Entrevista para o Rock FM (2014)

 O que você gosta na Rússia?

 
A Rússia é frequentemente vista pelos Americanos e Europeus como um país de vanguarda, mas em todas as vezes que visitei o país, eu percebi que há uma diferença de pensamento. Mesmo agora, na era da Internet, há uma diferença fundamental entre os Russos e os Americanos, por exemplo. A arte criada na Rússia é vista pelos Americanos como avant-garde. Eu, por exemplo, na América, é estranho, mas eu gosto muito disso. Eu vou muito contra o sistema, eu provoco a audiência. Sinto uma união espiritual com a cultura Russa. A cultura de vocês me interessava desde a infância, apesar das tensões que existiram em relação à Guerra Fria. Eu era uma criança e não entendia o que era inimigo de um ponto de vista político, ou o que é o mal no contexto da religião.
 
Agora, no entanto, eu observo uma Americanização da Rússia. Mas no geral eu gosto dessa diferença cultural. O que faria sentido em deixar a América, se todos os outros países não tivessem diferenças? Na Rússia as pessoas pensam na América como um país glamuroso. Mas, pessoalmente, eu cresci em Ohio, e não há nada de glamuroso. Então eu mudei para Los Angeles e comecei a viajar o mundo e gostei da Rússia, especialmente porque é frio. E eu gosto do frio.
 
Você já deve ter ouvido que, por conta das leis rígidas na Rússia, músicos estrangeiros têm tido problemas. Por exemplo, a Madonna, após seu show em São Petersburgo, foi processada pela promoção da homossexualidade, e mais recentemente a banda Polonesa de death metal Behemoth foi deportada por, supostamente, violar as regras dos vistos. Você é conhecido por sua performance provocadora. Não tem medo de ter problemas com a lei?
 
Bem, primeiramente, eu não sou gay. Geralmente é algo como a América. Já fui preso várias vezes pelo que eu fiz. O problema é que é muito difícil determinar onde estão as fronteiras da arte. Na América, há vários exemplos de má interpretações – Jim Morrison ou eu. O fato que é considerado ofensivo – seja palavras ou ações. Um jurado disse: "Não posso definir o que é ofensivo – mas depois de ver isso, eu entendo." No começo eu provocava a audiência. Incluindo nesse novo disco. Eu irei tocar novas músicas no festival Park Live – serão músicas que ninguém ouviu na Rússia e pela primeira vez vou tocá-las. Meu novo álbum será diferente do que eu produzi antes. Ele imbuiu o espírito do rock n' roll, em particular a influência do The Doors. Ainda tem algo cinematográfico, porque trabalhei com o Tyler Bates, que criou as trilhas sonoras para os filmes 300 e Watchmen. Logo, o disco soa como um filme e eu adoro. Eu sempre quis criar uma Bíblia musical, não no sentido Cristão, mas nos termos da universalidade. Esse álbum desafia todas as cargas em mim, reflete cada aspecto da minha personalidade. Muitas coisas são inspiradas pela mitologia Grega, seu simbolismo, que é a fonte de todas as formas de arte. Para mim foi um grande prazer trabalhar neste disco porque eu finalmente estive apto a abrir minha verdadeira essência, virar a pessoa que eu sempre quis ser. E nesse momento de impulso criativo, eu vou para Moscou. Então vamos ver o que acontece.
 
Você não é só um músico, você é também um artista. Quais formas de arte você gostaria de tentar?
 
Recentemente participei como ator no seriado Sons of Anarchy. Essa é a última temporada e eu faço o líder da gangue Ariana na prisão; tive que desenhar várias tatuagens falsas além das que tenho. Fiz até uma tatuagem russa de prisão na perna! Alguém me deu um livro sobre tatuagens russas de prisão e assisti alguns filmes sobre a cultura Russa na prisão – aquelas tatuagens têm significados diferentes das tatuagens na América ou Japão, por exemplo. A que tenho na perna no seriado tem um significado, mas não posso dizer qual porque as tatuagens contam sua história na prisão!
 
Que música você gosta de escutar?
 
Gosto do Die Antwoord (também irão tocar no Park Live). Eles são bons amigos meus. Na verdade tenho um gosto variado, de Jay Z a Beatles e Rolling Stones, até músicas gospel. Às vezes até Justin Timberlake aparece na playlist! Amo heavy metal e, claro, cresci com ele. No heavy metal eu gosto mais das histórias, das letras. A música tem uma coisa – você gosta de algo porque a música descreve sua vida. E algumas músicas são tão fortes que tornam-se inesquecíveis. A música tem uma mágica especial. Há combinações de palavras e música, e às vezes essa combinação cria uma química real. E para mim parece, no meu disco novo, eu estive apto a pegar essa mágica, produzir essa reação química em particular. Acho que esse disco será descrito como "rock" no sentido exato que a palavra descreve a música do The Doors, The Stooges e Sex Pistols.
 
Que banda você diria que é sua favorita?
 
Bem, provavelmente Marilyn Manson! Eu amo minha banda. De fato, tantas delas… É uma pergunta difícil! Mas se fosse para escolher, seria Beatles. Escuto muito eles, minha mãe colocava sempre o White Album para eu escutar. Ela faleceu recentemente, e agora Beatles me lembra ela. Esse ciclo de vida.

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