O mundo louco de Marilyn Manson

O site da BBC fez a transcrição da entrevista que eles fizeram com o Manson esses dias na rádio da emissora.

“Você quer uma luta? Você quer uma luta comigo?’

Conheci Marilyn Manson há menos de dois minutos.

Pensei que fosse entrevistar o príncipe dark do rock, o gótico grotesco que, como diz a lenda, é vampiro, zumbi e demônio em um só.

E foi a entrevista mais estranha que já fiz. Esperei que ele fosse um pouco estranho – mas não assim.

Também achei que o shock rocker fosse ser altamente articulado. Pelas outras entrevistas que assisti, sei que ele pode ser a voz inteligente de uma geração problemática.

Mas hoje, é claro que Marilyn Manson é apenas problemático.

Ele está em um estúdio de rádio encardido no complexo BBC Maida Vale, onde ele acabou de finalizar uma sessão de rádio. Nossa entrevista está quatro horas atrasada.

Na porta à frente, um coral da BBC Radio 3 está cantando Stabat Mater da Karol Szymanowski. Só espero que ele não entre nesse estúdio por engano.

Lá dentro, vestindo um capuz preto e sua normal palidez mórbida, ele está em espíritos elevados, fazendo piadas com sua banda e a turma do estúdio.

Como começamos, torna-se claro que ele não consegue ou não quer dar respostas coerentes, exceto aquelas que acabam com comentários sobre sexo, violência ou preferencialmente os dois.

São tais as suas preocupações que eu tive que editar duramente seus comentários que são sinistros, gráficos e francamente perturbados.

Estou fazendo a entrevista com um colega, Adrian, da BBC 6 Music. Manson começa arrancando a espuma do microfone do Adrian, antes de ser perguntado sobre seus fãs.

“Meus fãs? Não há fãs, porque eu estava bem quente no meu quarto.” Adrian tenta novamente, na qual Manson responde: “Fãs do teto ou anônimos?”

Há uma cintilação em seus olhos. Ele está brincando conosco, mas seus comentários também estão delibitadamente lascivos e aleatórios.

Ele segue diretamente. “Isso é um celular?” ele diz olhando para o meu gravador. Claramente não é um celular. “Posso te ligar?” Então ele faz a primeira oferta para uma luta, não agressivamente, mas mais como um político, um convite jovial.

Adrian pergunta para ele sobre o Download Festival, onde Manson tocará nesse verão.
“Você disse carregar. E baixo,” Manson interrompe, como se elas fossem as palavras mais sujas do mundo.

Fiz minha primeira pergunta, e tento mudar. Ele lembra a primeira vez que se apresentou musicalmente? Suas diferentes dimensões dos olhos saem de seu capuz.

“A primeira vez que me apresentei, vomitei.”

“Quando foi isso?”

“Noite passada. Mas não, a primeira vez, eu tive medo do palco. Eu estava com medo dos palcos assustadores e The Frighteners, que foi um filme ruim, qual o nome dele? Michael J. Fox.
Então eu diria que a última vez que eu tive… qual era a pergunta?”

Próximo, eu tentei perguntar onde ele mora atualmente. A resposta é desconexa, recheadas com palavras rudes e referência à violência sexual. Ele também começa a fazer barulhos com assobios no meio.

A resposta termina com: “Etc e tão adiante e tão ligado e wow e [mais assobios] eu gosto de falar nesses tipos de termos.”

Está ficando mais e mais curioso. Então perguntei sobre o filme que ele está supostamente trabalhando, onde ele interpreta o autor de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll.

“Sempre interpretei ele na vida,” ele responde. “Escrevi um script sobre ele porque eu li seus diários e era sobre afasia para o céu, o céu, esquerda, direita e isso sou eu.

Então eu quase abandonei a música porque eu não queria mais fazer então quero colocar tudo isso no filme. Agora estou apaixonado por filme. Mas me filmando. E estou interpretando o Marilyn Manson.”

Em que estágio o filme está? Você tem gravação de algo?”

“Não, eu atirei em alguém. Mas era uma arma de fogo e não era exatamente legal. Mas eu fui exonerado pelo crime.”

Espero e rezo para que ele esteja brincando. Depois que Adrian perguntou a ele sobre um de seus ídolos, Iggy Pop, eu perguntei porque ele não abandonou a música e decidiu lançar um álbum novo.

“Eu percebi que isso é o que eu faço melhor,” ele diz “Não é sempre bom, mas é o que eu faço melhor, pior. Eu sendo Marilyn Manson, rockstar, et cetera, isso é o que eu faço.”

Então o filme irá… não tenho tempo para finalizar minha pergunta.

“Você quer uma luta? Um filme?” ele introduz.

O filme, eu afirmo.

“O filme,” ele repete, antes das coisas se corromperem novamente.

Manson gere responder uma questão sobre Mötley Crüe um pouco mais coerente, então, agradecidamente, a entrevista é trazida perto de menos de 10 minutos.

Em tempo, foi em partes surreal, embaraçoso e engraçado. Em retrospectiva, parece um pouco mais perturbador. Não assustador. Apenas triste.

Novo álbum de Marilyn Manson, The High End of Low, está nas lojas.

 

Fonte: MansonUsa

 


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