 36º show dessas pessoas. Eles são muito dedicados.

Eu sei de quem você está falando.

Você gosta que as pessoas sigam vocês assim?

Sim. É, eu gosto quando as pessoas vêm aos nossos shows e nos seguem pelo país inteiro. Às vezes ficamos meio nervosos, você tem déjà vus quando vê as mesmas pessoas na grade por várias semanas. Mas é, acho ótimo.

Há muitos fãs que tem escutado Manson mesmo antes do álbum ser lançado, ou logo após, e que tem expressado algum descontentamento com vocês ficando populares. É quase como um segredo que eles querem manter. Eles não querem compartilhar com ninguém.

É, acho que somos uma banda pessoal.

Então vocês não querem ser grandes?

Não. Queremos ser o maior possível e então parar. Não teremos escolha. Quero dizer, como eu disse, será o fim do nosso mundo. Mas, as pessoas que são nossos fãs, eles sabem quem são. Não quero que eles não gostem mais da gente por sermos grandes.

O que você acha que é a grande falência da sociedade?

A grande falência? No sentido bom ou ruim?

Ruim. O que é, especialmente na sociedade Americana, que está muito errado?

Bem, acho que tudo que está errado na América é uma coisa boa. Algo drástico vai acontecer em breve. As pessoas se colocam nesse mundo imaginário, politicamente correto. Isso não existe. Elas querem se sentir bem com elas mesmas, sem odiar ninguém, ou fazendo coisas boas, e isso é uma coisa bem egoísta. Elas estão fazendo por elas mesmas, ao invés de fazer por alguém.

Você meio que está citando algumas das filosofias de Nietzsche ou Ayn Rand, onde o altruísmo é o mal definitivo, porque as pessoas são forçadas a isso. Elas não querem REALMENTE fazer o bem.

Sim, o que eu concordo. Quero dizer, acho que sou bem egoísta, mas eu não me desculparia. Mas, o quão longe a maior falência da América vai, acho que isso É a América. Mas não acho que seja uma coisa ruim. Acho que é bom porque traz mudança. Você pode conseguir o bom do ruim e o ruim do bom. Bom e ruim são exatamente a mesma coisa. São sempre os dois lados de tudo. Não é necessariamente ruim. E espero que estejamos contribuindo para isso, ou pelo menos ajudando. Porque, novamente, ajudar pode significar deixar pior, porque talvez essa é a nossa definição de ajuda.

Há algum filósofo em particular que você se identifica?

Eu respeito o que o Nietzsche tem a dizer, e Anton LaVey. Eu uso algumas das filosofias deles. Mas não sigo nenhum. Acho que escolher seguir um, te limita. Gostamos de ler Nietzsche, mas não significa que seguimos palavra por palavra. Concordo com algumas das coisas que ele tem a dizer, mas penso que todos somos hipócritas. Acho que Marilyn Manson tem sua própria coisa. Vivemos de forma semelhante, mas diferente do Nietzsche ou LaVey, porque há um balanço. É mais andrógino, um pouco mais sem coração.

Obviamente há muita ligação ao Satanismo, com o Marilyn sendo ordenado um ministro pela mídia geral. Isso te incomoda?

Claro que ia acontecer, mas não, não tenho problema com isso. Desejo que mais pessoas entendessem. Não, espere, estou feliz que muitas pessoas não entendam. Mas não me considero um ísta ou ismo ou nada assim porque eu mudo muito. E gosto de experienciar várias coisas diferentes todos os dias.

Você acha que, essencialmente, todos são assim? Talvez eles apenas não reconheçam?

Acho que são, mas muitas pessoas compram identidades muito rápido. Elas vão para a faculdade para se tornar qualquer coisa. Ou elas compram quem são. Pessoas que a sociedade chama de “perdido”, os esquizofrênicos, insanos etc, são, na verdade, mais inteligentes que a maioria das pessoas. Mais que os psiquiatras que dão diagnósticos a eles. Eles são espertos o suficiente para não comprarem uma identidade. Por que ser uma pessoa quando você pode ser todo mundo e acreditar em tudo e fazer várias coisas diferentes?!

