Confira a tradução da entrevista para a rádio francesa France Info. Os áudios podem ser escutados aqui.
A respeito do nome “We’re from America” O que significa?
Quero provocar, você sabe. As pessoas sempre dizem que estou chocando, que não estou chocando, que isso choca, isso não choca. Os Americanos sempre reclamam sobre o que não está chocando. Se você quiser ficar chocado, coloque o seu dedo na porra da torradeira, esse é o melhor modo. Para mim, você tem que ser provocativo sendo um artista, esse é o ponto. Se você não quer ter atenção, você não está fazendo nada de interessante.
Poderia nos explicar o porquê do título “The High End of Low” nessa nova produção? Sendo assim, esse é um Marilyn Manson romântico?
O último álbum era sobre eu mesmo tentando me comprometer, estava tentando realmente me reconstruir e se reconciliar comigo mesmo. Quando eu gravei, eu era uma pessoa quebrada, tentando voltar a ser o que fui e tentando aprender com meus erros. Mas o álbum começou com o conceito de Shakespeare de que “O mundo não nos entende, mas vamos seguir juntos”, contudo, o álbum termina com outro, você sabe que alguém te promete que “estarei contigo para sempre” e te abandona, é melhor correr, porque eu vou te matar. Mas isso, para mim, é muito mais romântico, porque é como uma sensação de frenesi, a ideia do “para sempre” é muito perigosa. Agora creio que o “para sempre” não existe, mas se você não crê no “para sempre” pode crer em chegar a um ponto de dependência que pode ser amor. Esse álbum não fala muito sobre relacionamentos, é mais sobre eu explicando ao mundo quem eu sou e o que quero ser e avisar: sou perigoso, tenha cuidado.
Para tudo isso não tive o nome do álbum até o dia 2 de Janeiro, e eu terminei o álbum no meu aniversário, dia 5 de Janeiro, quando finalmente vi o que eu queria mostrar e como me sentia, então surgiu o título. Passei os feriados totalmente sozinho, e também o meu aniversário. O único momento em que via os meus amigos era no estúdio. Foi então quando alguém disse “ah, você voltou a ser você, você voltou a ser o Manson” e então surgiu o conceito do The High End of Low.
Sem dúvidas… Um renascimento bastante significativo…
Sim, acho que é um renascimento, se você não está disposto a crescer e evoluir, então isso está morto. Não é tentar desistir, que foi o que eu quase fiz, é tentar tornar-se uma pessoa melhor, perceber que se você conhece alguém, esse desejo, o desejo que todos temos de conhecer pessoas, e os erros que cometemos em nossas vidas, fôssemos desistir de quem somos, fazemos uma exceção para aquela pessoa, para ser amado. E esse álbum pode ser um exemplo de eu percebendo tudo o que fiz, dos meus erros de como sou mais duro agora, amargo, frio… Mas antes do final do CD, no dia do meu aniversário, eu cantei a última música e eu percebi que o que eu queria dizer era que eu percebi que voltar a ser o que você é ganhar suas asas de volta e reaparecer das cinzas, sabe… redenção, ressurreição, renascimento e esse CD é sobre começar de novo.
É possível que Marilyn Manson, o pesadelo da América, votasse no Obama?
Sim, porque quando voto, uso meu pau. Pensei esses dias “O que vou fazer hoje?” Me levanto e vou ao estúdio. Todos pensam que ser Marilyn Manson é tocar fogo em algo, beber e usar drogas. Ou eu deveria votar no presidente negro? Ele é do tipo divertido e eu gosto do que ele diz, partindo de que os últimos presidentes eram retardados e penso que Obama é um Americano para os Americanos. Depois que votei, fui ao estúdio. E é assim como votei pela primeira vez. Me sinto parte disso.
Fonte: Gabo Manson
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