Revolver (Manson e Slayer) (2009)

Essa não é a primeira vez que Marilyn Manson e Slayer vão para a estrada juntos. Vocês também encabeçaram a turnê em 2007. Já que vocês já tocaram juntos, é seguro assumir que a experiência foi boa?

Manson:  Foi ótimo. Tão ótimo que Kerry acabou tocando guitarra em alguns dos meus shows (em 2008), o que foi maravilhoso. Então por tudo, não haveria razão em não fazer de novo. Quero dizer, o que mais você vai fazer nesse verão? Gostaria de escutar uma sugestão: O que é melhor do que ver Manson e Slayer? Responda isso e eu te bato. E quando digo isso, eu digo que eles vão te bater (para o King). Ele é o músculo.

Kerry King: Ou pelo menos a circunferência. Não sei se é músculo.

Foi possível dizer de sua perspectiva se ambos públicos ficaram juntos na primeira parte dos shows do Manson/Slayer?

Manson: Não lembro, cara.

King: Porra, eu lembro. Havia fãs do Slayer, havia fãs do Manson e havia os fãs “Até que gostamos de ambos”. Nunca teve guerra, por qualquer motivo.

Manson: Não teve nada que estivéssemos preocupados por um segundo.

Tom Araya: Nunca teve nada em que estivéssemos ficado com medo, o que foi uma grande coisa.

Manson: As pessoas que estavam com medo eram mariquinhas e eles não estão em bandas, por isso estavam com medo. Nós fizemos o que fazemos melhor, e agora vamos fazer de novo. E dessa vez vai ser melhor ainda porque agora nos conhecemos e temos músicas novas, que vai ser um chute no saco de todos.

Manson, que papel o The High End of Low terá nas suas performances no Mayhem?

Manson: A maior diferença entre essa turnê e a outra é que eu e o Twiggy estamos juntos de novo. Ele é a pessoa que me introduziu ao Slayer, então é tipo um sonho de infância tornando-se realidade.

King: Quando eu toquei com vocês ano passado, com o Twiggy na banda, pareceu uma identidade diferente. É como o antigo Manson: Ficou muito mais perigoso do que da primeira vez que entramos em turnê.

Manson: Certo, e é onde estamos agora. Esse álbum foi tão fácil quanto voltar com o meu melhor amigo e apenas fazer música. Não é sobre algo que é legal, obscuro, pesado, não-comercial ou qualquer coisa contra o mainstream; isso não existe mais. É apenas sobre pessoas que querem aproveitar a vida e entender que o mundo está fodido. Nós fazemos música para esse tipo de pessoa, porque nós somos esse tipo de pessoa.

The High End of Low tem uma energia confrontacional ao seu ultimo álbum, Eat Me, Drink Me, de 2007

Manson: Tivemos uma escolha, que foi a mesma escolha ao longo da minha carreira quando todas essas bandas compraram pedais de distorção e guitarras de sete cordas: Você quer fazer um álbum pesado ou um álbum duro? Compare-o com o seu pau: Você quer ter um pau pesado ou duro? Com o pau duro você pode fazer coisas, um pesado é apenas opressivo. Então música pesada é sem criatividade, considerando que duro é o que o punk trouxe, o que o Slayer começou e o que eu quero fazer. Acho que duro é o ponto da música; pesado é apenas um tom. Todo mundo pode soar realmente pesado. Há apenas um peso que você pode ter:  há tantas opções de configuração que você pode ligar em uma guitarra… É o que você faz com isso, o que você diz em cima disso – e esse é realmente o lugar onde nos encontramos concordando na última vez em que entramos em turnê.

Kerry e Tom, vocês tiveram que se confrontar com a dicotomia pesada-dura ao longo dos anos?

King: Acho que não. (risos) Acho que apenas fazemos.

Tom: Apenas fazemos, cara. Quando fizemos nosso primeiro single, seguimos para sermos os mais rápidos e os mais pesados, e de certo modo colamos isso na nossa história.

Manson: Bem, eles inventaram, e eu tenho que viver na sombra disso.

King: Não estamos repensando! (risos)

Manson: Tenho que criar dentro da sombra do apocalipse que eles criaram. A segunda vinda de Cristo precisará de Viagra quando vier ao Marilyn Manson e Slayer.

Falando em fim dos tempos, a crise econômica atual é boa para o metal? Ou isso leva as pessoas para músicas mais felizes e tranquilas?

Tom: Depende da pessoa. Metal pode ser uma coisa boa, ou pode ser o gatilho. Se as coisas continuarem do jeito que estavam  – se as pessoas continuarem ficando chateadas por não estarem aptas a irem até a loja e comprar comida – talvez ficarão agitadas com isso.

Manson:  Se você estiver procurando por uma declaração inflamatória, vou fazer: Meu single chama-se “Arma-Goddamn-Motherfuckin-Geddon” e na música eu digo, “Fuck the goddamn TV and the radio/I’m taking credit for the death toll” Quando vem de qualquer um na música que já foi culpado por pessoas serem assassinadas – ao lado dos Beatles que foram culpados primeiro por “Helter Skelter” – acho que nesse caso, temos os maiores hits da Billboard. Se eles querem me culpar pelo preço da morte, eu pegarei o Grammy. Mas esse não é o ponto.

Qual é?

Manson: O ponto é que os artistas estão pegando o lugar dos políticos quando eles gaguejam. Quando você vai para a cama à noite, sobre o quê você pensa? Música ou o que um político falou? Você pensa sobre música. Eu penso isso agora, em um tempo onde as pessoas não sabem em que acreditar, música é a coisa mais importante.

Araya: As pessoas dizem que nossa música tem as ajudado através de situações. O que é meio estranho, mas legal.

Manson: O que sempre acontece comigo quando alguém diz, “As pessoas escutam a sua música e são violentas” se isso é poderoso o suficiente para fazer algo ruim, então imagine o que o bom poderia fazer.

Com bondade na mente, essa é a última pergunta: Vocês podem nomear o que esse encontro entre Manson/Slayer irá melhorar diante do último?

King: Fogo.

Manson: Tenho sombrancelhas.

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