Qual foi a coisa mais memorável que aconteceu enquanto vocês estavam em turnê?

Tony Wiggins, provavelmente. Ele talvez esteja aqui essa noite. Ele talvez faça uma performance aqui, é, ele é louco.

Vocês o consideram um amigo?

Bem, ele tentou nos matar, mas… Mas acho que não era a intenção dele. Eu acho. Eu espero. Na verdade eu espero que não tenha sido a intenção dele, quero dizer, ele tentou nos matar porque odiava a gente. Mas ele deve estar aqui hoje e não vai tentar nos matar.

No show em Winston-Salem a barreira quebrou durante a primeira música. Você fica assustado quando essas coisas acontecem?

Não. Eu, pessoalmente, odeio essa barreira. Gostaria que não estivesse ali.

O que você acha que aconteceria se não estivesse lá?

Gostaria de descobrir. As pessoas sobem no palco e nos acerta com garrafas e tal, mas sabe, isso vai acontecer. Eles têm que fazer isso.

Você gosta de dar entrevistas?

Claro. Gosto.

Qual seu livro favorito do Dr. Seuss?

Teria que ser o clássico Cat in the Hat. Os pais vão embora e ele chega e começa a confusão, sabe, é clássico.

Você se identifica com o The Cat in the Hat?

Acho que me identifico mais com a Olivia Newton-John. Eu cresci com Tony Wiggins e Olivia Newton-John. Quero dizer, Dr. Seuss está morto. Ele morreu. O que não é uma coisa ruim, não quero dizer isso negativamente quando você me pergunta algo. “Qual seu livro favorito do Dr. Seuss?” e eu respondo “Dr. Seuss está morto.” Às vezes as pessoas gostam de me citar assim.

Falando em morte, como você quer morrer?

Não necessariamente eu QUERO morrer, mas provavelmente, acho que pelas drogas, porque seria indolor.

Você não gosta de dor?

Não desgosto, mas não sou louco com isso. É mais algo do que eu não me preocuparia. São só drogas. Aconteceria e eu nem saberia.

Haverá um lançamento oficial das músicas antigas que foram feitos bootlegs?

Uma vez que foi publicado por outras pessoas, por que se importar?

Haverá algumas das músicas antigas em futuras gravações?

Possivelmente algumas delas.

O que você acha que significa a palavra JEVA?

Jeva? Hmmm… Algo a ver com o fim do mundo, eu acho.

Se você pudesse ser invisível por um dia, o que você faria?

Eu sou invisível.

Eu consigo te ver.

Mas eu consigo ser invisível… Acho que Marilyn Manson é invisível às vezes, porque vivemos nas mentes dos jovens.

Qual sua ideia de felicidade perfeita?

De perder tudo, eu acho. Não a vida, porque não teria emoção. Mas perder tudo, então você tem algo para correr atrás.

O que você mais admira em outras pessoas?

Gentileza. Isso é algo que eu tenho dificuldade. Não que eu seja grosso com as pessoas, mas sabe, mudar o que você é pra ser legal com as pessoas. E eu admiro o Tony Wiggins. Ele é muito gentil.

Qual a característica que você mais despreza nos outros?

Pessoas estando no controle de suas vidas, porque isso é uma mentira, elas não estão. Elas acham que descobriram tudo.

Então você admite que não tem controle sobre sua vida?

Não. Eu tenho total controle. Mas estou controlando o caos, a falta de noção. Sei exatamente o que estou fazendo. Mas é tudo sem noção nenhuma.

Como aconteceu a turnê com o Clutch?

Só perguntamos se eles queriam entrar em turnê conosco.

É considerada uma parceria estranha.

Definitivamente. Mas qualquer coisa pode fazer sentido.

Você gosta de estar em turnê?

Bem, é minha casa, basicamente.Tenho estado em turnê por quase dois anos, é tudo o que eu sei.

Qual seu odor favorito?

Há um certo odor que os pré-adolescentes têm, é tipo odor corporal. Não é bom, mas também não é ruim. Não os de crianças ou adolescentes. Mas pré-adolescentes. Tem esse odor que não pode ser batido.

Você parece o apreensor de crianças do filme Chitty Chitty Bang Bang

Essa não foi a inspiração.

Você tem boas memórias da Flórida?

Não sei. Tudo é diferente agora.

Você mantém contato com as pessoas de lá?

Algumas poucas pessoas. Tenho medo de quando formos para lá de sermos assassinados. Há muita gente ruim. Mas isso é bom. Gostaria que tivesse mais.

O que você considera como vírus mais superestimado?

Nossa. O vírus mais… *Balança a cabeça com uma expressão facial estranha*. Tudo é superestimado.

Inclusive você?

Claro.

Vocês vão continuar trabalhando com o Trent no Antichrist Svperstar?

Sim. Provavelmente iremos trabalhar com outros produtores também, mas ainda vamos trabalhar com o Trent.

Havia um rumor de que vocês não estavam falando com ele.

Não. Mas quando estávamos em estúdio gravando o Smells Like Children, ele trouxe gogo boys enquanto tocávamos. Ele disse que tinha algo a ver com a vibe do lugar. Ele fez seu engenheiro, o Sean, usar essa peruca grisalha de uma senhora. Parece loucura, mas é verdade, eu juro. Gogo boys, e eles eram terríveis, eram daqueles bem musculosos. E ele fez o engenheiro usar a peruca e brincos espalhafatosos.

Sei que li que no final da turnê com o NIN eles zoaram vocês no palco.

Foi divertido.

Você se divertiu naquela turnê?

Eu diria que sim. Nós devolvemos. Essa foi a parte divertida. Não posso dizer o que fizemos, mas devolvemos legal.

Qual sua palavra favorita?

Minha palavra favorita nesse momento seria nigger (NT: “Negro” em Inglês, mas de uma forma pejorativa). Não que seja uma coisa ruim. Não quero entrar no mérito do que a palavra realmente significa. Não deveria ter tanto poder assim. Nem quero me aprofundar nisso. Quero dizer, eu quero, mas não quero. Não estou dizendo isso em relação aos negros, não tem nada a ver com eles ou com os afro-Americanos. Não tenho muita certeza do que chamar as pessoas mais. Todo dia é algo novo…

Sim, você tem que ser politicamente correto. Mas acho que Marilyn Manson não é politicamente correto.

Não somos ismos ou ístas. Não somos racistas. Apenas somos. Apenas existimos. Por isso fizemos a música Rock n’ Roll Nigger. É como nos sentimos. Acho que somos mais excluídos que qualquer outro grupo de pessoas. Ninguém liga para jovens como nós. Mas essa é minha palavra favorita. E isso é sem má intenção. Me identifico com artistas como o Dr. Dre mais que qualquer outra banda.

Você escuta Rap?

Não, não escuto rap. Mas não é só pela música. E nem pela letra. Há coisas sobre as bandas e não é na música ou letra, é o que eles defendem.

Como a luta contra a censura?

Não, eu concordo com a censura. Nos dá mais espaço para sermos mais malvados. Quanto mais leis, mais regras para serem quebradas. Quando tudo é bom, as coisas não estão certas. Elas nos fazem maus. Elas são as pessoas mais malvadas.

Então o que você acha quando foram banidos de lugares como Salt Lake City, Utah?

Me sinto mal porque há jovens que não conseguem nos ver, mas acho que nossa mensagem é mais forte lá. Acho que as pessoas que estavam por trás disso entendem, e acho que são nossos maiores fãs. Eles viram na gente algo poderoso. Eles descobriram um cara mau, então eles trancaram. As pessoas ficam irritadas por não verem a gente, mas espero que sejamos banidos mais vezes, então não teríamos que fazer turnê.

Mas você disse que gosta de estar em turnê.

Exatamente. *sorri*

Bem, é isso.

É uma boa maneira de terminar. Exatamente.

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